{"id":1727,"date":"2020-04-16T17:08:05","date_gmt":"2020-04-16T17:08:05","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=1727"},"modified":"2020-04-16T17:29:40","modified_gmt":"2020-04-16T17:29:40","slug":"sepulveda-historias-e-palavras-que-nao-queria-publicar-hoje","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/sepulveda-historias-e-palavras-que-nao-queria-publicar-hoje\/","title":{"rendered":"SEP\u00daLVEDA: A HIST\u00d3RIA QUE EU N\u00c3O QUERIA PUBLICAR HOJE"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">A<\/span>inda jovem, Luis Sep\u00falveda tinha um sonho. Na altura, o acesso \u00e0 Biblioteca Nacional da cidade de Santiago (Chile) era inacess\u00edvel aos menores de idade. E ele sonhava com aquelas estantes gigantes recheadas de livros.<\/p>\n<p>N\u00e3o demorou muito at\u00e9 o pequeno chileno delinear um plano. Era audaz, ilegal, excitante. Ia distrair a bibliotec\u00e1ria, surripiar o seu velho molho de chaves e fazer uma c\u00f3pia. Ao anoitecer de uma sexta-feira, j\u00e1 com a chave clandestina na m\u00e3o, destrancou a outrora inexpugn\u00e1vel portada de madeira antiga, arregalou os olhos e entrou. Passou o fim-de-semana enclausurado na biblioteca, munido de leite, p\u00e3o de anis e dois ma\u00e7os de cigarros, na companhia silenciosa das palavras devoradas com sofreguid\u00e3o, num sumptuoso banquete liter\u00e1rio.<\/p>\n<p>Ele conta esta hist\u00f3ria no seu livro \u201cO Poder dos Sonhos\u201d, que apresentou no Porto no Outono de 2006. Estive l\u00e1 e entrevistei-o. Sorriu quando mencionei esse epis\u00f3dio. S\u00f3 t\u00ednhamos recebido o livro na reda\u00e7\u00e3o poucos dias antes e ele n\u00e3o estava \u00e0 espera que j\u00e1 o tivesse lido. E sorriu ainda mais quando nos serviram o caf\u00e9 e o apelidei de \u201cargamassa que une os tijolos da manh\u00e3\u201d, citando-o. [\u201cEncontro de Amor Num Pa\u00eds em Guerra\u201d, 1997]<\/p>\n<p>A conversa prolongou-se, calorosa, inspiradora. Sonhar \u00e9 normal nos jovens. Mas este, desde cedo, interiorizou que n\u00e3o adianta faz\u00ea-lo se n\u00e3o tivermos a aud\u00e1cia de lutar pela concretiza\u00e7\u00e3o dos sonhos. Por mais assustadora ou arriscada que essa luta nos pare\u00e7a.<br \/>\nFoi essa aud\u00e1cia que lhe deu a coragem para lutar por in\u00fameros ideais ao longo da sua vida, arriscando-a mais do que uma vez. Foi por causa dessa aud\u00e1cia que conseguiu viver da palavra escrita.<\/p>\n<p>E os escritores, os bons, t\u00eam sempre hist\u00f3rias para contar, hist\u00f3rias que nos tocam, que mexem connosco. Nessa tarde, Sep\u00falveda contou-me uma que nunca mais esqueci. Ilustra bem essa sensibilidade apurada que \u00e9 t\u00edpica das pessoas extraordin\u00e1rias, pois dota-as do cond\u00e3o de impregnar de significado coisas aparentemente simples. Coisas que, ao olhar muitas vezes c\u00ednico e \u00e1rido do quotidiano mortal, s\u00e3o desprovidas de sentido ou import\u00e2ncia.<\/p>\n<p>Nas primeiras semanas dos anos que viveu em Hamburgo, na Alemanha, Sep\u00falveda soube que existia um padeiro no seu bairro. \u201cDava para ir a p\u00e9\u201d. A conveni\u00eancia tornou-o um cliente habitual. No entanto, com o passar do tempo, notou que ia l\u00e1 por outro motivo. Sentia-se particularmente inspirado sempre que lhe ia comprar p\u00e3o. \u201cEle exercia a sua profiss\u00e3o com orgulho, com uma dedica\u00e7\u00e3o \u00fanica e um amor invulgar e isso era contagiante\u201d.<\/p>\n<p>Aos 68 anos, o padeiro come\u00e7ou a sentir dores nas m\u00e3os. Foi ao m\u00e9dico e foi-lhe diagnosticada uma artrite. Com imenso desgosto, ia ter de abandonar o seu of\u00edcio. \u201cDesde pequeno que sempre quis fazer p\u00e3o para as pessoas. Parte de mim morre ao deixar de o fazer\u201d, disse a Sep\u00falveda. O escritor meteu-lhe a m\u00e3o no ombro e pediu-lhe que, no dia em que fechasse a padaria, lhe desse a t\u00e1bua onde amassava o p\u00e3o. Quando esse dia chegou, n\u00e3o o deixou limpar a farinha e os restos de p\u00e3o encrostados na madeira. \u201cN\u00e3o havia nada a limpar\u201d, disse-me.<\/p>\n<p>Desde ent\u00e3o, Sep\u00falveda passou a trabalhar, a escrever em cima dessa t\u00e1bua, esse pequeno altar laboral que um dia albergou a devo\u00e7\u00e3o de um velho amigo. \u201c\u00c9 como se estivesse em comunh\u00e3o com o meu companheiro. Como se prolongasse os seus sonhos\u201d.