{"id":377,"date":"2015-04-24T20:28:51","date_gmt":"2015-04-24T20:28:51","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=377"},"modified":"2019-05-08T23:41:48","modified_gmt":"2019-05-08T23:41:48","slug":"paredes-humanas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/paredes-humanas\/","title":{"rendered":"PAREDES HUMANAS"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><span class=\"wpsdc-drop-cap\">C<\/span>asa. As paredes da palavra parecem um amontoado de tijolos a\u00e7ucarados na escrita de Ralph Waldo Emerson. Era encantadora a forma como ele romantizava as casas. \u201cFeliz \u00e9 a casa que abriga um amigo\u201d. Ou ainda: \u201cO ornamento de uma casa \u00e9 o amigo que a frequenta\u201d. E embora ambas as minhas naturezas de anfitri\u00e3o e de refugiado esbocem sorrisos concordantes perante essas frases, n\u00e3o s\u00e3o elas que habitavam o meu pensamento, este fim de tarde, quando me deparei, mais uma vez, defronte daquela casa. Deve ser uma das casas mais humildes que j\u00e1 vi &#8211; mesmo tendo j\u00e1 viajado por pa\u00edses do terceiro mundo &#8211; e no entanto a sua humildade parece coadunar-se com um certo encanto que, de alguma forma, me toca. Mais do que um encanto, uma estranha sensa\u00e7\u00e3o de familiaridade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho para a sua estrutura cl\u00e1ssica, com o seu telhado em V e a chamin\u00e9 num dos cantos. A porta pintada de azul, um azul desmaiado e ao mesmo tempo v\u00edvido, como um olhar n\u00f3rdico. O arbusto que espreita \u00e0 janela, as sombras desenhadas pelas \u00e1rvores de fruto e a forma buc\u00f3lica como o vegeta\u00e7\u00e3o a contorna, como uma ilha num oceano de \u00e1guas verdes. Que belo, que sereno ser\u00e1 o barulho tr\u00e9mulo dessas \u00e1guas nos dias de vento, tal como o sil\u00eancio nocturno dos c\u00e9us estrelados, apenas perfurado por cantigas de grilos e cigarras. E olho as suas cicatrizes, in\u00fameras, que tantos segredos vincar\u00e3o consigo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cerro o olhar e imagino o seu interior. Aconchegante. Um sof\u00e1 de couro castanho-escuro desbotado junto \u00e0 janela, que recebe a luz do sol da manh\u00e3. O perfume de caf\u00e9 acabado de fazer que se espalha pelas quatro paredes. Prateleiras r\u00fasticas e mal pregadas cheias de livros, que v\u00e3o desde as plan\u00edcies quentes de Hemingway \u00e0s tundras geladas de Tolstoi. Um soalho de madeira que range ao ser calcado. Uma secret\u00e1ria cheia de pap\u00e9is, mapas e artigos de jornal recortados, ligeiramente submersos no metal enferrujado de uma m\u00e1quina de escrever Remington sem a letra M; uma amarelada edi\u00e7\u00e3o de The Catcher in the Rye num dos cantos, com um perfeito circulo cor de avel\u00e3 na capa, tatuado por uma ch\u00e1vena indolente; um amontoado de passaportes encardidos com mem\u00f3rias n\u00e3o declaradas em mil alf\u00e2ndegas; e uma velha Rolleicord V a fazer de pisa-pap\u00e9is. Na outra parede, uma pequena lareira de tijolo, n\u00e3o muito distante de um modesto balc\u00e3o de cozinha. E um ba\u00fa, por baixo de um beliche com mantas quentes de l\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Saio e bato com a porta, mental, que fica entreaberta. E a imagina\u00e7\u00e3o volta a escapulir. Imagino que se o seu dono um dia reconhecesse as minhas (muitas) visitas, tal como o motivo que as move, talvez me convidasse a entrar. Apertar-lhe-ia a m\u00e3o, mas nunca aceitaria. H\u00e1 excep\u00e7\u00f5es \u00e0 minha fome por realidade. Esta casa \u00e9 uma delas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 algures nesse jejum que me surge a tal ora\u00e7\u00e3o de Emerson. \u201cToda a casa \u00e9 uma cita\u00e7\u00e3o de todas as florestas, minas e pedreiras\u201d. S\u00f3 hoje, s\u00f3 nestas tardes, resolvo parafrase\u00e1-lo &#8211; nada que um convicto transcendentalista n\u00e3o perdoasse &#8211; acrescento uma v\u00edrgula entre as duas \u00faltimas palavras e expando a frase: \u2026 e mem\u00f3rias. As vividas e as por viver.