{"id":1341,"date":"2019-05-29T14:32:40","date_gmt":"2019-05-29T14:32:40","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1341"},"modified":"2019-05-30T13:28:18","modified_gmt":"2019-05-30T13:28:18","slug":"em-busca-do-urso-pardo-nas-montanhas-asturianas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-do-urso-pardo-nas-montanhas-asturianas\/","title":{"rendered":"EM BUSCA DO URSO PARDO NAS MONTANHAS ASTURIANAS"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">O<\/span> ru\u00eddo do estalar de um ramo desperta-me. Alumio o rel\u00f3gio com a lanterna, passam poucos minutos das quatro da manh\u00e3. \u00a0Durante alguns instantes, fico sem saber o que fazer. \u201cDeixo-me estar aqui quietinho ou vou l\u00e1 fora?\u201d. Resolvo tentar uma solu\u00e7\u00e3o interm\u00e9dia. Des\u00e7o devagarinho o fecho da tenda, s\u00f3 o suficiente para conseguir p\u00f4r metade da cabe\u00e7a l\u00e1 fora e espreitar. \u00c9 em v\u00e3o, est\u00e1 escuro, n\u00e3o se v\u00ea absolutamente nada. Mas tudo parece tranquilo e quase silencioso, n\u00e3o fosse o som incessante da \u00e1gua do riacho, cinco ou seis metros abaixo do s\u00edtio onde decidi montar acampamento, por saber que os ursos ali se costumam alimentar ao amanhecer.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1366 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6855-1-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Durante anos desarmei os receios que alguns amigos t\u00eam de acampar na natureza com um \u00fanico argumento: Em Portugal n\u00e3o h\u00e1 esp\u00e9cies predadoras letais para o homem. S\u00f3 h\u00e1 duas esp\u00e9cies de v\u00edboras venenosas (Cornuda e Seoane) e nenhuma delas \u00e9 letal para um adulto saud\u00e1vel. As picadas da vi\u00fava negra europeia ou do lacrau, embora dolorosas, s\u00e3o trat\u00e1veis. E os \u201cfamigerados\u201d lobos evitam-nos mais do que n\u00f3s os evitamos a eles. \u201cImaginem como fazem as pessoas na Austr\u00e1lia, que est\u00e1 recheada de esp\u00e9cies assassinas? Ou em tantas montanhas e florestas dos Estados Unidos, onde a qualquer momento pode surgir um urso?\u201d.<\/p>\n<p>O argumento geralmente funciona. Tal como as pessoas nesses pa\u00edses se habituaram a conviver com essa possibilidade mais ou menos omnipresente de risco, n\u00f3s habitu\u00e1mo-nos a conviver com a nossa, bem mais escassa. E por isso, j\u00e1 mais do que uma vez, levei comigo alguns desses amigos(as) a acampar nas montanhas. \u00c0 noite, em redor da fogueira (responsavelmente acesa), gosto de lhes contar hist\u00f3rias sobre mitos e lendas da regi\u00e3o ou at\u00e9 de animais improv\u00e1veis que j\u00e1 por ali andaram, no passado. Como os ursos. Muita gente n\u00e3o sabe que os ursos j\u00e1 foram um animal habitual em certas regi\u00f5es do nosso territ\u00f3rio. Pensa-se que o \u00faltimo ter\u00e1 sido morto no Ger\u00eas, em 1843. E menos pessoas ainda sabem que h\u00e1 ursos selvagens muito perto de n\u00f3s, no Norte de Espanha ao longo da cordilheira Cant\u00e1brica e, em especial, nas montanhas e florestas das Ast\u00farias.<\/p>\n<p>Em 2009, decidi ir l\u00e1. Planeei uma pequena uma expedi\u00e7\u00e3o ao longo da cordilheira cant\u00e1brica. Tinha v\u00e1rios planos em mente para esses 10 dias. Queria fazer montanhismo nas Ast\u00farias, queria fazer a Ruta del Cares. Queria visitar os lagos de Covadonga. E queria tentar fotografar, no seu habitat natural, os \u00fanicos ursos pardos que vivem na Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica.<\/p>\n<p>Na v\u00e9spera, pernoitei em Chaves. No dia seguinte, come\u00e7ou a aventura. Entrei em Espanha e percorri cerca de 350 quil\u00f3metros at\u00e9 Posada de Valdeon, uma pequena povoa\u00e7\u00e3o da Prov\u00edncia de Leon, j\u00e1 nos Picos da Europa, onde deixei o carro e segui de mochila \u00e0s costas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1365 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"752\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6853-600x900.