{"id":1562,"date":"2020-02-22T18:57:00","date_gmt":"2020-02-22T18:57:00","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1562"},"modified":"2020-03-12T01:21:58","modified_gmt":"2020-03-12T01:21:58","slug":"joao-silva-confissoes-de-um-membro-do-bang-bang-club","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/joao-silva-confissoes-de-um-membro-do-bang-bang-club\/","title":{"rendered":"JO\u00c3O SILVA: CONFISS\u00d5ES DE UM MEMBRO DO BANG-BANG CLUB"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">A<\/span> \u00c1frica-do-Sul atravessou um per\u00edodo de violentos conflitos no p\u00f3s-appartheid, entre 1990 e 1994. Duas fa\u00e7\u00f5es (ANC e IFP) gladiavam-se diariamente e enchiam as ruas de sangue. Quatro fotojornalistas cobriram o conflito de perto. Destacavam-se de todos os outros, pois misturavam-se nas contendas e acompanhavam a viol\u00eancia lado a lado. Kevin Carter, Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e Jo\u00e3o Silva. Foram apelidados de Bang Bang Club.<\/p>\n<p>\u201cDetesto esse nome\u201d, diz Jo\u00e3o Silva. Encontrei-o numa <em>masterclass<\/em> sobre fotojornalismo e reportagem, na Casa da Cultura em Coimbra. \u00c0 minha frente est\u00e1 um homem calejado pela guerra. Habituou-se a ela, mas as marcas emocionais que ela lhe deixou s\u00e3o bem vis\u00edveis nas pausas que faz no slide, nas fotos que lhe trazem recorda\u00e7\u00f5es mais dram\u00e1ticas. Respira fundo, o olhar regressa \u00e0 sala, diz: \u201c<em>Ya<\/em>, vamos continuar\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1575 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0072-2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Jo\u00e3o nasceu em Lisboa, foi para a Africa-do-Sul aos nove anos. Desistiu cedo da escola. \u201cEra demasiado rebelde para estar l\u00e1\u201d. Mais tarde, descobriu a fotografia, apaixonou-se por ela. Aos 23, come\u00e7ou a trabalhar como freelancer. N\u00e3o demorou a atrair a aten\u00e7\u00e3o de ag\u00eancias como a Reuters ou a Associated Press, at\u00e9 chegar a um dos suprassumos do jornalismo, o The New York Times.<br \/>\nDurante essa caminhada foi apelidado, juntamente com os seus tr\u00eas companheiros, por uma revista sul-africana de \u201cBang-Bang Paparazzi\u201d. Revoltaram-se. \u201cO que faz\u00edamos era s\u00e9rio. Eu para ter um dia bom na minha profiss\u00e3o, algu\u00e9m do outro lado estava a ter o pior dia da sua vida\u201d.\u00a0 O nome foi alterado. Passaram a ser conhecidos como \u201cBang-Bang Club\u201d. A mudan\u00e7a apenas suavizou a sua avers\u00e3o \u00e0 designa\u00e7\u00e3o. Adensar-se-ia novamente mais tarde, quando a sua editora o obrigou a alterar o t\u00edtulo do livro que escreveu em parceria com Greg Marinovich para \u201cThe Bang-Bang Club: Snapshots from a Hidden War\u201d, de forma a rentabilizar a fama que o grupo viria a alcan\u00e7ar ao longo dos anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>\u00c1FRICA DO SUL<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Foi ainda num conflito no seu pa\u00eds que Jo\u00e3o perdeu o primeiro colega do clube. No dia 18 de Abril de 1994, houve um tiroteio em Thokoza, uma pequena povoa\u00e7\u00e3o a poucos quil\u00f3metros de Joanesburgo. Estavam l\u00e1 todos. Durante a chuva de balas, algu\u00e9m gritou \u201cKen is down!\u201d. \u201cCaguei nas <em>bullets<\/em>. Levantei-me e fui ajud\u00e1-lo. Depois tirei fotos. Foi a \u00faltima coisa que fiz pelo meu amigo. Fotografei o seu corpo no ch\u00e3o\u201d. Levanta os olhos para n\u00f3s e pergunta: \u201cSabem o que o Ken costumava dizer?\u201d Aguarda alguns segundos ret\u00f3ricos e responde: \u201cQue uma morte n\u00e3o fotografada era uma morte esquecida\u201d.