{"id":1592,"date":"2020-03-03T22:34:19","date_gmt":"2020-03-03T22:34:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1592"},"modified":"2020-03-03T22:34:19","modified_gmt":"2020-03-03T22:34:19","slug":"morte-e-verdade-a-preto-e-branco","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/morte-e-verdade-a-preto-e-branco\/","title":{"rendered":"MORTE E VERDADE A PRETO E BRANCO"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">N<\/span>uma noite fria do derradeiro m\u00eas de 1991, falava-se de guerra numa mesa de caf\u00e9, perdida algures no centro de Zagrebe. O tema estendia-se a toda a rec\u00e9m-criada Cro\u00e1cia e n\u00e3o era excep\u00e7\u00e3o entre o grupo de jornalistas sentados no canto do bar.<br \/>\nEram profissionais de \u00e1reas diferentes \u2013 imprensa, televis\u00e3o, r\u00e1dio \u2013 mas, por entre canecas de caf\u00e9 quente e copos de cerveja, partilhavam uma \u00fanica inquieta\u00e7\u00e3o: \u201cComo \u00e9 poss\u00edvel que estejam a ser cometidos crimes de guerra neste preciso momento, a menos de 100 quil\u00f3metros desta mesa, que todo um pa\u00eds fale sobre a dimens\u00e3o da trag\u00e9dia, sobre a quantidade de pessoas que est\u00e1 a morrer e n\u00e3o haja uma \u00fanica imagem, uma prova visual e documental do que est\u00e1 a acontecer?\u201d.<\/p>\n<p>Passavam tr\u00eas semanas desde o massacre de Vukovar, onde centenas de croatas foram executados por mil\u00edcias s\u00e9rvias. O grupo estava irrequieto, exasperado at\u00e9, com a asfixia medi\u00e1tica. Os locais onde a trag\u00e9dia se desenrolava estavam localizados em territ\u00f3rio ocupado pelo inimigo. N\u00e3o havia acesso poss\u00edvel.<br \/>\nAt\u00e9 que um dos jornalistas, calmamente, sorveu um \u00faltimo gole de caf\u00e9 e disse: \u201cAmanh\u00e3 vou arranjar as fotografias!\u201d Todo o grupo se riu. Mas Zoran Filipovic n\u00e3o estava a brincar.<\/p>\n<p>Nessa mesma madrugada, o fotojornalista croata arrancou. \u201cSentei-me no carro e conduzi noite fora at\u00e9 essa fronteira de sangue\u201d. Rodou quase uma centena de quil\u00f3metros at\u00e9 Petrinja, na Cro\u00e1cia central. Escondeu a c\u00e2mara nas cal\u00e7as e as objectivas nos bolsos. \u201cPretendia passar por um lun\u00e1tico perdido que, sem o saber, atravessa uma zona de guerra\u201d.<br \/>\nA povoa\u00e7\u00e3o estava toda queimada e destru\u00edda. Paredes destro\u00e7adas, cad\u00e1veres \u00e0s portas das casas, na relva, na estrada. E Zoran Filipovic, aos 32 anos de idade, jornalista de uma revista local de Zagrebe, caminhava solit\u00e1rio pelo meio da devasta\u00e7\u00e3o. \u201cApenas caminhei, como se fosse uma caminhada de lazer. Foi assim que entrei no inferno\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1595 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991-1024x692.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/petrinja1991.jpg 1377w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>De tempo a tempo, assombrava-o a sensa\u00e7\u00e3o de estar a ser observado. Por momentos pensou que ia ser baleado por um sniper. Mas nada aconteceu. \u201cContinuei a palmilhar cada cent\u00edmetro daquele cen\u00e1rio de devasta\u00e7\u00e3o, devagarinho, sem press\u00e3o. Para eles era apenas um lun\u00e1tico a vaguear\u201d.<br \/>\nDissimuladamente, foi fotografando. Eram as primeiras imagens da guerra da Cro\u00e1cia. Nessa noite, eram transmitidas na televis\u00e3o croata como a prova dos crimes cometidos pela S\u00e9rvia. A trag\u00e9dia chegava ao olhar do mundo.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/08_Vukovar-e1579781326276-1024x687-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1597 size-full\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/08_Vukovar-e1579781326276-1024x687-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"687\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/08_Vukovar-e1579781326276-1024x687-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/08_Vukovar-e1579781326276-1024x687-1-300x201.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/08_Vukovar-e1579781326276-1024x687-1-768x515.