{"id":1639,"date":"2020-03-08T15:36:27","date_gmt":"2020-03-08T15:36:27","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1639"},"modified":"2020-03-12T00:30:19","modified_gmt":"2020-03-12T00:30:19","slug":"paulicea-a-mansao-assombrada-da-minha-infancia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/paulicea-a-mansao-assombrada-da-minha-infancia\/","title":{"rendered":"PAULICEA: A MANS\u00c3O ASSOMBRADA DA MINHA INF\u00c2NCIA"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">H<\/span>\u00e1 fasc\u00ednios que n\u00e3o se explicam. Existem e permanecem dentro de n\u00f3s em sil\u00eancio. Talvez se fa\u00e7am sentir de outras formas, misteriosas e intensas, como o feixe de luz que rasga o nevoeiro e nos indica o rumo a terra. Uma terra cujo nome desconhecemos, mas onde sabemos que queremos desembarcar. Eu naveguei 27 anos. Um quarto de s\u00e9culo a ignorar o farol. At\u00e9 que num entardecer espont\u00e2neo de Ver\u00e3o, algo me disse que tinha chegado a hora. Eram 19:35 de Agosto, ainda era de dia. L\u00e1 n\u00e3o. Era de noite l\u00e1 dentro. Mas a luz continuou a guiar-me. Cautelosamente, apontei a lanterna para os buracos no assoalho com 100 anos, que se queixou com um ranger que acompanharia todos os meus passos. Finalmente, tinha entrado na Mans\u00e3o que mais tinha assombrado e fascinado o meu imagin\u00e1rio infantil.<\/p>\n<p>Durante d\u00e9cadas a velha Quinta da Pauliceia despertou curiosidade em \u00c1gueda. Desde crian\u00e7a que me lembro dela abandonada. Devia ter uns 10 anos quando a vi pela primeira vez. Logo nesse dia surgiu o desejo de entrar l\u00e1 dentro, mas o medo n\u00e3o deixava. A sua fachada evocava a t\u00edpica mans\u00e3o assombrada dos filmes de terror. E acredito que muitas das hist\u00f3rias assustadoras que se contam sobre ela s\u00e3o inspiradas, precisamente, no seu aspeto, que consegue ser cativante e sombrio ao mesmo tempo e que estimula com facilidade a imagina\u00e7\u00e3o de todos os que est\u00e3o habituados a ver a sua silhueta imponente na baixa da cidade. No entanto, ao longo dos anos tamb\u00e9m ouvi outras hist\u00f3rias. Algumas com uma explica\u00e7\u00e3o l\u00f3gica. Outras, nem tanto. Este \u00e9 o meu testemunho de todos esses relatos que povoam o meu imagin\u00e1rio desde pequeno. O meu testemunho de uma casa que j\u00e1 n\u00e3o existe.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><strong>Hist\u00f3ria da Mans\u00e3o<\/strong> <\/span><\/h3>\n<p>A casa deve ter pouco mais de 100 anos. Foi constru\u00edda por uma fam\u00edlia aguedense que emigrou para o Brasil. Foi l\u00e1, em S\u00e3o Paulo, que nasceu Neca Carneiro (1907). Ainda crian\u00e7a, regressou a Portugal e \u00e0 sua terra natal. Ter\u00e1 passado a inf\u00e2ncia na casa, batizada com o nome de um munic\u00edpio de S\u00e3o Paulo: Paulicea. Perdeu v\u00e1rios familiares (todos os irm\u00e3os segundo consta) com a gripe pneum\u00f3nica de 1918. Reagiu \u00e0 contrariedade e tornou-se um cidad\u00e3o ilustre da cidade, tendo desempenhado um papel fundamental em diversos movimentos associativos de ordem desportiva, cultural e social: Colaborou na funda\u00e7\u00e3o dos Bombeiros (onde foi bombeiro e director), fundou o Recreio Desportivo de \u00c1gueda (onde foi jogador, treinador e director), colaborou na funda\u00e7\u00e3o do orfe\u00e3o de \u00c1gueda (onde foi m\u00fasico e director) e criou in\u00fameros ranchos folcl\u00f3ricos. Casou, mas nunca chegou a ter filhos, pois morreu aos 37 anos. Por motivos que desconhe\u00e7o, a vi\u00fava n\u00e3o conseguiu permanecer na casa e saiu de l\u00e1. Desde 1944 que n\u00e3o tenho informa\u00e7\u00f5es sobre os propriet\u00e1rios da casa. Fala-se que o seu abandono se tem perpetuado devido \u00e0 falta de entendimento de herdeiros, residentes no Brasil. Sei que em meados da d\u00e9cada de 70, quando os meus pais vieram para esta cidade, a casa j\u00e1 estava abandonada.