{"id":382,"date":"2015-04-06T14:32:27","date_gmt":"2015-04-06T14:32:27","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=382"},"modified":"2019-05-08T23:57:06","modified_gmt":"2019-05-08T23:57:06","slug":"o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha\/","title":{"rendered":"O PUTO QUE CRUZOU A EUROPA NO DORSO DE UMA SCOOTER \u00abIII &#8211; Espanha\u00bb"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\">\u2500 Los campings est\u00e1n cerrados en esta \u00e9poca del a\u00f1o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O puto n\u00e3o desanimou com a resposta do pol\u00edcia. No fundo sabia que eram poucas as esperan\u00e7as de encontrar um parque de campismo aberto numa madrugada de Janeiro na pequena povoa\u00e7\u00e3o de Alc\u00e1ntara. No entanto, pareceu-lhe uma boa explica\u00e7\u00e3o \u00e0 quest\u00e3o do agente, que o tinha mandado parar momentos antes, curioso com o que andava a fazer um rapaz portugu\u00eas numa scooter cheia de tralha, no meio da noite \u00e0s voltas no centro daquele pacato \u2018pueblo\u2019. A maior d\u00favida foi sobre a resposta \u00e0 segunda quest\u00e3o, relativa ao seu destino. \u201cDigo-lhe? Se calhar \u00e9 melhor n\u00e3o. Ou digo?\u201d, debatia-se, num divertido dilema mental. \u201cQue se lixe, vou dizer\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u2500 Vou para a Alemanha. \u2018Concentraci\u00f3n de motos\u2019.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O pol\u00edcia arregalou os olhos e com a boca entreaberta numa express\u00e3o de espanto, limitou-se a fazer um gesto com o bra\u00e7o a mand\u00e1-lo seguir viagem. E o Puto seguiu, a rir-se desalmadamente dentro do seu capacete branco; a loucura do que estava a viver era palp\u00e1vel pela incredibilidade de todos os que encontrava no caminho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_385\" aria-describedby=\"caption-attachment-385\" style=\"width: 810px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-385\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-22-1024x639.jpg\" alt=\"Imagem (22)\" width=\"810\" height=\"506\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-22-1024x639.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-22-600x375.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-22-300x187.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-22.jpg 1768w\" sizes=\"auto, (max-width: 810px) 100vw, 810px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-385\" class=\"wp-caption-text\">Bem carregada, a Buxy descansa junto \u00e0 estrada enquanto a noite j\u00e1 caiu sobre o pa\u00eds vizinho<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Esgotada a possibilidade do parque, \u00e9 preciso encontrar uma solu\u00e7\u00e3o para dormir. No dia seguinte precisa de meter gasolina, por isso resolve procurar umas bombas de abastecimento e tentar acampar l\u00e1 perto. Ap\u00f3s algumas voltas, encontra-as. Est\u00e3o desertas. Contorna-as, as traseiras ficam viradas para um pinhal. \u201c\u00c9 aqui mesmo\u201d. Retira a tenda e monta-a encostada \u00e0 parede, com a motorizada \u00e0 frente. L\u00e1 dentro, j\u00e1 despido do espesso e desconfort\u00e1vel fato de neve, escreve pela primeira vez no bloco de notas. O cansa\u00e7o afeta-lhe a caligrafia, mas escreve pelo menos duas p\u00e1ginas. \u00c9 a primeira noite da sua aventura, o saco-cama pode esperar mais uns minutos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Acorda \u00e0s 9h00 com o ru\u00eddo dos carros. Recolhe o material e entra no estabelecimento para tomar o pequeno-almo\u00e7o. O empregado n\u00e3o toca no assunto do acampamento improvisado, por isso opta por tamb\u00e9m n\u00e3o dizer nada. Decide comprar um pote de cinco litros, para contornar a baixa autonomia do tanque da scooter e n\u00e3o estar t\u00e3o dependente da necessidade de ter de encontrar postos de abastecimento de 100 em 100 quil\u00f3metros e conjugar os seus hor\u00e1rios de abertura com os da sua rota. Atesta o dep\u00f3sito, depois o pote, perde alguns segundos a descortinar onde raio o vai carregar e arranca. Pr\u00f3xima paragem: C\u00e1ceres.