{"id":1704,"date":"2020-03-20T21:40:19","date_gmt":"2020-03-20T21:40:19","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1704"},"modified":"2020-03-20T21:43:14","modified_gmt":"2020-03-20T21:43:14","slug":"minghella-o-ultimo-guiao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/minghella-o-ultimo-guiao\/","title":{"rendered":"MINGHELLA: O \u00daLTIMO GUI\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">A<\/span> sua grande paix\u00e3o era a escrita, mas quis a Hist\u00f3ria que ele ficasse conhecido como realizador de cinema. \u201cNunca me sinto mais pr\u00f3ximo de mim do que quando escrevo. E nunca aprecio um dia, qualquer dia, mais do que um bom dia de escrita\u201d, confessou, no mesmo fat\u00eddico m\u00eas em que morreria, nove anos depois. Mas esse n\u00e3o foi o \u00fanico capricho de destino a calafriar a nuca de Anthony Minghella, nos seus 54 anos de vida. O seu primeiro filme, \u00abTruly Madly Deeply\u201d, est\u00e1, em v\u00e1rios n\u00edveis, intimamente ligado \u00e0 sua morte precoce. A sua primeira aventura na S\u00e9tima Arte e a sua derradeira viagem rumo ao \u00faltimo dos mist\u00e9rios, entrela\u00e7ados na linha da sina. E mais uma vez Oscar Wilde sorri, do fundo da sua tumba no P\u00e8re Lachaise, ao ver a sua senten\u00e7a, um dos mais gastos e citados aforismos do mundo, voltar a aplicar-se. A vida voltou a imitar a arte.<\/p>\n<p>Anthony Minghella disse que nunca mais viu o filme, desde que o escreveu e realizou em 1990. Harvey Weinstein, seu produtor e amigo, duvida que tenha coragem de o voltar a ver. Eu vi-o na mesma noite em que escrevo estas linhas, 18 de Mar\u00e7o, anivers\u00e1rio da morte do cineasta Ingl\u00eas. E confesso-me atordoado. Talvez seja o horr\u00edvel Chianti que sorvo, em honra das terras italianas onde Minghella \u201cse sentia mais feliz\u201d; talvez seja da Suite N\u00ba 3 de Bach, \u201ca b\u00fassola pessoal\u201d do realizador, que j\u00e1 soou tantas vezes esta noite nesta sala vazia que desconfio que para sempre ecoar\u00e1 nas suas paredes. Talvez seja do trope\u00e7\u00e3o no saliente e arrepiante paralelismo entre criador e cria\u00e7\u00e3o que \u201cTruly Madly Deeply\u201d encobre.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>O despontar da arte<\/strong><\/span><\/p>\n<p>A paix\u00e3o para o cinema despertou ao melhor estilo cin\u00e9filo: <em>\u00c0 la Cinema Paradiso<\/em>. Tudo aconteceu numa pequena ilha na costa Sul de Inglaterra, chamada Isle of Wight, onde Minghella nasceu em 1954. Os pais do cineasta, imigrantes italianos, possu\u00edam um caf\u00e9 humilde e pitoresco, onde o pai vendia gelados de fabrico caseiro.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1708 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB-1024x682.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"682\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB-1024x682.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB-1536x1023.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/STiow_GettyImages-1129989860_HR_WEB.jpg 1900w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Do outro lado da parede estava o cinema local. O projeccionista alugava dois quartos nas traseiras do edif\u00edcio da fam\u00edlia Minghella. E desenvolveu-se uma cumplicidade que levaria o pequeno Anthony \u00e0 cabine de projec\u00e7\u00e3o, todas as matin\u00e9s de S\u00e1bado. Era o amanhecer de uma arte nos horizontes de um menino gordinho e traquina, que encontrava a paz na luz que atravessava a escurid\u00e3o e se fundia numa tela, que retribu\u00eda oferecendo mundos e universos.<\/p>\n<p>Mais tarde, nos anos de adolescente e de descoberta das meninas, o destino passou a ser a \u00faltima fila do cinema. \u201cTentava, desalentadamente, inutilmente, explorar dois desejos em simult\u00e2neo\u201d, confessou Anthony Minghella.