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 501px) 100vw, 501px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A cordilheira cant\u00e1brica estende-se no Norte de Espanha durante 480 quil\u00f3metros, paralela ao mar que tem o mesmo nome. Na regi\u00e3o, h\u00e1 duas subpopula\u00e7\u00f5es de ursos localizadas e identificadas, a ocidental, onde se estimam 280 exemplares, e a oriental, com cinquenta. Eu estou mais ou menos no meio. E estou a planear seguir para Norte, a acompanhar um pequeno desfiladeiro onde segue um riacho. Esse curso de \u00e1gua \u00e9 o Rio Cares, que atravessa os Picos Europa de cima a baixo, at\u00e9 desaguar no mar cant\u00e1brico.<\/p>\n<p>Est\u00e1 um dia nublado, mas n\u00e3o chove. \u00c9 Abril e ap\u00f3s um Inverno de hiberna\u00e7\u00e3o, os ursos est\u00e3o de volta \u00e0s florestas em busca de alimento. Na fase de prepara\u00e7\u00e3o, j\u00e1 tinha recolhido alguns registos de presen\u00e7a deles nesta zona. Embora se alimentem maioritariamente de frutos silvestres, mel, borboletas e pequenos roedores, tamb\u00e9m apanham peixes nos cursos baixos de \u00e1gua. \u00c9 esta \u00faltima possibilidade que tenho em mente.<\/p>\n<p>O trilho serpenteia entre montanhas escarpadas com cumes cobertos por neblina. Juntamente com o som suave do vento, o cen\u00e1rio \u00e9 quase m\u00edstico. \u00a0Os antigos celtas chamavam a este s\u00edtio \u2018<em>cantabr<\/em>\u2019. \u2018<em>Cant<\/em>\u2019, significa pedra e \u2018<em>Abr<\/em>\u2019, povo. \u201cO povo que vive nas montanhas\u201d.<\/p>\n<p>A determinada altura, o desn\u00edvel torna-se mais suave. Vou atravessando pequenos planaltos cheios de verde, ladeados por muros de granito e rochas agasalhadas com musgo. De vez em quando h\u00e1 umas casas, pequenas e r\u00fasticas, que deduzo serem abrigos de apoio agr\u00edcola. Come\u00e7o a descer, rumo ao desfiladeiro. Noto que a neblina est\u00e1 a escorrer dos topos das montanhas e a abater-se sobre o vale. Est\u00e1 na hora de montar acampamento.<\/p>\n<p>Encontro o local ideal perto de um desses abrigos. Um terreno mesmo acima do riacho, coberto por uma densa e confort\u00e1vel manta verde. De manh\u00e3 vou ter um ponto elevado privilegiado para fotografar o riacho. E com um pequeno muro de granito em frente, a ocultar-me. \u201c\u00c9 aqui mesmo\u201d. Monto a tenda e preparo o jantar. Uma sopa de peixe instant\u00e2nea, fervida no <em>campingaz<\/em>. Por volta das 22 horas, recolho \u00e0 tenda. Amanh\u00e3, o despertar \u00e9 antes do amanhecer.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1367 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6854-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p>H\u00e1 um outro ru\u00eddo similar no bosque, embora mais distante. Resolvo sair c\u00e1 fora e tentar averiguar. N\u00e3o quero acender a lanterna para n\u00e3o atrair aten\u00e7\u00f5es sobre mim. Vou apenas tentar descortinar algum vulto em movimento no meio desta escurid\u00e3o cerrada. Pensei que ia ser uma noite de nevoeiro, mas a neblina parece ter-se dissipado por completo antes de chegar c\u00e1. \u201cAinda bem\u201d, penso. Os meus sentidos iam estar ainda mais limitados se assim fosse. \u201cE talvez um pouco mais arrepiados\u201d.<br \/>\nFiquei sentado uns bons trinta minutos do lado de fora da tenda. \u201cAcho que a costa est\u00e1 livre\u201d.<br \/>\nEmbora algo reticente, volto para dentro. Tento adormecer. O sono parece ter ido fazer companhia ao que quer que tenha sido que fez aquele barulho.<\/p>\n<p>Acordo com o teto da tenda inundado de claridade. \u201c<em>Damn<\/em>!\u201d. Tinha diminu\u00eddo o som do despertador do telem\u00f3vel, para n\u00e3o arriscar afugentar eventuais presen\u00e7as animais l\u00e1 fora. Devo ter diminu\u00eddo demais, pois n\u00e3o me acordou. Ainda por cima j\u00e1 devo ter adormecido tarde, o que tamb\u00e9m n\u00e3o ajudou.<br \/>\nSaio da tenda, fa\u00e7o o pequeno-almo\u00e7o e fico o resto da manh\u00e3 a deambular por ali. \u00a0Nada de ursos, nem vest\u00edgios de ursos. Procuro pegadas ou outras marcas, nada. \u00a0Resolvo levantar o acampamento e seguir caminho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6870.