<br \/>\nDeixa Alc\u00e1ntara para tr\u00e1s, sem ter no\u00e7\u00e3o que algures durante a noite anterior passou por aquela que \u00e9 a ponte mais alta constru\u00edda pelo imp\u00e9rio romano. Um esplendoroso feito arquitet\u00f3nico, erguido no ano 106, com seis arcos e 61 metros de altura. Junto \u00e0 sua base, onde passam as \u00e1guas do Tejo, est\u00e1 enterrado o arquiteto, Caio J\u00falio Lacer, que na altura profetizou que a ponte perduraria \u201cao longo dos s\u00e9culos do mundo\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>Replaneamento<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Compra p\u00e3o, paio e queijo num supermercado de Cac\u00e9res. Mete tudo num saco pl\u00e1stico e conduz at\u00e9 ao centro hist\u00f3rico, \u00e0 procura de um s\u00edtio agrad\u00e1vel para comer. Almo\u00e7a nos degraus da enorme Plaza Mayor. Aproveita para consultar o mapa e voltar a tra\u00e7ar a rota, voltando a amaldi\u00e7oar o facto de se ter esquecido do roadbook em Portugal. Trujillo, Madrigalejo, Piedrabuena, s\u00e3o algumas das povoa\u00e7\u00f5es que vai atravessar, at\u00e9 alcan\u00e7ar Ciudad Real, bem no centro de Espanha, onde pensa pernoitar. S\u00e3o 275 quil\u00f3metros que pensa fazer em cerca de quatro horas de viagem, na sua m\u00e9dia de 80km\/h.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Entra em Ciudad Real ao final da tarde. Olha para o rel\u00f3gio e constata, com alegria, que vai ter tempo para visitar a cidade. \u00c9 sua primeira visita tur\u00edstica desde que deu in\u00edcio \u00e0 aventura. Passeia pelas ruas, a sua Buxy consegue lev\u00e1-lo at\u00e9 pelas mais ex\u00edguas ruas do centro hist\u00f3rico. Espreita a imponente torre da catedral, delicia-se com a fascinante arquitetura do edif\u00edcio da C\u00e2mara, observa o entardecer a tingir de vermelho as paredes de pedra da Plaza Mayor. Tinha pesquisado sobre a cidade e sabe que \u00e9 a capital da regi\u00e3o hist\u00f3rica de La Mancha. Resolve pedir indica\u00e7\u00f5es para o Museu Dom Quixote. Por tr\u00eas vezes depara-se com olhares confusos acompanhados da frase \u201cno te entiendo\u201d. \u00c9 entendido \u00e0 quarta tentativa, mas encontra o museu fechado. Come umas tapas numa esplanada e resolve manter a tradi\u00e7\u00e3o iniciada na noite anterior. Parte em busca de umas bombas para acampar.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\nRumo ao mediterr\u00e2neo<\/strong><\/p>\n<p>Arranca de Ciudad Real \u00e0s nove da manh\u00e3, rumo a Val\u00eancia, na costa mediterr\u00e2nica. Um estic\u00e3o de 350 quil\u00f3metros. Est\u00e1 um frio de rachar no interior espanhol, tanto que tem dificuldade em mover os dedos da m\u00e3o esquerda ao acionar o trav\u00e3o. Para al\u00e9m disso est\u00e1 nevoeiro. Percorridos cerca de 30 quil\u00f3metros, sente o nevoeiro cada vez mais cerrado, ao ponto de ter dificuldades em ver a estrada. Levanta a viseira do Capacete e constata que afinal n\u00e3o est\u00e1 nevoeiro nenhum. A viseira \u00e9 que est\u00e1 congelada, cheia de gelo acinzentado. Tenta limp\u00e1-la em v\u00e3o, a camada de gelo \u00e9 espessa e est\u00e1 demasiado colada ao pl\u00e1stico. Vai precisar de \u00e1gua. Continua a viagem, de viseira aberta, em busca de um posto de abastecimento. Demora pelo menos trinta minutos at\u00e9 encontra um. Estaciona junto \u00e0 mangueira da \u00e1gua e lava a viseira, que fica transparente outra vez.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright wp-image-387\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25-1024x681.jpg\" alt=\"Imagem (25)\" width=\"653\" height=\"434\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25-1024x681.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25-600x399.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25-768x510.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-25.jpg 1783w\" sizes=\"auto, (max-width: 653px) 100vw, 653px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolve ir tomar um caf\u00e9. Ao sair da mota, cruza com um casal e acha ligeiramente estranho o facto de se terem come\u00e7ado a rir ap\u00f3s passarem por ele. N\u00e3o liga, segue, abre a porta e deixa passar um tipo que estava de sa\u00edda. Notou que o tipo levou a m\u00e3o \u00e0 boca a tentar controlar uma gargalhada. \u201cOutra vez?\u201d. Come\u00e7a a ficar intrigado. Vai ao balc\u00e3o e antes que pudesse pedir um caf\u00e9, j\u00e1 o empregado est\u00e1 engasgado de riso, atrapalhado e a tentar em v\u00e3o pronunciar a palavra \u201cperdon\u201d no meio das risadas. \u201cEp\u00e1 mas que raio se est\u00e1 a passar?