<\/p>\n<p>E assim foi. Anos, d\u00e9cadas antes da obra-prima de Tornatore enternecer audi\u00eancias mundo fora, num pedacinho de terra perdido no Atl\u00e2ntico Norte, Minghella apaixonou-se pela S\u00e9tima Arte. Mas o seu cora\u00e7\u00e3o era artisticamente pol\u00edgamo. Outras paix\u00f5es, at\u00e9 maiores, se seguiriam.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Exorcizar dem\u00f3nios com \u00e1gua art\u00edstica\u00a0 <\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cFui um adolescente infeliz, zangado, rebelde\u201d. Ao olhar para tr\u00e1s, Minghella recordava os atritos que o consumiam. E os b\u00e1lsamos que o acalmavam. A maior parte dos seus amigos tinha um di\u00e1rio no quarto. Ele tinha um piano. \u201cEra s\u00f3 aquele piano que exorcizava os meus dem\u00f3nios\u201d. Come\u00e7ou a escrever e compor m\u00fasica aos 15 anos. A cria\u00e7\u00e3o tornou-se o seu escape. \u201cAtrav\u00e9s da cria\u00e7\u00e3o eu podia celebrar o que era diferente em mim, em vez de pedir desculpa\u201d.<\/p>\n<p>A m\u00fasica passou a v\u00edcio. Alastrou-se pelas suas veias, tornou-se parte do seu ser, acompanhou o bombear do seu sangue, o temperamento do seu esp\u00edrito. Mas r\u00e1pido a passividade passa a actividade. Os verbos acompanhar e guiar fundem-se, confundem-se, misturam-se. E o consumo, esse aumenta. \u201cVai-me ser impedido o acesso ao C\u00e9u por causa dos CDs que possuo e da gula que tenho por todos os tipos e cores de m\u00fasica\u201d, penitenciou-se Minghella.<\/p>\n<p>Questionado sobre a sua maior fonte de inspira\u00e7\u00e3o musical, o realizador ingl\u00eas nunca hesitava: \u201cBach! \u00c9 a minha b\u00fassola\u201d. Mas era intenso o seu ecletismo, impelindo a sua audi\u00e7\u00e3o \u00e0 tenta\u00e7\u00e3o das mais variadas orgias gen\u00e9ricas. \u201cT\u00e3o depressa estou apaixonado por John Coltrane como por Mozart\u201d.<\/p>\n<p>Imerso nessa paix\u00e3o h\u00edbrida, criou um har\u00e9m para acolher escrita e m\u00fasica. Ouvia m\u00fasica h\u00fangara, \u00e1rabe e Italiana p\u00f3s-guerra, enquanto escrevia \u201cThe English Patient\u201d. Opera e Jazz durante \u201cThe Talented Mr. Ripley\u201d. \u201c\u00c9 uma viagem incr\u00edvel, seleccionar a m\u00fasica certa para a escrita\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1709 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1.jpg\" alt=\"\" width=\"1390\" height=\"611\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1.jpg 1390w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1-300x132.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1-1024x450.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/Minghella-1390x611-1-768x338.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1390px) 100vw, 1390px\" \/><\/a><\/p>\n<p>E \u00e9 a escrita a sua maior perdi\u00e7\u00e3o. \u00c9 ela a odalisca que lhe d\u00e1 mais prazer, o toque que melhor lhe acaricia os sentidos, o amor assumido entre todas as outras paix\u00f5es. \u201cI write because I am\u201d, afirmou, est\u00f3ico e resoluto.<\/p>\n<p>Come\u00e7ou por escrever m\u00fasicas e pe\u00e7as de teatro. Com o tempo, a frustra\u00e7\u00e3o come\u00e7ou a interiorizar-se. O seu \u00edntimo nutria um sentimento de perda por entregar o fruto da sua cria\u00e7\u00e3o a outras m\u00e3os, como um pai que entrega um filho para adop\u00e7\u00e3o, sentindo que n\u00e3o fez tudo o que poderia fazer pela sua educa\u00e7\u00e3o, pelo seu amadurecimento, pela sua consolida\u00e7\u00e3o enquanto homem, enquanto obra. E assim, Minghella decide assumir tamb\u00e9m as r\u00e9deas da realiza\u00e7\u00e3o. E nascia \u201cTruly Madly Deeply\u201d. Mais do que uma estreia, uma epifania: \u201cfoi um desafio de vida para mim, pois percebi que isso [escrever e realizar] era o que eu devia ter feito desde sempre\u201d.