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Nos anos seguintes, Zoran Filipovic iria cobrir todo o conflito dos Balc\u00e3s, em cidades como Vukovar, Dubrovnik, Vocin, Vinkovci, Sarajevo, Kutina, Petrinja, Mostar, Slatina. O seu trabalho tornou-se reconhecido internacionalmente e colaborou com publica\u00e7\u00f5es como a Le F\u00edgaro Magazine, Paris Match, Life, Die Zeit, GQ, Photo, entre muitas outras. Tornou-se colaborador da prestigiada ag\u00eancia fotogr\u00e1fica Magnum, onde adoptou o pseud\u00f3nimo \u201cZoro\u201d, pelo qual \u00e9 reconhecido pela grande maioria da comunidade do fotojornal\u00edstica.<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\"><br \/>\nA REVELA\u00c7\u00c3O DE UM FOTOJORNALISTA\u00a0<\/span><\/strong><\/p>\n<p>Tudo come\u00e7ou num concerto de rock. Em Julho de 1985, o concerto Live Aid, em Londres, monopolizava todas as aten\u00e7\u00f5es medi\u00e1ticas. Zoran meteu na cabe\u00e7a que ia fazer a sua cobertura fotogr\u00e1fica. Na altura, as acredita\u00e7\u00f5es jornal\u00edsticas eram feitas sob um r\u00edgido regime. A presen\u00e7a era permitida a apenas meia d\u00fazia de fot\u00f3grafos, todos oriundos de publica\u00e7\u00f5es de prest\u00edgio internacional.<br \/>\n\u201cEu era completamente an\u00f3nimo. Nem sequer trabalhava como jornalista nessa altura, era professor de fotografia numa escola em Zagrebe\u201d, recorda.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2491908-1024x682-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1599 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2491908-1024x682-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2491908-1024x682-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2491908-1024x682-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2491908-1024x682-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><br \/>\nMas o \u00edmpeto era forte demais. O jovem professor decidiu que ia estar l\u00e1. E ia cumprir a tarefa. \u00c9 robusta, a for\u00e7a de vontade de Zoran Filipovic. \u201cQuando decido fazer algo, ou morro ou fa\u00e7o\u201d.<br \/>\nO croata rumou a Londres. Bateu a imensas portas. Todos lhe perguntavam se tinha bilhetes. Zoran n\u00e3o tinha, estavam esgotados h\u00e1 muito. Retorquia: \u201cj\u00e1 que n\u00e3o h\u00e1 bilhete, deixem-me entrar sem bilhete\u201d. Quando lhe respondiam que n\u00e3o era poss\u00edvel facilitar a entrada sem bilhete, ele argumentava: \u201cMas eu gostava de comprar um bilhete\u201d. E manteve-se o di\u00e1logo, ad nauseam, \u201clike a wrong phonecall\u201d, refere, sorridente. A estrat\u00e9gia de vencer pelo cansa\u00e7o n\u00e3o funcionou. Zoran prosseguiu a batalha. Continuou na capital brit\u00e2nica, a vaguear e a bater \u00e0s portas. \u201cTelefonei at\u00e9 ao Harvey Goldsmith [um dos promotores do evento], e cheguei a abord\u00e1-lo pessoalmente\u201d.<\/p>\n<p>A persist\u00eancia tornou-o conhecido naqueles dois ou tr\u00eas dias. \u201cTodos conheciam o Zoran Filipovic, o gajo estranho sem bilhete a tentar infiltrar-se no Live Aid\u201d.<br \/>\nEntretanto, o dia do espect\u00e1culo chegou. Continuava sem qualquer resposta dos organizadores. Todos os porteiros e seguran\u00e7as do est\u00e1dio o conheciam. \u201cBati mesmo em todas as portas\u201d. O concerto j\u00e1 tinha come\u00e7ado, a m\u00fasica j\u00e1 se ouvia no exterior. \u201cUma for\u00e7a estranha apoderou-se de mim, tomei a decis\u00e3o: Vou entrar!\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312079-1024x684-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1598 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312079-1024x684-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312079-1024x684-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312079-1024x684-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312079-1024x684-1-768x513.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><br \/>\nNas imedia\u00e7\u00f5es do est\u00e1dio deambulavam v\u00e1rios candongueiros a vender bilhetes falsos. \u201cNingu\u00e9m lhes comprou, pois toda a gente sabia que os bilhetes eram fajutos\u201d. Num \u00faltimo impulso, Zoran dirigiu-se a eles e entregou algumas libras. \u201cJ\u00e1 nem me lembro quanto paguei. Os seguran\u00e7as viram-me a comprar o bilhete falso. Mas eu ia t\u00e3o determinado em direc\u00e7\u00e3o ao port\u00e3o principal, que ningu\u00e9m teve a coragem de me impedir. Abriu-se um corredor humano, que atravessei, sem olhar para tr\u00e1s\u201d.