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1368 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6870-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"501\" height=\"749\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante a noite, cheguei a sentir-me arrependido de n\u00e3o ter comprado, preventivamente, uma esp\u00e9cie de <em>spray<\/em> que repele os ursos, caso eles se aproximem. \u00c9 aconselhado a quem se aventura a p\u00e9 nestas zonas, mas na altura achei-o caro e resolvi abdicar dele. Pesou na minha decis\u00e3o o que tinha lido no <em>website<\/em> da Funda\u00e7\u00e3o do Urso Pardo, antes de fazer a viagem. Estes ursos n\u00e3o s\u00e3o agressivos como os <em>grizzlies<\/em> americanos. \u00a0Tentam evitar ao m\u00e1ximo os humanos e um eventual confronto costuma ser uma \u201ccarga dissuasora\u201d, ap\u00f3s a qual &#8211; ao constatarem que n\u00e3o correm perigo &#8211; fogem. Nos \u00faltimos 25 anos houve sete incidentes entre ursos e humanos nesta regi\u00e3o. Nenhum fatal. N\u00e3o ia acontecer logo ao portugu\u00eas\u2026<\/p>\n<p>Sigo o desfiladeiro em dire\u00e7\u00e3o a Norte. Encontro uma zona densamente arborizada com uma placa: Chorco de los Lobos. \u00c9 uma armadilha antiga para ca\u00e7ar lobos. Era feita uma batida na encosta de uma montanha para afugentar os animais na dire\u00e7\u00e3o ao sop\u00e9. L\u00e1 em baixo, um conjunto de estacas dissimuladas com as \u00e1rvores, afunilavam o caminho. Se eles tivessem o azar de entrar l\u00e1, esperava-os os \u201c<em>choceros<\/em>\u201d, ca\u00e7adores escondidos num pequeno esconderijo de madeira e armados com uma longa lan\u00e7a, para impelir os animais \u00e0 queda num po\u00e7o de granito no v\u00e9rtice da armadilha. Eram ent\u00e3o mortos de uma forma cruel que me recuso a descrever aqui. Era usada desde o s\u00e9culo XVII e a \u00faltima batida ocorreu nos anos 50.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1369 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_6877-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O riacho transforma-se cada vez mais em rio. Paro junto a uma margem para fazer umas sandes e almo\u00e7ar. Consulto o mapa, estou a cerca de cinco quil\u00f3metros da aldeia de Ca\u00edn, o meu ponto de partida para fazer a m\u00edtica Ruta del Cares (essa merece um texto pr\u00f3prio). Sinto-me algo desanimado por n\u00e3o ter conseguido fotografar nenhum urso em toda esta jornada. Um sentimento que rapidamente sacudo, com a recorda\u00e7\u00e3o de uma reportagem que escrevi h\u00e1 um par de anos, ap\u00f3s passar quatro dias numa canoa a descer o Douro Internacional. Na altura vi grifos, abutres do Egipto, entre muitas outras aves raras, exceto uma: a \u00e1guia mais rara e mais dif\u00edcil de avistar em Portugal: a \u00e1guia-real. Lembro-me de como terminei o texto: \u201cN\u00e3o a cheguei a ver, mas \u00e9 fant\u00e1stico saber que ela est\u00e1 l\u00e1\u201d. \u00c9 igual com os ursos nestas montanhas espanholas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2><span style=\"color: #808080;\">Ep\u00edlogo<\/span><\/h2>\n<p>Dez anos ap\u00f3s os acontecimentos relatados neste texto \u2013 e por coincid\u00eancia tamb\u00e9m no m\u00eas de Abril \u2013 fui passar alguns dias no Parque Natural de Montesinho, no nordeste de Portugal. Aluguei uma casa na aldeia de Vilarinho, que fica no cora\u00e7\u00e3o do parque. O s\u00edtio perfeito para fazer trilhos e explorar a regi\u00e3o. Um deles arranca, precisamente, da aldeia e penetra profundamente nas florestas destas montanhas. S\u00e3o oito quil\u00f3metros repletos de verde, de sil\u00eancio, de inspira\u00e7\u00e3o. Tem algumas surpresas, que n\u00e3o vou desvendar. Quer dizer, vou dar uma dica em rela\u00e7\u00e3o a uma: Preparem-se para descal\u00e7ar as botas e arrega\u00e7ar as cal\u00e7as.