<\/p>\n<h3><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1643 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"799\" height=\"533\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4532-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 799px) 100vw, 799px\" \/><\/a><\/h3>\n<h3><\/h3>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><strong>Hist\u00f3rias da Mans\u00e3o<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Em quantas noites, durante um caf\u00e9 ou uma cerveja num bar aguedense, o tema da Mans\u00e3o \u2013 cham\u00e1vamos-lhe \u201cA Mans\u00e3o\u201d \u2013 ter\u00e1 surgido na conversa? Perdi-lhes a conta. Se eu registasse aqui tudo o que j\u00e1 ouvi falar sobre ela durante todos estes anos, o texto seria intermin\u00e1vel. Vou apenas mencionar alguns casos que me foram contados em primeira m\u00e3o por quem passou pela experi\u00eancia, ou por pessoas que ouviram o relato directamente do(s) interveniente(s).<\/p>\n<p>Um antigo caseiro, que durante um curto per\u00edodo de tempo tomou conta de um anexo da casa, contou a um familiar meu que era comum ouvirem-se imensos ru\u00eddos noturnos estranhos. O mais arrepiante era o relinchar de cavalos, que surgia de repente a meio da noite e deixavam-no aterrorizado, pois h\u00e1 d\u00e9cadas que o edif\u00edcio das cavalari\u00e7as estava descativado e, consequentemente, n\u00e3o havia cavalos na propriedade.<br \/>\nEsse epis\u00f3dio do relinchar noturno \u00e9 reincidente. J\u00e1 ouvi relatos semelhantes mencionado por duas pessoas (que n\u00e3o se conhecem) e que visitaram o local em situa\u00e7\u00f5es diferentes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1648 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4539-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma conhecida contou-me que sentiu uma car\u00edcia no cabelo, quando seguia atr\u00e1s dos seus amigos (ou seja, supostamente, n\u00e3o tinha ningu\u00e9m atr\u00e1s dela), durante uma visita noturna \u00e0 casa. Embora se tenha assustado, por motivos que n\u00e3o sabe explicar, n\u00e3o interpretou a situa\u00e7\u00e3o de forma negativa.<\/p>\n<p>Um conhecido, enquanto percorria a zona exterior da casa durante a noite, afirma ter ouvido, distintamente, sons de piano provenientes do interior. Os dois amigos que o acompanhavam n\u00e3o ouviram nada, mas o grupo acabou por n\u00e3o entrar na casa por causa disso.<br \/>\nUm epis\u00f3dio que se correlaciona com o anterior: Um amigo diz que ouviu um som de um tiro que aparentava ser de uma ca\u00e7adeira durante a madrugada, enquanto explorava os \u201cjardins\u201d da casa. O som pareceu-lhe pr\u00f3ximo. Estava acompanhado por outra pessoa, que estava a tirar fotografias de longa-exposi\u00e7\u00e3o a cerca de 50 metros de dist\u00e2ncia e n\u00e3o ouviu nada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1660 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4127-2-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Uma amiga contou que conhece algu\u00e9m que visitou a casa antes desta ter sido vandalizada e esventrada de todo o seu recheio. Trouxe com ele uma carta manuscrita que encontrou l\u00e1 dentro. A partir desse momento, a pessoa ter\u00e1 come\u00e7ado a ter pesadelos recorrentes, a sentir \u201cmedo irracional\u201d e com uma intensa sensa\u00e7\u00e3o de sentir-se observado sempre que estava sozinho em casa. Relacionou tudo isso com a carta e t\u00ea-la-\u00e1 queimado. N\u00e3o surtiu o efeito desejado, essas sensa\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 continuaram, como chegaram a intensificar-se durante algum tempo. S\u00f3 v\u00e1rios meses depois \u00e9 que essas sensa\u00e7\u00f5es se ter\u00e3o desvanecido.<\/p>\n<p>Um amigo tem uma conhecida que n\u00e3o queria visitar a casa de noite, mas acabou por ser convencida a ir por um grupo de 6 ou 7 pessoas. Num dos quartos do andar de cima, afirma que viu um vulto que parecia estar \u201cim\u00f3vel\u201d numa extremidade do compartimento. Mais do que medo, ela sentiu um \u201csofrimento extremo\u201d, que a acompanhou durante toda essa noite.