• A GUARDIÃ DE CAVALOS DE FERRO

    Durante décadas, habituámo-nos a ver a guarda da passagem de nível a sair dos seus cubículos de tijolo e telha e a atravessar a estrada com uma corrente na mão ou a manejar a cancela que delimita a passagem. Eram elas que controlavam o tráfego de carros e peões durante a passagem dos comboios. Já a passagem do tempo é incontrolável e a Refer tem vindo a suprimir e reconverter as passagens de nível com meios automatizados. Junto à linha do Vouga, a única linha de via estreita ainda em funcionamento no país, encontrámos uma destas profissionais, que aceitou partilhar connosco o seu cubículo e o seu quotidiano. Testemunhámos os hábitos, motivações, métodos e receios de uma profissão em vias de extinção.



  • POR ESSE RIO ACIMA

    O calor de verão quase derretia o asfalto do Porto e eu estava sedento de uma reportagem ao ar livre. Falei com os meus editores, enchi uma mochila com tralhas e parti para os confins nortenhos de Portugal. Esperava-me uma expedição em canoa ao longo de quatro dias e quase 100 quilómetros pelas águas azul-esmeralda do desfiladeiro selvagem do Douro Internacional. A aventura transformou-se numa reportagem de quatro capítulos, intitulada “Por esse Rio Acima” e publicada nos primeiros dias de Setembro de 2007. Está agora disponível para ser lida na íntegra. Uma aventura à força dos remos à distância de um clique.



  • PAREDES HUMANAS

    Olho para a sua estrutura clássica, com o seu telhado em V e a chaminé num dos cantos. A porta pintada de azul, um azul desmaiado e ao mesmo tempo vívido, como um olhar nórdico. O arbusto que espreita à janela, as sombras desenhadas pelas árvores de fruto e a forma bucólica como o vegetação a contorna, como uma ilha num oceano de águas verdes. Que belo, que sereno será o barulho trémulo dessas águas nos dias de vento, tal como o silêncio nocturno dos céus estrelados, apenas perfurado por cantigas de grilos e cigarras. E olho as suas cicatrizes, inúmeras, que tantos segredos vincarão consigo.



  • SEMEAR A INSPIRAÇÃO

    O acto de semear é cada vez menos natural. A artificialização é deliberada e tem desígnios bem enraizados no controlo industrial do sistema alimentar. As consequências fazem-se sentir a vários níveis, alguns roçam o macabro. Há cada vez mais pessoas atentas a essas raízes e determinadas em arrancá-las. Uma jovem realizadora portuguesa é uma delas. «Seed Act» é a sua enxada.



  • O PUTO QUE CRUZOU A EUROPA NO DORSO DE UMA SCOOTER «III – Espanha»

    O jovem aguedense continua a acelerar a fundo na sua scooter. Está atravessado o segundo país, seguem-se mais quatro até alcançar a tão ambicionada concentração motard na Alemanha. Este é o terceiro capítulo de uma reportagem inédita e exclusiva, onde serão contadas todas as histórias por trás de uma aventura que muitos consideraram impossível, até um puto misturar sonho com determinação e provar o contrário.



  • TREVAS DE ESPLENDOR

    O Café fica no Porto. Todas as segundas-feiras é possível descer umas escadas de madeira e aceder a uma cave onde se recita e partilha poesia. Já o conhecia e até já o frequentava, quando fui enviado para cobrir a noite do vigésimo aniversário da iniciativa. Estive algumas horas dessa tarde a conversar com o criador dessa rotina que se enraizou no quotidiano cultural da cidade, o poeta Joaquim Castro Caldas. À noite, regressei à cave para o ver em ação. Fui desafiado pela minha editora a escrever um texto diferente, com alguma ambivalência, que fosse poético sem deixar de ser jornalístico. Gostei do desafio, embora soubesse que ele era impossível. Pedi para o escrever em casa, durante a noite. Comprei uma garrafa de vinho e tranquei-me na sala com os meus apontamentos e um teclado. Quando a luz entrou pelas janelas, estava escrito e embora tivesse consciência que tinha falhado, sentia-me inebriado com a tentativa. Cinco meses depois, o poeta morreu. Este foi o meu testemunho dessa noite.



  • CAMINHANDO SOBRE AS ÁGUAS | O TRILHAR DA AUDÁCIA

    A visibilidade era quase nula, mas quando Pedro Pacheco limpou a neve do visor do altímetro, este marcava 8300 metros. Era a maior altitude alcançada por um português no monte Everest. Estava a apenas 550 metros do topo do mundo, mas quando a tempestade se intensificou, foi confrontado como o eterno dilema da alta montanha. Prosseguir ou abortar. Avaliou e resolveu seguir o conselho da sua intuição que, calejada pela experiência, lhe garantiu imunidade à “febre do cume”, que já encaminhou tantos alpinistas para a morte.
    A história tende a apenas emoldurar os primeiros a alcançar o topo – e ele foi alcançado cinco anos depois por um português (João Garcia) – mas por trás da moldura estão aqueles que ousaram avançar primeiro e trilhar. Pedro Pacheco é um deles e contou-me a sua história numa reportagem publicada em 2007 intitulada “O Trilhar da Audácia”. Não ficámos pela conversa. Levou-me também a atravessar desfiladeiros, explorar grutas subaquáticas e a descer cascatas em rapel, numa atividade que ele introduziu em Portugal, o Canyoning. Também essa aventura se transformou em reportagem: “Caminhando Sobre as Águas”.
    Duas reportagens que hoje recordo, na expectativa que a brisa de aventura que ainda carregam vos despenteie sensorialmente.



  • MANSON: CULTO DE PERSONALIDADE

    O verão de 1969 de Los Angeles viu o seu azul resplandecente ser tingido com sangue. Em duas noites de agosto, sete pessoas, incluindo uma estrela de cinema, foram assassinadas de forma macabra. A cidade acordou amedrontada e cheia de interrogações, todas distantes da crua realidade. Quais os desígnios e motivações? De que tecido foi cosido o vasto manto de cumplicidades que aconchegou um dos assassinos mais mediáticos da história?



  • O PUTO QUE CRUZOU A EUROPA NO DORSO DE UMA SCOOTER «II – A Partida»

    Prossegue a odisseia do jovem aguedense que montou numa scooter e cruzou nove mil quilómetros e seis países, com destino a uma concentração motard num bosque alemão. Este é o segundo capítulo de uma reportagem inédita e exclusiva, onde serão contadas todas as histórias por trás de uma aventura que muitos consideraram impossível, até um puto misturar sonho com determinação e provar o contrário.



  • OS JOVENS, A VELHA E O CIGARRO DELA

    Vivências, nostalgia, criatividade, empenho, sede de partilha. Assim nasce uma web-série. Inteiramente produzida por uma equipa independente do Porto, “A Velhinha que Fuma” está disponível para deambular pelos ecrãs dos vossos computadores e telemóveis. Retirem os avisos de não fumador de ambos os ecrãs que este fumo é daquele que faz rir. In a good way! Wait… is there a bad way?



  • O VERDADEIRO ECTOPLASMA DO FANTASPORTO

    Há uns anos entrei no balneário do Fantasporto. Queria conhecer a famosa mística que o acompanha desde a década de 80. A equipa técnica abriu o caderno e contou-me toda a sua história, as suas curiosidades e particularidades. Os adeptos da claque levaram-me para o meio deles e partilharam a devoção, as experiências e rituais por trás de um quarto de século de fidelidade ao festival.



Página 2 de 3123