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o est\u00e1 bem familiarizado com esse dualismo, que ondula entre o sentido de miss\u00e3o e o registo profissional de atrocidades. \u201cSe ningu\u00e9m v\u00ea, n\u00e3o se passou nada. Se ningu\u00e9m v\u00ea o sofrimento alheio, \u00e9 porque n\u00e3o h\u00e1 sofrimento\u201d, afirma, convicto. Quando dispara o seu obturador, n\u00e3o glorifica a viol\u00eancia. Documenta-a. Denuncia-a. \u201cSe puder consciencializar uma \u00fanica pessoa em rela\u00e7\u00e3o a estes infelizes acontecimentos, sou um homem feliz\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1577 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-1024x732.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"732\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-1024x732.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-300x215.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-768x549.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-1536x1098.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/SouthAfrica_018-2048x1464.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Por diversas vezes sentiu-se dividido. Registar a realidade \u00e0 sua volta ou tentar alter\u00e1-la? \u201cJ\u00e1 ajudei a salvar vidas. Noutras vezes, n\u00e3o\u201d, responde. Sente-se todo o peso do mundo na resposta. Talvez nessas vezes pudesse ter feito a diferen\u00e7a. Ou talvez tivesse cavado a sua pr\u00f3pria sepultura. Clica no pr\u00f3ximo slide. Contempla a imagem, demoradamente.<\/p>\n<p>Na noite de 17 de Junho de 1992, v\u00e1rios homens armados (IFP) invadem a povoa\u00e7\u00e3o de Boipatong. Executam 45 pessoas a sangue frio. No dia seguinte, Jo\u00e3o est\u00e1 l\u00e1. A determinado momento, v\u00ea um jovem negro vestido de branco, a fugir de uma multid\u00e3o em f\u00faria. Nunca o viram na povoa\u00e7\u00e3o e acusam-no de ser um membro do IFP. Jo\u00e3o consegue furar a roda humana enraivecida que se debru\u00e7a sobre o jovem. Dezenas de bocas soltam palavras de \u00f3dio. \u201cEle nem conseguia falar, de tanto medo que tinha\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1588 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome-1024x695.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"695\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome-1024x695.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome-300x204.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome-768x522.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/sa_final_7_chrome.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Ajoelhado e aterrorizado, nem d\u00e1 conta do enorme pedregulho que deixam cair na sua cabe\u00e7a. \u201cE ent\u00e3o come\u00e7ou a festa da morte\u201d, afirma Jo\u00e3o, com os olhos mais uma vez ausentes. O grupo ataca o corpo \u00e0 catanada. \u201cJ\u00e1 estava morto, mas continuaram a massacr\u00e1-lo\u201d. L\u00e2minas, paus, pedras. E, por fim, o fogo.<br \/>\nNeste ponto, Jo\u00e3o j\u00e1 sentia alguma reprova\u00e7\u00e3o na express\u00e3o dos atacantes. Recordou a frase do amigo Greg, quando tirou a foto que lhe valeu o Pulitzer: \u201cSer tu parares de o matar, eu paro de fotografar\u201d. Mas os membros do ANC n\u00e3o pararam. Continuaram a apedrejar e a esfaquear o jovem, que se chamava Tshabalaia e por mero acaso tinha passado na povoa\u00e7\u00e3o de Soweto. Por fim, regaram o corpo com gasolina e atearam-lhe fogo. Greg continuou a disparar. Eram apenas os seus dedos a trabalhar, a mente estava paralisada.<br \/>\nTamb\u00e9m era assim com Jo\u00e3o. Quando o corpo do jovem vestido de branco j\u00e1 n\u00e3o era mais pass\u00edvel de ser mutilado, a raiva come\u00e7ou a mudar de dire\u00e7\u00e3o. Jo\u00e3o sentiu a mudan\u00e7a e fugiu. Levou com ele a pergunta cuja resposta nunca saber\u00e1. \u201cO que teria acontecido se eu tivesse interferido?