<\/p>\n<p>Uma amiga, enquanto explorava o andar de cima da casa de madrugada, na companhia de mais tr\u00eas pessoas, ouviu a express\u00e3o &#8220;vai-te embora&#8221;. N\u00e3o sabe explicar se ouviu de forma auditiva ou telep\u00e1tica. &#8220;Simplesmente ouvi. Era uma voz de homem&#8221;. N\u00e3o contou a ningu\u00e9m na altura. &#8220;N\u00e3o sabia se estava sugestionada, se era apenas a minha imagina\u00e7\u00e3o&#8221;.\u00a0 Minutos depois, enquanto exploravam um dos quartos, uma telha caiu a poucos cent\u00edmetros dela. Sentiu um arrepio gelado no corpo e insistiu com o grupo que se fossem imediatamente embora. S\u00f3 partilhou a sua experi\u00eancia com eles quando j\u00e1 estavam fora da casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1650 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4123-2-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De vez em quando ocorriam algumas interven\u00e7\u00f5es para desbastar a vegeta\u00e7\u00e3o e terraplanar algumas zonas do terreno, com recurso a uma pequena m\u00e1quina retroescavadora. Um amigo pr\u00f3ximo conhece o operador. Ele contou-lhe que quando se aproximou mais da casa com a m\u00e1quina, sentiu a dor de cabe\u00e7a mais intensa da sua vida, sendo que era muito raro padecer disso. \u201cContam-se pelos dedos de uma m\u00e3o as vezes que tive uma dor de cabe\u00e7a em toda a minha vida\u201d, disse-lhe. Acabou por ter de interromper a tarefa e abandonou o local, tendo-se recusado a terminar o trabalho, que foi conclu\u00eddo por um colega, posteriormente.<\/p>\n<p>Um conhecido disse-me que ele e uns amigos, numa noite de Halloween, foram para l\u00e1 \u201cdesenhar pentagramas, beber umas garrafas e fazer evoca\u00e7\u00f5es\u201d. Depois de o ter repreendido fortemente pelo vandalismo, disse-me que, a determinado momento, um deles ter\u00e1 levado uma lambada \u201cdo nada\u201d, quando \u2013 alegadamente \u2013 estava sozinho num dos cantos da um quarto.<br \/>\nDe todos os relatos anteriores, este parece ser o que tem a explica\u00e7\u00e3o menos misteriosa&#8230;<\/p>\n<p>Alguns relatos mais gen\u00e9ricos e comuns: sentir frio de forma s\u00fabita em certos compartimentos da casa, ouvir barulhos estranhos e avistar, a partir do exterior, vultos sombrios nas janelas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><span style=\"color: #808080;\"><strong>Fora da Mans\u00e3o<\/strong><\/span><\/h3>\n<p>Foram anos a ouvir relatos sobre a Mans\u00e3o. Muitos nitidamente hiperbolizados pelo entusiasmo com que eram contados, mas todos rechearam aquela casa \u2013 ironicamente cada vez mais esventrada \u2013 de folclore e tradi\u00e7\u00e3o oral.<\/p>\n<p>Tinha imensa vontade de l\u00e1 ir, mas nunca materializava essa inten\u00e7\u00e3o. O epis\u00f3dio que tinha ocorrido no in\u00edcio da adolesc\u00eancia, enquanto explorava uma outra casa com fama de ser assombrada na cidade (relatado <a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/uma-aventura-na-casa-assombrada-preludio\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>), n\u00e3o era o que me impedia. Estava bem ciente do que tinha corrido mal e de como o evitar. O obst\u00e1culo era sempre o mesmo. N\u00e3o queria ir l\u00e1 sozinho e fazia quest\u00e3o que fosse um grupo com, pelo menos, tr\u00eas elementos. Mas a aura da casa exercia um efeito que tinha o cond\u00e3o de gerar sempre falta de qu\u00f3rum quando se falava nisso.<\/p>\n<p>Por volta dos 16 anos, cheguei a ter tudo combinado para l\u00e1 ir durante uma madrugada com um grupo de seis amigos. Eu, o Alexandre, o Diogo, o Toz\u00e9, o Maom\u00e9 e o Fred. Mas um deles (que n\u00e3o vou identificar) amedrontou-se e esse sentimento acabou por contaminar a maioria do grupo. S\u00f3 um deles partilhava a minha vontade de manter o plano. Mas \u00e9ramos dois e as regras que eu pr\u00f3prio definira n\u00e3o autorizavam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1653 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4564-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Algum tempo depois fui estudar para outra cidade onde fiquei a viver muitos anos; e o plano ficou eternamente adiado. Mas, mesmo \u00e0 dist\u00e2ncia, o fasc\u00ednio pela Mans\u00e3o mantinha-se.