<br \/>\nJuntamente com a sua velhinha Canon A-1, Zoran Filipovic subiu ao palco, lado a lado com os fot\u00f3grafos prestigiados, oficialmente acreditados. Nem deu por eles. \u201cRespeitava-os, mas n\u00e3o queria saber. Apenas me interessava usufruir do momento e fazer aquele trabalho\u201d.<br \/>\nE disparo a disparo, Zoran venceu a batalha.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-1010715-1024x682-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1600 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-1010715-1024x682-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-1010715-1024x682-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-1010715-1024x682-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-1010715-1024x682-1-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-8636492-1024x670-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1601 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-8636492-1024x670-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-8636492-1024x670-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-8636492-1024x670-1-300x196.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-8636492-1024x670-1-768x503.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312072-1024x794-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1602 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312072-1024x794-1.jpg\" alt=\"\" width=\"801\" height=\"621\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312072-1024x794-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312072-1024x794-1-300x233.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/PA-2312072-1024x794-1-768x596.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px\" \/><\/a><br \/>\nNo dia seguinte, foi inundado com telefonemas de colegas, curiosos por saber o que ele ia fazer com as fotografias. As not\u00edcias do seu feito tinham chegado a Zagrev. 24 Horas depois, chegaram aos quatro cantos do mundo, de onde choveram propostas. \u201cAt\u00e9 a Reuters se meteu na corrida\u201d, relembra. Mas as ofertas das publica\u00e7\u00f5es e ag\u00eancias de prest\u00edgio foram sendo sucessivamente recusadas. E quando muitos j\u00e1 pensavam que se tratava de uma estrat\u00e9gia negocial, eis que Zoran Filipovic espantou tudo e todos ao publicar as fotografias na revista Start, uma publica\u00e7\u00e3o local de Zagrebe. \u201cFoi uma decis\u00e3o louca, mas assim foi. Senti que o devia \u00e0 comunidade local\u201d. E assim come\u00e7ou a sua carreira como fotojornalista. Tinha 26 anos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">A GUERRA ATRAV\u00c9S DA LENTE<\/span><\/strong><\/p>\n<p>\u201cNunca quis ser um fotojornalista de guerra. Simplesmente aconteceu\u201d, diz-me, antes de levar o copo de cerveja aos l\u00e1bios. Conhecemo-nos num concurso de fotografia no Porto, onde ele fez parte do j\u00fari. Hoje, partilhamos cervejas numa esplanada da cidade e falamos sobre jornalismo de guerra. \u201cGuerra\u2026 a guerra entrou nas nossas vidas sem pedir permiss\u00e3o. Decidi fazer o que eu fazia melhor: fotografar. Se somos for\u00e7ados a participar numa trag\u00e9dia, deve-se tentar retirar algo de bom desse mal. Tentar virar a situa\u00e7\u00e3o para benef\u00edcio da humanidade, da verdade, nem que isso significasse a morte\u201d.<br \/>\nDesde ent\u00e3o, passaram v\u00e1rios anos desde que a sua objectiva olhou de frente para um confronto b\u00e9lico. Durante esse per\u00edodo, convites n\u00e3o faltaram: \u201cAfeganist\u00e3o, Iraque\u201d. Mas Zoro recusou sempre. \u201cN\u00e3o era a minha guerra. N\u00e3o perdi fam\u00edlia com essa guerra. O meu testemunho n\u00e3o seria t\u00e3o forte, t\u00e3o genu\u00edno\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1603 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991-1024x692.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/slatina1991.jpg 1377w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>S\u00e3o muitas as mem\u00f3rias e experi\u00eancias dos anos de saco nas costas e c\u00e2mara na m\u00e3o, a registar a trag\u00e9dia.