<\/p>\n<p>Filmado em 28 dias \u2013 o mesmo tempo que Minghella levou a efectuar a pesquisa dos locais de filmagem de \u201cTalented Mr. Ripley\u201d \u2013 e com um or\u00e7amento de 600 mil d\u00f3lares, o filme ganhou notoriedade. Uma assistente da produtora Miramax entregou uma c\u00f3pia a Harvey Weinstein, instruindo o produtor a ver o filme o mais r\u00e1pido poss\u00edvel. Weinstein acedeu \u00e0 sugest\u00e3o. Viu, riu, chorou. No dia seguinte, telefonou a Minghella:<\/p>\n<p>&#8211; \u201cI must have your movie.\u201d<\/p>\n<p>&#8211; \u201cYou\u2019re too late\u201d, replicou o realizador.<\/p>\n<p>&#8211; \u201cI\u2019ll never be late for you again\u201d.<\/p>\n<p>Harvey Weinstein cumpriu a promessa. Desde ent\u00e3o, produziria os restantes filmes de Anthony Minghella (\u00e0 excep\u00e7\u00e3o de \u201cTalented Mr. Ripley\u201d). E o instinto e faro predador de produtor n\u00e3o se enganaram. Seis anos depois daquela conversa, ambos levariam um Oscar para casa.<\/p>\n<p>\u00abTruly Madly Deeply\u201d venceu 15 pr\u00e9mios internacionais, incluindo um BAFTA para melhor argumento e in\u00fameros galard\u00f5es para o trabalho magistral da actriz Julie Stevenson &#8211; amiga \u00edntima de Minghella para quem o filme foi intencionalmente moldado e escrito &#8211; entre os quais um atribu\u00eddo na edi\u00e7\u00e3o de 1992 do Fantasporto.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1710 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0-1024x541.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"541\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0-1024x541.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0-300x158.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0-768x406.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0-1536x811.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/jjLEXLTXfJPYtl31knRS8bjclf0.jpg 2000w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O filme ganhou estatuto de culto, um pouco por todo o mundo. Para onde quer que Minghella viajasse, encontrava f\u00e3s que lhe citavam linhas inteiras de di\u00e1logo do filme. \u201cComecei a sentir-me assombrado por ele\u201d, disse o realizador, num momento de descontrac\u00e7\u00e3o. \u201c\u00c9 um filme muito privado e \u00edntimo, nas mais variadas formas. Sinto uma grande nostalgia por ele e pela sua simplicidade\u201d, afirmou, 10 anos depois da sua cria\u00e7\u00e3o e oito antes da sua pr\u00f3pria extin\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Com o ouro vem a consagra\u00e7\u00e3o <\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cMr. Wonderfull\u201d foi o seu pr\u00f3ximo projecto, o \u00fanico que Minghella realizaria sem ter estado por tr\u00e1s do argumento.<br \/>\nEm 1996 surge a oportunidade de adaptar \u201cThe English Patient\u201d, romance de Michael Ondaatje, escritor natural do Sri Lanka.<br \/>\nMinghella trope\u00e7ou no livro e ficou fascinado com o seu potencial cinematogr\u00e1fico: \u201cImagens brilhantes est\u00e3o espalhadas pelas p\u00e1ginas, num mosaico de narrativas fragmentadas. Numa \u00fanica p\u00e1gina o leitor \u00e9 confrontado com eventos no Cairo, na Tosc\u00e2nia ou em Inglaterra, durante diferentes per\u00edodos hist\u00f3ricos, com diferentes narradores\u201d.<\/p>\n<p>O bichinho dentro do realizador e argumentista come\u00e7ou a ficar excitado, hiperactivo. Minghella telefonou a Saul Zaentz &#8211; \u201co \u00fanico produtor que eu conhecia que era louco o suficiente para contemplar semelhante projecto\u201d &#8211; e lan\u00e7ou o desafio. Uma semana depois, Zaentz comunica que adorou o livro e que, curiosamente, o escritor ia estar presente numa sess\u00e3o de aut\u00f3grafos a poucos metros da sua casa, em Berkeley. \u201cEncorajei-o a encarar isso como um press\u00e1gio\u201d, referiu Minghella.