\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1567\" aria-describedby=\"caption-attachment-1567\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1567 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-1024x681.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"681\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-1536x1021.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/GregMarinovich_Soweto-2048x1361.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-1567\" class=\"wp-caption-text\">Greg Marinovich; linchamento no Soweto; Pr\u00e9mio Pulitzer 1991<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>IRAQUE<\/strong><\/span><\/p>\n<p>No per\u00edodo da p\u00f3s-interven\u00e7\u00e3o americana no Iraque (2006-2010), eclodiu uma guerra civil no pa\u00eds, com insurgentes xiitas a rebelarem-se contra as recentemente estabelecidas for\u00e7as iraquianas e as for\u00e7as da coliga\u00e7\u00e3o ocidental. Jo\u00e3o esteve l\u00e1. E cobriu o conflito em ambos os lados da barricada. Relembra uma foto que tirou a um <em>sniper<\/em> xiita, oculto numa divis\u00e3o de um pr\u00e9dio em ru\u00ednas. \u201cPoucos minutos ap\u00f3s a foto, aquele quarto deixou de existir\u201d, revela. Denunciada a posi\u00e7\u00e3o, o ex\u00e9rcito americano respondeu com um tiro de bazuca. \u201cFoi com uma At-4. Felizmente, descemos a tempo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1573 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0064-2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>J\u00e1 \u2018<em>embedded\u2019<\/em> num pelot\u00e3o de <em>marines<\/em> americanos, durante uma ronda na prov\u00edncia de Anbar, foi obrigado pelo oficial respons\u00e1vel a permanecer no carro, para sua pr\u00f3pria seguran\u00e7a. Jo\u00e3o n\u00e3o achou piada \u00e0 ideia, mas o oficial foi irredut\u00edvel. A meio do percurso, ouviram-se tiros. \u201cStay here!\u201d, vociferou o militar \u2013 que tamb\u00e9m era o m\u00e9dico da unidade \u2013 antes de abandonar a viatura. Quando regressou, Jo\u00e3o expressou-lhe a sua frustra\u00e7\u00e3o. \u201cEstou aqui para trabalhar, se n\u00e3o me deixam, vou acompanhar outra unidade\u201d, gritou. O oficial limitou-se a levantar a m\u00e3o, de forma quase dram\u00e1tica, com um peda\u00e7o de metal na ponta dos dedos. \u201cEsta vai ser a melhor foto que vais tirar hoje\u201d. Era uma bala de calibre 7.62mm, que tinha atravessado o capacete blindado com <em>kevlar<\/em> de um soldado de 19 anos, ferindo-o gravemente. \u201cA foto acabou por fazer capa no New York Times\u201d, afirma Jo\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1571 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0071-2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nesse mesmo ano, no dia de Halloween, Jo\u00e3o da Silva esteve em Al-Karmah, povoa\u00e7\u00e3o no centro do Iraque, cujo nome se traduz \u201ckarma\u201d. Acompanhava uma patrulha de <em>marines<\/em> numa estrada enlameada, quando o zunido de um tiro o levou, instintivamente, ao ch\u00e3o. A bala alojou-se no torso de um dos soldados americanos, que tombou alguns metros a frente. Um sargento (Jesse E. Leach) agarrou o ferido e arrastou-o pela lama at\u00e9 um campo de canaviais, onde ele pode ser assistido em seguran\u00e7a. Jo\u00e3o capturou todos esses momentos. O soldado sobreviveu, o sargento foi condecorado e a fotografia de Jo\u00e3o foi finalista de um Pulitzer e vencedora do World Press Photo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1574 size-large aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/Iraq_003-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>THE NEW YORK TIMES<\/strong><\/span><\/p>\n<p>Por