<br \/>\nDurante um est\u00e1gio interno no jornal da universidade (UFP), fiz uma reportagem sobre as sensa\u00e7\u00f5es de <em>d\u00e9j\u00e0 vu<\/em> e resolvi ilustr\u00e1-la com uma fotografia da Mans\u00e3o. A minha editora \u2013 a \u201cGabi\u201d, como carinhosamente lhe cham\u00e1vamos \u2013 quando fez a revis\u00e3o do texto, aconselhou-me, empolgada, uma obra de BD intitulada \u201cSasmira\u201d, do autor franc\u00eas Laurent Vicomte, publicada em 1997 (I \u2013 O Apelo). A hist\u00f3ria, atmosf\u00e9rica e magnificamente ilustrada, envolvia tamb\u00e9m uma velha mans\u00e3o abandonada que, a determinada altura, \u00e9 explorada por um casal que trope\u00e7a num fen\u00f3meno paranormal.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1651 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7973-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Curiosamente, o tomo II s\u00f3 foi publicado 15 anos depois. Nunca o consegui arranjar em portugu\u00eas ou ingl\u00eas, nem o III e o IV, que encerrou a saga em 2018.<br \/>\nA aura da Mans\u00e3o aguedense era t\u00e3o afamada que at\u00e9 ter\u00e1 inspirado Ana Maria Magalh\u00e3es e Isabel Al\u00e7ada, autoras da famosa saga \u201cUma Aventura\u201d. Se tiverem o n\u00famero 38, \u201cUma Aventura na Casa Assombrada\u201d, espreitem a imagem da p\u00e1gina 211.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h3><strong><span style=\"color: #808080;\">Dentro da Mans\u00e3o<\/span><\/strong><\/h3>\n<p>\u201cMais uma rodada e vamos l\u00e1!\u201d. As cervejas n\u00e3o paravam de vir para a mesa. Estava de f\u00e9rias em \u00c1gueda e tinha dado um salto ao bar de um primo, o Pra\u00e7a P\u00fablica. Estavam v\u00e1rios amigos e primos na mesa. A determinada altura, algu\u00e9m tocou no assunto da Mans\u00e3o. Um amigo de inf\u00e2ncia relatou, naquele preciso momento, o epis\u00f3dio da retroescavadora. O tema rapidamente monopolizou a conversa. Era o dia 13 de Agosto, estava a 10 dias de fazer 37 anos. Resolvi dar a mim mesmo uma prenda antecipada. Lancei o desafio \u00e0 mesa. \u201cE se fossemos l\u00e1? Agora mesmo!\u201d. O amigo que tinha puxado o assunto respondeu de imediato: \u201cNem pensar\u201d. Um outro amigo de inf\u00e2ncia disse que n\u00e3o estava \u201cadequadamente vestido\u201d. Ap\u00f3s todos estes anos, a aura da casa continuava bem refulgente. \u201cLet\u2019s do it!\u201d, anu\u00edram os meus dois primos, Ricardo e Hor\u00e1cio. Estava composto o n\u00famero m\u00e1gico.<br \/>\n<em>(a descri\u00e7\u00e3o segue agora no presente)<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1652 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4573-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Numa das extremidades do terreno h\u00e1 uma torre fortificada. Antigamente, este era o ponto de acesso mais comum. Entrava-se por uma janela da torre, desciam-se as suas escadas em espiral e havia um carreiro que levava aos jardins das traseiras da casa. No entanto, essa torre est\u00e1 engolida pela vegeta\u00e7\u00e3o, ao ponto de quase passar despercebida.<br \/>\nAcabamos por entrar por outra zona, na parte de tr\u00e1s do terreno. \u00c0 medida que nos aproximamos da casa, sentimos a sua impon\u00eancia. A sua fachada frontal apala\u00e7ada \u00e9 mais avassaladora, mas a traseira \u00e9 ainda mais sombria. Sensivelmente a meio, h\u00e1 um vitral que antigamente devia banhar um quarto ou um sal\u00e3o com luz colorida pela manh\u00e3. Agora, s\u00f3 existem os ferros, com as suas formas contorcidas e vazias, apenas com escurid\u00e3o atr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1661 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4129-2-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1673 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4171-3-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma entrada muito estreita, quase coberta pela vegeta\u00e7\u00e3o. Assim como todas as janelas, por isso, nesse piso