<br \/>\nPouco tempo depois, a luz verde \u00e9 dada, j\u00e1 com Weinstein na equipa de produtores.<\/p>\n<p>Quando Minghella se sentou em frente do seu Apple Mac Powerbook, a palidez do ecr\u00e3 reflectiu-se na sua consci\u00eancia. Verificou que ignorava tudo sobre o Egipto, que nunca tinha estado no deserto, que n\u00e3o sabia usar uma b\u00fassola ou ler um mapa, que n\u00e3o se lembrava de quase nada das li\u00e7\u00f5es de Hist\u00f3ria sobre a II Guerra Mundial e que, \u201cembara\u00e7osamente\u201d, desconhecia imenso sobre a It\u00e1lia; \u201ca terra dos meus pais\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1711\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1031\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK.jpg 1920w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK-300x161.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK-1024x550.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK-768x412.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/xxzHjtK-1536x825.jpg 1536w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u201cPedi emprestada uma cabana em Durweston, em Dorset, e enchi o meu carro com livros\u201d. Essa pequena vila rural no sudoeste brit\u00e2nico, repleta de plan\u00edcies verdes, riachos e moinhos de \u00e1gua, foi o ref\u00fagio onde Minghella passou um ano e meio, em extenso processo criativo.<br \/>\nA escrita do argumento de \u201cThe English Patient\u201d demorou 18 meses, o dobro da gesta\u00e7\u00e3o do ser humano. Mas at\u00e9 o mais atrasado dos partos pode revelar um nascimento feliz. J\u00e1 atr\u00e1s das lentes, da inf\u00e2ncia \u00e0 idade adulta, foi um \u00e1pice. \u201cVer o Anthony a dirigir a Juliette Binoche foi como ver um maestro a conduzir a sua orquestra. No deserto, na Tosc\u00e2nia, ele comp\u00f4s a sua poesia\u201d, recorda Weinstein.<\/p>\n<p>Mais tarde, ambos viram o filme com Barbara Streisand que, sem papas na l\u00edngua, o considerou sobrevalorizado e demasiado longo. Acabaria nomeado para 12 Oscares da Academia. Na cerim\u00f3nia, Barbara sentou-se atr\u00e1s de ambos. \u201cIsto \u00e9 um bom sinal ou um mau press\u00e1gio?\u201d, sussurrou Minghella a Weinstein. A noite desenrolou-se. \u201cThe English Patient\u201d levaria nove estatuetas douradas para casa, incluindo uma para cada um deles (melhor realizador e melhor filme). \u201cDurante toda a cerim\u00f3nia, a Barbara batia entusi\u00e1stica nas nossas costas e ria-se com a ironia\u201d, relembra Weinstein. \u201cAcabou por ser o nosso amuleto da sorte, como na altura disse o Anthony\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>O mergulho na complexidade<\/strong><\/span><\/p>\n<p>1999. Sydney Pollack adquire os direitos do livro \u201cThe Talented Mr. Ripley\u201d e envia-o a Minghella, para escrever o argumento. \u201cBastou trabalhar tr\u00eas dias no gui\u00e3o para decidir que n\u00e3o lhes queria devolver o filme\u201d, afirmou o realizador.<\/p>\n<p>A complexidade do livro cativou-o. Ali\u00e1s, sempre foi essa a sua estrela polar, que tantas vezes o orientou na escolha dos livros a adaptar ao cinema. \u201cQuanto mais complexo o livro, mais original pode ser o argumento, maior a sustentabilidade criativa para o realizador\u201d. E \u201cThe Talented Mr. Riley\u201d estava recheado. Uma personagem perpetuamente encarcerada na sua pr\u00f3pria mente, a mais cruel das senten\u00e7as. \u201cA ideia de ser um falso algu\u00e9m em vez de um verdadeiro ningu\u00e9m \u00e9 uma das maiores tenta\u00e7\u00f5es da vida. O medo que todos temos do que as pessoas pensariam de n\u00f3s se soubessem quem somos na realidade\u201d, exemplificou Minghella, complementando: \u201cEsse conceito de uma cave, onde todos escondemos os nossos dem\u00f3nios, \u00e9 a parte mais interessante de cada pessoa\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-1712\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_.jpg\" alt=\"\" width=\"1920\" height=\"1080\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_.jpg 1920w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_-1536x864.