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Poderia ser final, o ponto. Podia encerrar aqui, o \u00faltimo par\u00e1grafo servia perfeitamente de chave. Mas n\u00e3o me apetece trancar ainda o texto. O sono \u00e9 um sonho ainda distante. A ebriedade ainda paira no ar, como um espectro tentador. Auto-exorcizar-se-\u00e1, algures na noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0Essa dan\u00e7a entre o olhar e a imagina\u00e7\u00e3o conduz-me a um p\u00e1tio, numa praia vianense, nos \u00faltimos dias do ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O an\u00fancio prometia uma casa junto \u00e0 praia. Fiquei algo desiludido quando verifiquei que, embora isso fosse verdade, n\u00e3o tinha o mar \u00e0 vista. Uma duna enorme, coberta de vegeta\u00e7\u00e3o, cobria a linha do horizonte.\u00a0Torci um pouco o nariz. Tinha idealizado passar algumas tardes a ler e a escrever, sentado numa mesa do p\u00e1tio, com o mar como cen\u00e1rio inspirador. Um des\u00edgnio que aparentemente tinham acabado de me amputar. As apar\u00eancias iludem tanto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"  wp-image-379 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_3806\" width=\"466\" height=\"699\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806-768x1152.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/03\/IMG_3806.jpg 1728w\" sizes=\"auto, (max-width: 466px) 100vw, 466px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Algures nas primeiras horas, pousei o livro, pleno de contentamento com a fluidez da leitura. Estava a ser embalado pelo barulho do mar. N\u00e3o o via, mas sabia que estava ali, mesmo ao meu lado. Para al\u00e9m de confortante, era um embalar que estimulava a imagina\u00e7\u00e3o. Os pensamentos vagueavam, nadavam por entre um mar invis\u00edvel aos olhos, mas vis\u00edvel \u00e0 mente.<br \/>\n\u201cVia-o\u201d diferente todos os dias. Azul-escuro e tempestuoso. Turquesa e tranquilo. Sulcado por cargueiros de ferro ou naus de madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foram muitos os instantes onde jurei ter sido melhor assim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os momentos passados naquele p\u00e1tio recordaram-me a import\u00e2ncia do oculto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O que n\u00e3o \u00e9 dito e \u00e9 transmitido por um sorriso. O que n\u00e3o precisa de ser expl\u00edcito pois est\u00e1 impl\u00edcito num gesto. O que n\u00e3o \u00e9 vislumbrado, mas sentido. O que est\u00e1 coberto e \u00e9 despido pouco a pouco. O quanto o conhecimento m\u00fatuo dispensa mapas ou c\u00e1bulas. O quanto a nossa vis\u00e3o \u00e9 uma mera interpreta\u00e7\u00e3o cerebral de um impulso nervoso transmitido por um nervo \u00f3ptico.<br \/>\nO quanto pertinente era a convic\u00e7\u00e3o de Ralph Waldo Emerson, que defendia que o ideal espiritual transcendia o f\u00edsico e o emp\u00edrico e apenas podia ser compreendido pela intui\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">E o quanto existem paredes v\u00e3s. Na tua casa ou na minha.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Olho para a sua estrutura cl\u00e1ssica, com o seu telhado em V e a chamin\u00e9 num dos cantos. A porta pintada de azul, um azul desmaiado e ao mesmo tempo v\u00edvido, como um olhar n\u00f3rdico. O arbusto que espreita \u00e0 janela, as sombras desenhadas pelas \u00e1rvores de fruto e a forma buc\u00f3lica como o vegeta\u00e7\u00e3o a contorna, como uma ilha num oceano de \u00e1guas verdes. 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