t\u00e9rreo, a escurid\u00e3o \u00e9 total. Retiro a lanterna da mochila \u2013 que num \u00e1pice tinha ido buscar a casa, juntamente com a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica e vestu\u00e1rio apropriado \u2013 mas antes de a ligar, surgem-me in\u00fameras emo\u00e7\u00f5es e pensamentos que, paradoxalmente, n\u00e3o deveriam caber nesse instante. Tantas vezes a dizer que havia um dia de vir c\u00e1. Tantas frases e verbos imperfeitos, condicionais, futuros. Olho para o bot\u00e3o, sorrio ao pression\u00e1-lo e dou o primeiro passo para dentro da Mans\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1662 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"802\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4330-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em todas as paredes h\u00e1 murais com motivos florais e pinturas lind\u00edssimas de zonas de \u00c1gueda, outras do que deduzo serem de Paulicea (Brasil) e at\u00e9 uma da Torre de Bel\u00e9m. Talvez ela (e a sua carga simb\u00f3lica) confortasse os pensamentos a esta fam\u00edlia quando sentiam saudades da p\u00e1tria, do outro lado do Atl\u00e2ntico.<br \/>\nInfelizmente, estas obras de arte est\u00e3o cheias de <em>graffitis<\/em> com mensagens absurdas. Fico a olhar para elas longos minutos, a imaginar a meticulosidade com que foram pintadas, o olhar paternal do artista durante cada pincelada, a alegria, talvez orgulho na sua express\u00e3o ao contemplar o resultado final.<br \/>\nD\u00f3i v\u00ea-las assim. \u00c9 um exerc\u00edcio \u00e1rduo, tentar sequer compreender a falta de sensibilidade desse tipo de mentalidade v\u00e2ndala. Qu\u00e3o v\u00e3s ser\u00e3o essas mentes, despidas de todo o tipo de empatia, consci\u00eancia, respeito e apre\u00e7o. O que estar\u00e1 na origem do puro prazer de cicatrizar o que \u00e9 belo?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-1675 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-scaled.jpg\" alt=\"\" width=\"802\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-scaled.jpg 2560w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4281-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Neste andar existe o que deduzo ter sido uma cozinha, alguns quartos e compartimentos mais ex\u00edguos, eventuais arrumos. A casa, infelizmente, est\u00e1 muito degradada e vandalizada. Est\u00e1 completamente nua por dentro. N\u00e3o tem m\u00f3veis, nem quadros, nem livros ou documentos, ou outros objetos que costumavam ser descritos por quem se aventurou aqui h\u00e1 15 ou 20 anos.<\/p>\n<p>Essa aus\u00eancia acaba por me despertar a imagina\u00e7\u00e3o. Em cada quarto vazio que entro, tento imaginar como estaria decorado, quem l\u00e1 dormia, que sonhos tinha, que preocupa\u00e7\u00f5es lhe passavam pela cabe\u00e7a quando se deitava com os olhos no teto, sumptuosamente ornamentado.<br \/>\nH\u00e1 uma larga escada de madeira que, andar a andar, percorre verticalmente as costas da casa, como uma coluna vertebral. Vamos subindo devagar, testando a solidez de cada degrau. Estes rangem ainda mais do que o assoalho, mas ainda n\u00e3o cederam \u00e0s mar\u00e9s do tempo. Durante a subida, descubro que afinal era ela a ser banhada pela luz dos vitrais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1656 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4184-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No primeiro andar, suponho que se localizavam as suites. Quartos enormes, com lambris de pinho trabalhado e portadas da altura dos tetos que se abriam para a vastid\u00e3o dos campos. No topo de uma das portas, uma tape\u00e7aria bordada em tons de bronze resistiu \u00e0 delapida\u00e7\u00e3o da Mans\u00e3o. Numa das extremidades, h\u00e1 um quarto mais pequeno, com uma janela abobadada com vista para as palmeiras do jardim. Seria o quarto predestinado \u00e0 crian\u00e7a que nunca chegou a nascer?