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/miramax-816-Full-Image_GalleryBackground-en-GB-1492070180756._RI_-1200x675.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1920px) 100vw, 1920px\" \/><\/a><\/p>\n<p>E, para al\u00e9m do suculento argumento, as filmagens na Costa Amalfi, id\u00edlica vila costeira na prov\u00edncia de Salerno, no Sudeste Italiano. \u201cA costa Amalfi. Pasta. Jude. Gwyneth. A It\u00e1lia reavivava-o. Refrescava-o. Ele era ingl\u00eas em cidadania, mas italiano na alma\u201d, evoca Harvey Weinstein. N\u00e3o \u00e9 por acaso que Minghella afirmou que, por ele, trabalharia todo o resto da sua vida nesse filme. \u201cThe Talented Mr. Ripley\u201d foi uma das suas cria\u00e7\u00f5es predilectas. Ainda hoje recordo o impacto dos murros no est\u00f4mago que senti aquando do seu primeiro visionamento. E ainda hoje, mesmo com o carinho especial que passei a nutrir pelo seu primeiro projecto, continuo a met\u00ea-lo no pedestal da sua filmografia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong><span style=\"color: #808080;\">Folheando imagens e p\u00e1ginas<\/span> <\/strong><\/p>\n<p>Seguia-se \u201cCold Mountain\u201d. O filme, embora retrate a Guerra Civil Americana, foi rodado na Rom\u00e9nia, devido a limita\u00e7\u00f5es de or\u00e7amento. Uma est\u00e2ncia de esqui em off-season, a poucas horas de Bucareste, foi o ref\u00fagio que albergou a equipa de produ\u00e7\u00e3o. Num dos dias, acabou a comida. Os sorrisos substitu\u00edram o p\u00e2nico. Ren\u00e9e Zellweger fez uma longa caminhada at\u00e9 \u00e0 povoa\u00e7\u00e3o mais pr\u00f3xima para comprar mantimentos. A Nicole Kidman cozinhou, com a ajuda de um sempre sorridente Anthony Minghella. \u201cEle fez da equipa de produ\u00e7\u00e3o uma fam\u00edlia\u201d, disse Weinstein, sublinhando o esp\u00edrito de camaradagem que o realizador brit\u00e2nico conseguia incutir na massa humana das suas constru\u00e7\u00f5es. \u201cCold Mountain\u201d, inspirado na obra de Charles Frazier, seria a sua \u00faltima adapta\u00e7\u00e3o liter\u00e1ria. Frazer adorou o filme e isso, como sempre, marcava o z\u00e9nite de Minghella. Agradar ao autor do livro era mais importante para ele do que qualquer cr\u00edtica ou pr\u00e9mio. \u201cComo dramaturgo e poeta, ele conhecia bem a solid\u00e3o e a perseveran\u00e7a do escritor\u201d, relembra Weinstein.<\/p>\n<p>Fascinava-o sentir, tocar o meridiano que separava filme e livro. Minghella expressa-o melhor do que ningu\u00e9m: \u201cUma adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica deve ser como ouvir um amigo expressar a excita\u00e7\u00e3o do novo livro que leu. O mensageiro entusiasta que traz novidades de algures, recordando as melhores partes, exagerando a beleza, temperando o mist\u00e9rio, sondando o imperativo moral do que leu\u2026 orquestrando tudo isso de forma a incentivar a audi\u00eancia a peregrinar \u00e0 fonte, enquanto assevera o valor intr\u00ednseco do filme\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"color: #808080;\"><strong>Twists of fate<\/strong><\/span><\/p>\n<p>\u201cBreaking and Entering\u201d, em 2006, marcaria o regresso ao argumento original. Anthony Minghella acabou como come\u00e7ou, com um filme inteiramente escrito pelo seu punho.<br \/>\nDois anos depois, o mundo do cinema acordava sobressaltado com a inesperada not\u00edcia da sua morte, com uma hemorragia cerebral fatal, desencadeada por uma opera\u00e7\u00e3o a um cancro.