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1372 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"900\" height=\"600\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_0944-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 900px) 100vw, 900px\" \/><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 na ponta final do trajeto, passei por um percal\u00e7o engra\u00e7ado; bem, na altura n\u00e3o teve piada nenhuma. H\u00e1 um estranho min\u00e9rio esverdeado que \u00e9 extra\u00eddo destas montanhas. Ainda n\u00e3o consegui descobrir o nome, mas tem um aspeto invulgar. Numa subida, j\u00e1 no derradeiro quil\u00f3metro, encontrei um enorme veio junto ao trilho. Resolvi escolher uma dessas pedras para enfeitar o meu escrit\u00f3rio \u2013 qualquer dia parece um gabinete de um ge\u00f3logo \u2013 por isso disse \u00e0 namorada para ir avan\u00e7ado que depois eu acelerava o passo e apanhava-a. Ap\u00f3s alguns minutos a remexer nos calhaus, l\u00e1 encontrei o esp\u00e9cimen perfeito. Voltei ao caminho. No topo da subida, avistava-se a aldeia. Segui em frente, entrei na povoa\u00e7\u00e3o, abri o port\u00e3o da casa, subi as escadas, abri a porta e, contrariamente ao que eu tinha suposto, ela n\u00e3o tinha chegado a casa. \u201cWhat the hell?!\u201d. Voltei para tr\u00e1s, em passo de corrida, j\u00e1 sem o peso da mochila, da m\u00e1quina e das objetivas. Voltei ao veio do min\u00e9rio misterioso. Nada! Voltei a correr at\u00e9 \u00e0 casa. Nada. Andei pela povoa\u00e7\u00e3o. Nada. Voltei atr\u00e1s mais uma vez. Notei que num prado a uns 20 ou 30 metros do trilho haviam v\u00e1rias colmeias e estavam dois apicultores a trabalhar. \u201cTer\u00e1 parado para ver a atividade?\u201d. N\u00e3o estava l\u00e1.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1373 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"751\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1037-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/a><\/p>\n<p>N\u00e3o havia rede de telem\u00f3vel nesta zona. Como n\u00e3o levei r\u00e1dio transmissores (\u00e9 a \u00faltima vez que n\u00e3o os levo seja para que trilho for), recorri \u00e0 velha estrat\u00e9gia de gritar feito maluco. A resposta fez-se sentir, de uma zona que me pareceu um pouco afastada da povoa\u00e7\u00e3o. Afinal o trilho contornava primeiro os arredores da aldeia. Ela \u00e9 que tinha seguido o trilho corretamente e se deixou ficar l\u00e1 \u00e0 espera, sentada \u00e0 sombra de uma \u00e1rvore. Eu, o gajo que anda sempre a dar dicas de pedestrianismo, \u00e9 que me tinha enganado, ao seguir convicto em frente quando vi a aldeia e sem reparar nas marcas. Elas t\u00eam sempre raz\u00e3o.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1374 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"751\" height=\"501\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2019\/05\/IMG_1083-600x400.jpg 600w\" sizes=\"auto, (max-width: 751px) 100vw, 751px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ao entardecer, enquanto relaxava no alpendre da casa com vista para as montanhas, estive a conversar com o anfitri\u00e3o, Lu\u00eds Correia. Descobri que ele \u00e9 apicultor, propriet\u00e1rio da <a href=\"http:\/\/www.apimonte.pt\/pt\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Apimonte<\/a> e que as colmeias que eu tinha visto eram dele. Nunca fui grande apreciador de mel, mas depois de ouvir uma cativante explica\u00e7\u00e3o dele sobre o tema e sobre o seu genu\u00edno processo artesanal, coloquei a hip\u00f3tese de nunca ter provado verdadeiro mel at\u00e9 hoje. Comprei v\u00e1rios fracos, para mim e para oferecer a familiares.<\/p>\n<p>Duas semanas depois, o pa\u00eds despertou com a not\u00edcia que tinha sido avistado um urso pardo em terras portuguesas pela primeira vez em 176 anos. Mais propriamente, em Montesinho.<br \/>\nQuarenta e oito horas depois, surge a not\u00edcia que o urso se tinha alimentado de 50 quilos de mel. Adivinhem que colmeias \u00e9 que ele atacou?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 10 anos parti para uma expedi\u00e7\u00e3o na cordilheira cant\u00e1brica. 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Acampei num dos vales onde eles costumavam ser avistados, junto a um riacho onde muitas vezes se alimentam ao amanhecer. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1360,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1341","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>EM BUSCA DO URSO PARDO NAS MONTANHAS ASTURIANAS | CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"H\u00e1 10 anos fiz uma expedi\u00e7\u00e3o na cordilheira cant\u00e1brica. 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