vezes, o talento n\u00e3o basta. \u00c9 preciso ali\u00e1-lo \u00e0 sorte de poder trabalhar numa publica\u00e7\u00e3o que oferece aos seus profissionais todas as condi\u00e7\u00f5es. \u00c9 o caso do di\u00e1rio secular americano. \u201cD\u00e3o-nos dois meses de trabalho de campo para cada reportagem de cinco mil palavras. Temos tempo e temos budget para fazer algo em condi\u00e7\u00f5es\u201d. A equipa \u00e9 geralmente constitu\u00edda por tr\u00eas elementos. \u201cO correspondente, que \u00e9 que descobre a hist\u00f3ria, eu para fazer a imagem e um guia local para organizar toda a log\u00edstica\u201d. O grande desafio, na sua opini\u00e3o, \u201c\u00e9 descobrir se a hist\u00f3ria que tens na cabe\u00e7a \u00e9 real, se compensa o jornal enviar-te para ires em busca dela\u201d. Depois, no terreno, \u00e9 a voca\u00e7\u00e3o a assumir as r\u00e9deas. \u201cUm profissional constr\u00f3i uma narrativa do princ\u00edpio ao fim. Essa \u00e9 a grande diferen\u00e7a\u201d.<br \/>\nNo fotojornalismo &#8211; tal como noutras \u00e1reas &#8211; a abund\u00e2ncia de mat\u00e9ria-prima \u00e9 prof\u00edcua. Mas desengane-se quem pensa que Jo\u00e3o lida bem com esse facto. \u201cA coisa que mais odeio \u00e9 escolher fotos. Agora com o digital ent\u00e3o, \u00e9 terr\u00edvel\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>AFEGANIST\u00c3O<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cAdoro este pa\u00eds. Vejo-o quase como b\u00edblico e, ao mesmo tempo, b\u00e9lico\u201d. As palavras de Jo\u00e3o s\u00e3o duplamente ir\u00f3nicas. A estadia no Afeganist\u00e3o revelar-se-ia fat\u00eddica para o fotojornalista. Mas, no in\u00edcio, sentia-se espantado com a quantidade de artilharia antiga que decorava as aldeias, desde misseis a tanques, vest\u00edgios de 10 anos de ocupa\u00e7\u00e3o sovi\u00e9tica. Viveu l\u00e1 situa\u00e7\u00f5es que nunca esquecer\u00e1. Como o dia de Natal de 2011, que passou a ajudar um afeg\u00e3o a procurar os filhos debaixo dos escombros do que at\u00e9 aquele dia fora a sua casa. \u201cN\u00e3o sou talib\u00e3, n\u00e3o sei porque me fizeram isto\u201d, lamentava. Jo\u00e3o estava habituado \u00e0 amarga realidade dos danos colaterais. \u201cS\u00e3o os inocentes que mais sofrem com as guerras\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1572 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/IMG_0076-2-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Noutra situa\u00e7\u00e3o, viu-se debaixo de fogo de um helic\u00f3ptero americano que estava a bombardear uma aldeia com bombas de fragmenta\u00e7\u00e3o. Procurou abrigo com alguns afeg\u00e3os numa velha casa t\u00e9rrea. \u201cO telhado at\u00e9 ondulava com as explos\u00f5es\u201d. De repente, sentiu picadas fortes no corpo. Uma, duas, tr\u00eas, in\u00fameras. Eram vespas, cujo ninho tinha ca\u00eddo das telhas. \u201cCaga nisto, vamos sair daqui!\u201d, afirmou sem hesitar. Enfrentou as explos\u00f5es na rua, mas a sorte protege-o nesse dia.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m esteve ao seu lado no 23 de Outubro de 2010. Apesar de tudo o que aconteceu nesse dia.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o saiu do hotel \u00e0s cinco da manh\u00e3. Entrou no jipe da patrulha americana e arrancou para os arredores de Kandahar, j\u00e1 pr\u00f3ximo da fronteira com o Paquist\u00e3o. Quando chegou ao local, Jo\u00e3o deixou os dois soldados seguirem \u00e0 sua frente. Um deles levava um detetor de minas, pareceu-lhe uma op\u00e7\u00e3o mais prudente. A terra era \u00e1rida e seca, por vezes estalava sob as botas. Mas num dos passos, Jo\u00e3o ouviu um som diferente. \u201cUm click\u201d. O estrondo foi acompanhado por uma \u201csensa\u00e7\u00e3o de choque el\u00e9trico\u201d. J\u00e1 prostrado no ch\u00e3o, a \u00fanica dor que Jo\u00e3o sentiu foi quando ergueu o bra\u00e7o com a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica e tentou captar o que lhe tinha acontecido. \u201cTinha um buraco no antebra\u00e7o, via-se o osso\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/013-20101130-TT-Showcase-Joao.