<\/p>\n<p>Perecia o cineasta influenciado por David Lean, Hitchcock e Fellini; que escrevia notas manuscritas ileg\u00edveis, que nem ele pr\u00f3prio conseguia decifrar; que lia poemas de Raymond Carver, C.K. Williams ou Ann Carson como ant\u00eddoto para os bloqueios de escrita; que aos 18 anos sonhava fugir da pequena ilha onde vivia rumo \u00e0s metr\u00f3poles do mundo, e para onde, nos \u00faltimos anos de vida, sonhava um dia regressar.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-1713 aligncenter\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg.jpg\" alt=\"\" width=\"600\" height=\"763\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg.jpg 943w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg-236x300.jpg 236w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg-805x1024.jpg 805w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/03\/anthonyminghella-lg-768x977.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 600px) 100vw, 600px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Que um dia resolveu escrever e realizar um filme que, verdadeiramente, loucamente e profundamente deixou marcas indissip\u00e1veis em quem teve a sorte de lhe debru\u00e7ar um olhar. As manchetes falam por si: \u201cTruly Madly Deeply Missed\u201d (CNN), \u00a0\u201cWe will miss Minghella Truly Madly Deeply\u201d (New York Daily News), \u201cMinghella\u2019s loss cut\u2019s truly madly deeply\u201d (LA Times), \u201cTruly Madly Talented\u201d (EFilmCritic).<\/p>\n<p>A cria\u00e7\u00e3o primordial de Anthony Minghella \u00e9 como uma Caixa de Pandora. Nela est\u00e1 contido algo de belo, de prof\u00e9tico, de ins\u00f3lito, de sombrio. Mas a sua abertura, contrariando todos os mitos, apenas traz conforto e harmonia.<\/p>\n<p>Sim, \u00e9 verdade que uma das personagens principais do filme \u00e9 um artista que morre prematuramente, com uma complica\u00e7\u00e3o despoletada por uma inflama\u00e7\u00e3o na garganta. E n\u00e3o \u00e9 menos verdade que Anthony Minghella \u00e9 um artista que morre prematuramente, com uma complica\u00e7\u00e3o despoletada por uma opera\u00e7\u00e3o a um cancro na garganta.<\/p>\n<p>Mas nada disso interessa quando assistimos a \u201cTruly Madly Deeply\u201d, quando somos dominados pela precis\u00e3o cir\u00fargica com que uma indu\u00e7\u00e3o nos faz sorrir ao minuto 01:30:07 e uma confirma\u00e7\u00e3o nos faz soltar uma l\u00e1grima ao 1:39:40. Quando tomamos consci\u00eancia que o pr\u00f3prio Minghella, com o mais belo e puro dos seus filmes, ofereceu \u00e0 sua fam\u00edlia, amigos e espectadores o melhor conselho para ultrapassar o seu luto.<\/p>\n<h6><\/h6>\n<h6><em>Texto originalmente publicado na E-zine <a href=\"http:\/\/www.c7nema.net\/artigos-de-opiniao\/item\/36573-anthony-minghella-o-ultimo-guiao.html?fbclid=IwAR3Y25Bg0sgFoymYrkgoemyTbNy33EdJoAJTR4MxFABUqHqFtnm7aHV0YAc\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">C7nema<\/a>, em Mar\u00e7o de 2009, no anivers\u00e1rio da morte de Anthony Minghella<\/em><\/h6>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No primeiro anivers\u00e1rio da morte do cineasta Anthony Minghella, escrevi um texto biogr\u00e1fico para o C7nema. Foi h\u00e1 11 Mar\u00e7os atr\u00e1s. Fechei-me numa sala com uma garrafa de vinho italiano e entreguei-me \u00e0 tarefa. Hoje relembro-o, n\u00e3o s\u00f3 para assinalar a data, mas como um incentivo para descobrir ou redescobrir os filmes deste grande realizador com alma de escritor.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1707,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-1704","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas-recicladas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>MINGHELLA: O \u00daLTIMO GUI\u00c3O<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"No primeiro anivers\u00e1rio da morte do cineasta Anthony Minghella, escrevi um texto biogr\u00e1fico para o C7nema. 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