<br \/>\nZoro ainda recorda, vividamente, o americano que lhe apareceu em Zagrebe a pedir ajuda. Queria fotografar a guerra. \u201cPerguntei-lhe se estava preparado. At\u00e9 mesmo para morrer\u201d. O americano respondeu com um sonoro e l\u00f3gico \u201csim\u201d, que vinha do Born\u00e9u, onde tinha fotografado vida selvagem. Porque n\u00e3o haveria de conseguir fazer isto? \u201cEstava a fingir-se duro. Limitei-me a olhar para ele e dizer \u2013 ok, eu vou mostrar-te a guerra\u201d. E rumaram a Nustar, uma pequena povoa\u00e7\u00e3o, a oeste de Vukovar. Quando l\u00e1 chegaram, durante a travessia de uma \u201czona de ningu\u00e9m\u201d, Zoro deixou bem claro que o americano deveria seguir meticulosamente todos os seus passos. Este n\u00e3o gostou e replicou: \u201cPorque raio preciso de fazer isso?\u201d. Zoro dirigiu-se a ele: \u201cPor causa desta mina, desta mina, daquela mina&#8230;\u201d, disse, apontando em todas as direc\u00e7\u00f5es, a cent\u00edmetros em redor do rep\u00f3rter. \u201cFicou gelado de medo. A guerra acabou para ele\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1611 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991-1024x694.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"694\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991-1024x694.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991-768x521.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/11-dubrovnik-1991.jpg 1372w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Relembra tamb\u00e9m um amigo, enfermeiro num hospital de Vukovar, que lhe suplicou que levasse os dois filhos pequenos para fora da zona de conflito. \u201cDeus vai proteger-me. Mas leva-os por favor\u201d. Zoro levou as crian\u00e7as pelo \u00fanico percurso poss\u00edvel, entre um campo de milho repleto de minas. N\u00e3o se viam, mas ouviam-se terr\u00edveis explos\u00f5es em redor. Naquela caminhada pela vida, nem todos davam o passo certo. Nesse mesmo dia, o pai das crian\u00e7as seria uma das centenas de civis executados no Hospital de Vukovar pelas mil\u00edcias s\u00e9rvias.<br \/>\nEm 2007, Zoro reencontrou o mi\u00fado mais jovem, Igor Handic, na altura com \u201cvinte e tal anos\u201d, casado e com dois filhos. \u201cTrabalha no hospital onde o pai morreu\u201d.<\/p>\n<p>Ou at\u00e9 a recorda\u00e7\u00e3o da passagem de ano mais triste da sua vida, 31 de Dezembro de 1991. Nesse dia, tirou uma das suas fotos mais marcantes, na destru\u00edda cidade de Vinkovci, onde uma idosa vagueia sobre a neve, ao lado de um candeeiro de rua derrubado. \u201cEla vinha perdida em sofrimento. Parecia o \u00faltimo dia da vida dela, da civiliza\u00e7\u00e3o. O dia do ju\u00edzo final, como se fosse a \u00faltima mulher do planeta. Nem deu por n\u00f3s\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1596 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991-688x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"744\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991-688x1024.jpg 688w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991-202x300.jpg 202w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991-768x1142.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/15-vinkovci-1991.jpg 925w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Como \u00e9 a vis\u00e3o da guerra e da trag\u00e9dia atrav\u00e9s da lente? Zoro faz uma pausa antes de responder. Chama o empregado do bar e pede mais duas cervejas. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil, Victor!\u201d. Vira-se para mim, olha-me nos olhos. \u201cN\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil ver algu\u00e9m a lutar pela sobreviv\u00eancia e tirar a c\u00e2mara do saco e fotografar. Roubar essa mis\u00e9ria deles\u201d.<br \/>\nMas Zoro descobriu a melhor forma de o fazer. Fruto disso, \u00e9 convidado frequentemente por universidades para dar palestras e municiar cursos sobre a sua metodologia e ideologia jornal\u00edstica: \u201cTer sensibilidade, compaix\u00e3o e acima de tudo respeito\u201d.<br \/>\nNos seus cursos, Zoro incita jovens estudantes de jornalismo a se tornarem parte da hist\u00f3ria, a se meterem na pele daqueles que v\u00e3o fotografar. \u201cRecentemente, encorajei alunos do M\u00e9xico a visitarem algumas zonas humildes e problem\u00e1ticas da Am\u00e9rica Latina, dia ap\u00f3s dia, sem c\u00e2mara. Ambientarem-se, darem-se a conhecer, falar com as fontes e ganhar o seu respeito e confian\u00e7a. E, apenas depois, pedir permiss\u00e3o para tirar as fotos. Ningu\u00e9m recusou ser fotografado. Fizeram um excelente trabalho\u201d.