<br \/>\nNo \u00faltimo andar, muito degradado pela chuva e pelo vento, as vistas s\u00e3o fant\u00e1sticas. H\u00e1 um sal\u00e3o com uma lareira, onde imaginei uma ostentosa biblioteca recheada de edi\u00e7\u00f5es com lombadas de couro, onde se lia e sonhava nos ser\u00f5es antigos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1655 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4258-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Durante toda essa explora\u00e7\u00e3o, talvez confortado pela luz natural que, embora escassa ainda estava presente, confesso que me esqueci que estava numa casa com uma reputa\u00e7\u00e3o t\u00e3o l\u00fagubre. Foi essa reputa\u00e7\u00e3o que teceu a teia que me envolveu durante anos e que me arrastou para l\u00e1, mas depois de estar l\u00e1 dentro, prevalece uma vontade de explorar e conhecer cada detalhe e tentar imaginar as hist\u00f3rias, viv\u00eancias e mem\u00f3rias que, de certa forma, continuam tatuadas no local.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1657 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"802\" height=\"535\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4272-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 802px) 100vw, 802px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Permanecemos na casa at\u00e9 cerca das 23:30. \u00c0 noite, o cen\u00e1rio transforma-se, a atmosfera da casa \u00e9 muito mais sombria, as correntes de ar provocam alguns arrepios e a sugest\u00e3o fala connosco num outro tom. E chegou a levantar um pouco a voz, quando estive num dos andares sozinho, a tentar, em v\u00e3o, tirar fotografias com o trip\u00e9. Mesmo nessa altura, n\u00e3o me senti desconfort\u00e1vel. O entusiasmo monopolizava os sentidos todos.<\/p>\n<p>Se pensei nos fantasmas, foi quando espreitei pela janela da \u201ctorre\u201d apala\u00e7ada no lado direito da casa, com o seu telhado c\u00f3nico de telhas verdes, que tanto fasc\u00ednio me despertava quando via a casa do exterior, dando-lhe um ar encantado e aristocr\u00e1tico.<br \/>\nEstava uma aragem agrad\u00e1vel, misturada com sil\u00eancio e tranquilidade. Se o esp\u00edrito de uma das pessoas que construiu e viveu nesta casa, uma das mais ricas, inacess\u00edveis, invejadas casas da cidade, ainda deambulasse por c\u00e1, o que sentiria ao testemunh\u00e1-la no seu estado presente, t\u00e3o degradada que at\u00e9 \u00e9 rejeitada pelos sem-abrigo? Incredulidade? Revolta? Desgosto? Ou ser\u00e1 que ainda a conseguia \u201cver\u201d como era antigamente?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1667 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4187-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Surgem mais interroga\u00e7\u00f5es. O que pensaria este fantasma de um visitante? Ser\u00e1 a presen\u00e7a de quem vem com respeito pela casa, para a conhecer e admirar, sem o mau-intuito de a vandalizar, mais tolerada? Ou ser\u00e3o todos considerados intrusos indesejados?<\/p>\n<p>Na altura ainda n\u00e3o sabia, mas anos mais tarde iria conhecer um caseiro que chegou a viver no andar de baixo da casa, j\u00e1 no seu per\u00edodo de decl\u00ednio, quase duas d\u00e9cadas depois desta ter permanecido vazia, mas com imenso do seu recheio intacto. Foi uma conversa muito desmistificadora. Sim, muitas vezes ouvia ru\u00eddos estranhos \u00e0 noite, mas relacionava-os com os canos velhos da canaliza\u00e7\u00e3o ou com a madeira antiga que rangia e at\u00e9 estalava. Sim, sentia alguns compartimentos da casa mais frios do que outros, mas era uma casa com 100 anos e com alguns quartos com portadas e janelas enormes. \u201cNa altura n\u00e3o havia vidros duplos\u201d, dizia, sorridente. De resto, nunca viu nada que tenha relacionado com o sobrenatural.<\/p>\n<p>\u201cMas sei que muita gente de \u00c1gueda viu\u201d, afirmou, a rir. Contou-me que um outro caseiro, que tamb\u00e9m ocupava parte da casa e um anexo, espalhava esses rumores pela povoa\u00e7\u00e3o, de forma a manter \u201ccuriosos e ladr\u00f5es\u201d afastados da casa. \u201cVeja l\u00e1 que at\u00e9 houve pessoas que meteram na cabe\u00e7a que havia passagens subterr\u00e2neas nos jardins para tesouros e andaram por aqui a escavar de noite\u201d. Por isso, o caseiro criativo chegou a intensificar a estrat\u00e9gia. Certas noites, envolvia-se com um len\u00e7ol branco e ia para uma das janelas do andar de cima da casa, deixando o manto fantasmag\u00f3rico flutuar alguns instantes ao sabor do vento, para que este o levasse at\u00e9 olhares apavorados. A mesma janela onde me encontro neste preciso momento.