<br \/>\nN\u00e3o me lembro do que lhe disse a respeito a isso. Mas lembro-me do que desejava ter-lhe dito sobre os seus livros, palavras que foram soltas por outra pessoa, algumas horas depois, j\u00e1 na apresenta\u00e7\u00e3o do livro.<\/p>\n<p>Timidamente imiscu\u00eddo na audi\u00eancia, um jovem dirigiu-se ao escritor e confessou-lhe: \u201cSabe, quando leio os seus livros, viajo; sinto-me molhado pela chuva, sinto o balancear do autocarro nos caminhos \u00edngremes, sento-me na mesa do caf\u00e9 onde conversa com os seus amigos. Sinto-me, eu pr\u00f3prio, um dos seus amigos\u201d.<br \/>\nNesse dia tinha sido atribu\u00eddo o Pr\u00e9mio Nobel da Literatura a Orhan Pamuk. Emocionado, Sep\u00falveda questionou-se sobre o que sentir\u00e1 um autor quando recebe um pr\u00e9mio dessa import\u00e2ncia. Fez uma pequena pausa, fincou os olhos no jovem e disse: \u201cEu n\u00e3o sei o que sente um autor laureado. Mas a emo\u00e7\u00e3o que senti ao ouvir estas palavras de um leitor, seguramente \u00e9 mais intensa e importante do que qualquer pr\u00e9mio\u201d.<\/p>\n<p>Relembrei e escrevi tudo isto h\u00e1 algumas semanas. Queria publicar no dia que o Luis Sep\u00falveda melhorasse e regressasse a casa. Queria enviar-lhe o link nesse per\u00edodo de convalescen\u00e7a que se seguiria, e faz\u00ea-lo sorrir. Relembr\u00e1-lo que ele foi um dos professores que me ensinou a escrever. Que ainda tenho o meu exemplar de \u201cO Velho que Lia Romances de Amor\u201d com a sua assinatura \u201ccom afecto\u201d. E que essa sua luta afincada e audaz pelos sonhos continua a inspirar-me ap\u00f3s todos estes anos. Esta \u00faltima frase teria um significado especial tendo em conta a sua recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Queria fazer isso nessa altura, porque sempre achei uma pena essa tend\u00eancia vigente das coisas bonitas s\u00f3 serem relembradas quando as pessoas morrem. Detesto ter de o fazer hoje.<\/p>\n<p>No teu livro sobre os sonhos, confessas que esvazias constantemente as estantes da tua biblioteca pessoal e que ofereces os livros a bibliotecas p\u00fablicas, para quem outros jovens possam sonhar com eles. \u201cAcompanham-me umas quantas centenas de livros que s\u00e3o, na sua maior parte, de amigos\u201d. Neste dia triste, decidi que seria esse o meu humilde tributo. Irei comprar quatro exemplares de obras tuas e do\u00e1-las \u00e0s bibliotecas das cidades onde j\u00e1 vivi: \u00c1gueda, Porto, Viseu, Coimbra.<br \/>\nN\u00e3o sou altru\u00edsta como tu, n\u00e3o me consigo separar dos que j\u00e1 tenho. Esses s\u00f3 v\u00e3o sair da prateleira para visitar a tua imortalidade.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-scaled.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter wp-image-1731 size-large\" src=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-1536x1024.jpg 1536w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2020\/04\/IMG_8374-2-2048x1366.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><br \/>\nCr\u00e9ditos da foto principal: Lusa<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Tinha guardado algumas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias com Luis Sep\u00falveda e estava a planear public\u00e1-las quando o escritor melhorasse da sua doen\u00e7a e regressasse a casa. As coisas bonitas devem contar-se em vida. Mas, como acontece tantas vezes, a realidade conspira com o destino e desmancha-nos os planos.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":1736,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[],"class_list":["post-1727","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>SEP\u00daLVEDA: A HIST\u00d3RIA QUE EU N\u00c3O QUERIA PUBLICAR HOJE<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/sepulveda-historias-e-palavras-que-nao-queria-publicar-hoje\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"SEP\u00daLVEDA: A HIST\u00d3RIA QUE EU N\u00c3O QUERIA PUBLICAR HOJE\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Tinha guardado algumas hist\u00f3rias e mem\u00f3rias com Luis Sep\u00falveda e estava a planear public\u00e1-las quando o escritor melhorasse da sua doen\u00e7a e regressasse a casa. 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