<br \/>\nSegundo Zoro, sem essa prepara\u00e7\u00e3o, o fotojornalista \u00e9 apenas \u201cum turista na trag\u00e9dia de outrem\u201d, que apenas \u201carranha a superf\u00edcie, sem nunca tirar fotos verdadeiramente fortes, do interior do motivo\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro.png\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1604 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro-1024x661.png\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"661\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro-1024x661.png 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro-300x194.png 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro-768x496.png 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/camara-seraievo-1993-zoro.png 1028w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Zoro garante que n\u00e3o \u00e9 a coragem, o instinto, a t\u00e9cnica ou o equipamento que fazem um bom fotojornalista. \u201cQualquer um pode ser doido, qualquer um pode comprar uma boa c\u00e2mara e equipamento sofisticado. \u00c9 apenas uma ferramenta. Se n\u00e3o tens cora\u00e7\u00e3o, compaix\u00e3o ou sensibilidade, n\u00e3o tens nada\u201d. Para ele, o \u201crespeito\u201d \u00e9 a caracter\u00edstica n\u00famero um do bom profissional.<\/p>\n<p>Garante que j\u00e1 viu muitos fot\u00f3grafos a correr \u201ccomo loucos\u201d para as frentes de guerra. A escavar por sensacionalismo, a lutar pelo exclusivo, a calcular quanto dinheiro as fotos v\u00e3o render. \u201cAlguns chegam a pagar a soldados para matar, para dispararem os canh\u00f5es contra uma casa espec\u00edfica, adequada ao enquadramento de uma boa foto. Eu testemunhei isso\u201d.<br \/>\nMuitos morrem nas frentes de batalha. \u201c\u00c9 esse o pre\u00e7o a pagar quando n\u00e3o se respeita\u201d, afirma Zoro. Assegura que nunca arrisca a vida por nada: \u201cCada passo que dou na zona de frente tem um prop\u00f3sito. Nunca penso no dinheiro. Estou l\u00e1 porque sinto que \u00e9 a minha forma de lutar, de ajudar\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/03_Brest_Pokupski-e1579781175282-1024x692-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1606 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/03_Brest_Pokupski-e1579781175282-1024x692-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/03_Brest_Pokupski-e1579781175282-1024x692-1.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/03_Brest_Pokupski-e1579781175282-1024x692-1-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/03_Brest_Pokupski-e1579781175282-1024x692-1-768x519.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><br \/>\n<a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1608 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991-1024x692.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"692\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991-1024x692.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991-300x203.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991-768x519.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/02\/kutina1991.jpg 1377w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><br \/>\n\u00c9 o \u00fanico meio que encontra para \u201cpressionar ou sensibilizar\u201d os governos envolvidos, ou at\u00e9 os \u201csenhores importantes\u201d de Bruxelas e Washington. \u201cAqueles que, no fundo, podem travar a guerra, qualquer guerra, com um \u00fanico telefonema. Mas geralmente ignoram o telefone, tentam ignorar tudo\u201d. Zoro debru\u00e7a o olhar sobre o rio Douro, em sil\u00eancio, em busca de uma resposta que lhe parece escapar \u00e0 mem\u00f3ria. Faz um gesto brusco com o rosto, como que despertado por uma reminisc\u00eancia. Apoia os cotovelos na mesa, aproxima-se, olhos abertos, determinados. \u201cEnt\u00e3o tenho essa ideologia, Victor. Essa no\u00e7\u00e3o rom\u00e2ntica que se mostrar essas fotos das trag\u00e9dias ao mundo, talvez eles deixem de fazer de conta que n\u00e3o sabiam\u201d. Mais um gole na cerveja. \u201cNo fundo, eu queria for\u00e7\u00e1-los a saber\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Foi o primeiro fotojornalista a mostrar ao mundo a guerra entre a Cro\u00e1cia e a S\u00e9rvia. Caminhou por entre campos de minas, cad\u00e1veres e destro\u00e7os de na\u00e7\u00f5es \u00e0 deriva. Quis imortalizar as atrocidades da guerra. 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