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1649 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"500\" height=\"750\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-1024x1536.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-1365x2048.jpg 1365w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_4549-scaled.jpg 1707w\" sizes=\"auto, (max-width: 500px) 100vw, 500px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Afastei-me da Paulicea com um sorriso do tamanho do mundo. N\u00e3o experienciei nada de sobrenatural, mas senti que tinha sido emocionante e, sobretudo, importante l\u00e1 ir. Mais cedo ou mais tarde, aquela casa iria cair. E quando a poeira dessa queda assentasse e o ar se tornasse respir\u00e1vel, talvez permanecessem pequenas part\u00edculas de amargura sugadas a cada inspira\u00e7\u00e3o; por nunca l\u00e1 ter entrado, explorado os seus recantos e saciado a curiosidade e o pequeno sonho de crian\u00e7a que h\u00e1 25 anos me acompanhava.<\/p>\n<p>Ainda l\u00e1 voltei nesse mesmo ano, num momento igualmente espont\u00e2neo ap\u00f3s uma festa de Halloween, \u00e0s cinco da madrugada, com um grupo de cinco. Eu e o Hor\u00e1cio (repetentes), mais a Teresa, a Barbara e o meu irm\u00e3o Jo\u00e3o. Dessa vez, fomos n\u00f3s as assombra\u00e7\u00f5es a deambular por l\u00e1, at\u00e9 imortalizar a nossa presen\u00e7a na c\u00e9lebre escadaria.<\/p>\n<p>Em finais de 2015, soube que a Mans\u00e3o tinha sido demolida. No fim-de-semana seguinte, fui a \u00c1gueda e fiquei imenso tempo a contemplar os escombros e o vazio onde sempre existira uma silhueta que povoara o imagin\u00e1rio de tantas gera\u00e7\u00f5es daquela cidade.<br \/>\nSaltei o gradeamento, vasculhei os seus destro\u00e7os, apanhei um peda\u00e7o ornamentado de uma coluna. Hoje, est\u00e1 na minha biblioteca, ao lado de uma foto emoldurada da Mans\u00e3o.<br \/>\nPara me lembrar que os fantasmas que mais nos assombram s\u00e3o os dos sonhos n\u00e3o realizados.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1647 \" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/IMG_7979-2048x1365.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/a><\/p>\n<h6><em>Nota: No nosso Facebook foi publicado um \u00e1lbum com imensas\u00a0 fotografias da casa que n\u00e3o integraram este artigo. Podem consult\u00e1-lo <a href=\"https:\/\/www.facebook.com\/pg\/cronicasmadrugada\/photos\/?tab=album&amp;album_id=2736601216567846\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">aqui<\/a>.\u00a0<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Durante d\u00e9cadas esta casa abandonada intrigou o imagin\u00e1rio popular de \u00c1gueda. Muitos diziam estar assombrada. J\u00e1 outros, juravam que escondia passagens subterr\u00e2neas para tesouros antigos. A mim, despertava-me um fasc\u00ednio intenso desde crian\u00e7a.<br \/>\nA casa j\u00e1 n\u00e3o existe, mas enquanto existiu, estive l\u00e1 dentro, explorei todos os seus recantos e at\u00e9 conversei com quem j\u00e1 l\u00e1 viveu. Medo, deslumbramento, mem\u00f3rias, curiosidade, assombro, supersti\u00e7\u00f5es. Estas s\u00e3o as hist\u00f3rias da Mans\u00e3o da Paulicea.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1640,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[88],"class_list":["post-1639","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita","tag-ghost-stories"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>PAULICEA: A MANS\u00c3O ASSOMBRADA DA MINHA INF\u00c2NCIA<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Durante d\u00e9cadas esta casa abandonada intrigou o imagin\u00e1rio popular de \u00c1gueda. 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