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1569 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/013-20101130-TT-Showcase-Joao.jpg\" alt=\"\" width=\"820\" height=\"410\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/013-20101130-TT-Showcase-Joao.jpg 1000w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/013-20101130-TT-Showcase-Joao-300x150.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/013-20101130-TT-Showcase-Joao-768x384.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 820px) 100vw, 820px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Perante o alvoro\u00e7o agoniado com que os soldados manuseavam torniquetes, Jo\u00e3o pediu o telefone sat\u00e9lite. Ligou para a mulher. Eram sete da manh\u00e3 em Joanesburgo. \u201cSou eu, perdi as minhas pernas, mas acho que vou viver\u201d. Desligou e acendeu um cigarro. \u201cQueria que ela ouvisse por mim e n\u00e3o por uma voz estranha\u201d. J\u00e1 esva\u00eddo de adrenalina, perdeu os sentidos no helic\u00f3ptero.<\/p>\n<p>Acordou num hospital alem\u00e3o. Foi l\u00e1 que soube que, apesar de tudo, tivera imensa sorte. Havia uma segunda mina, com uma carga explosiva muito superior, mesmo ao lado da que tinha pisado. \u201cSe tivesse sido essa, n\u00e3o havia suficiente de mim para encher uma caixa de f\u00f3sforos, disse-me um tipo da brigada anti-minas\u201d.<br \/>\nA batalha da recupera\u00e7\u00e3o foi dura. \u201cN\u00e3o foram s\u00f3 as pernas, a minha uretra, o meu canal rectal, tudo explodiu. Tudo teve de ser reconstru\u00eddo, perante infe\u00e7\u00f5es constantes. As bact\u00e9rias eram o pior inimigo\u201d.<br \/>\nDois anos e 73 opera\u00e7\u00f5es depois, Jo\u00e3o estava recuperado.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, duas pr\u00f3teses permitem-lhe andar, com o aux\u00edlio de uma bengala.\u00a0 E n\u00e3o s\u00f3. Jo\u00e3o j\u00e1 fez a maratona de Nova Iorque de bicicleta, j\u00e1 se riu do filme The Bang Bang Club \u2013 \u201cA narrativa est\u00e1 cheia de tretas\u201d \u2013 e conduz a sua Harley-Davidson pelas ruas de Johannesburg, onde vive e trabalha como fotojornalista. S\u00f3 n\u00e3o faz jornalismo de guerra. \u201cUma passagem pelo Inferno \u00e9 suficiente\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h6>Cr\u00e9ditos da imagem de capa: Martin Henrik<\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Um grupo de quatro fotojornalistas cobriu os violentos conflitos no p\u00f3s-appartheid da \u00c1frica-do-Sul. Destacavam-se dos outros pois acompanhavam a viol\u00eancia lado a lado. Kevin Carter, Greg Marinovich, Ken Oosterbroek e Jo\u00e3o Silva. Foram apelidados de \u201cBang Bang Club\u201d e as suas fa\u00e7anhas inspiraram livros, document\u00e1rios e at\u00e9 um filme de Hollywood. Um deles \u00e9 portugu\u00eas e a paix\u00e3o pela profiss\u00e3o quase lhe custou a vida. Estive com ele e ouvi as suas hist\u00f3rias.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1580,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[87],"class_list":["post-1562","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita","tag-cronicas-de-guerra"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>JO\u00c3O SILVA: CONFISS\u00d5ES DE UM MEMBRO DO BANG-BANG CLUB<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Quatro fotojornalistas cobriram a guerra na \u00c1frica-do-Sul. 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