\u201d, pensa, abrindo as m\u00e3os em jeito inquisitivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sus cejas, sus Cejas! Un mont\u00f3n de hielo!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O qu\u00ea?! \u2013 responde, enquanto pensa: \u201cestes gajos andam passadinhos da cabe\u00e7a!\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O empregado sai do balc\u00e3o e leva-o a um expositor de \u00f3culos escuros, onde existe um espelho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Mira!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 nesse momento que o Puto constata que tem as sobrancelhas e as pestanas completamente congeladas. Est\u00e3o densas, grossas e cinzentas, como um \u00c1lvaro Cunhal das neves. H\u00e1 pedacinhos de gelo a pender sobre as pontas, parecem min\u00fasculas estalactites que brilham \u00e0 luz das l\u00e2mpadas e ainda mais \u00e0 do sol. Sai para a rua e imortaliza o caricato epis\u00f3dio com um auto-retrato.<\/p>\n<figure id=\"attachment_386\" aria-describedby=\"caption-attachment-386\" style=\"width: 518px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-386\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-24-1024x672.jpg\" alt=\"Imagem (24)\" width=\"518\" height=\"340\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-24-1024x672.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-24-600x394.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-24-300x197.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-24.jpg 1799w\" sizes=\"auto, (max-width: 518px) 100vw, 518px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-386\" class=\"wp-caption-text\">Efeitos das manh\u00e3s invernais no interior espanhol<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: left;\">Regressa ao seu expresso, troca umas palavras com o empregado e volta \u00e0 estrada. Nesta zona de Espanha as retas s\u00e3o longas e rasgam plan\u00edcies que se estendem para l\u00e1 do olhar. Faltam algumas dezenas de quil\u00f3metros para chegar a Albacete, cidade cujo nome deriva do \u00e1rabe \u2018Al-basi\u2019, que significa precisamente \u201cplan\u00edcie\u201d.<br \/>\nEncontra um pequeno supermercado na extremidade oeste da cidade. \u00c9 um espa\u00e7o muito ex\u00edguo e r\u00fastico. Para al\u00e9m das prateleiras com os produtos, tem tr\u00eas mesas num canto onde \u00e9 poss\u00edvel petiscar. Pede duas sandes ao propriet\u00e1rio, um simp\u00e1tico velhote com cabelo grisalho encaracolado e ar bonacheir\u00e3o. Ao tomar conhecimento da sua natureza forasteira, n\u00e3o hesita em partilhar &#8211; enquanto corta o \u2018jam\u00f3n\u2019 &#8211; que em Albacete \u201cse hacen los mejores cuchillos de toda Espa\u00f1a\u201d. O puto percebe instantaneamente que \u2018cuchillos\u2019 s\u00e3o facas ao ver o velhote brandir o objeto durante a sua exclama\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Compra alguns mantimentos suplementares e prossegue a viagem. Atravessa a cidade sem parar e segue pela estrada 322 para nordeste. O c\u00e9u est\u00e1 pardo e caiem alguns chuviscos de vez em quando, mas a aragem est\u00e1 surpreendentemente morna. Ap\u00f3s cerca de hora e meia, enquanto atravessa a povoa\u00e7\u00e3o de Casas-Ib\u00e1\u00f1ez, trava abruptamente a motorizada ao avistar uma placa. Desliga a igni\u00e7\u00e3o, d\u00e1 alguns passos. Desde que sa\u00edra de Albacete sabia que ia ter de enfrentar esta decis\u00e3o. Tem o olhar preso nos tra\u00e7os negros que destacam as palavras \u2018Alcal\u00e1 del J\u00facar\u2019 no ret\u00e2ngulo caiado que o direciona 19 quil\u00f3metros para Sul. Deixa que a chuva lhe escorra pelos longos cabelos loiros, talvez isso lhe refresque o \u00edmpeto. O desvio n\u00e3o \u00e9 grande, mas pretende chegar ainda hoje a Val\u00eancia e ainda tem algumas horas de viagem pela frente. Olha para o c\u00e9u, os dias invernais s\u00e3o curtos e j\u00e1 n\u00e3o falta muito para escurecer. Suspira fundo, coloca o capacete na cabe\u00e7a com alguma pena, monta no seu cavalo mec\u00e2nico e arranca sem olhar para tr\u00e1s. Sabe que ao longo desta aventura vai encontrar v\u00e1rios s\u00edtios que gostaria de visitar mas que ter\u00e1 de ignorar, pois o itiner\u00e1rio, os prazos estimados de viagem e o derradeiro destino s\u00e3o priorit\u00e1rios. Alcal\u00e1 del J\u00facar \u00e9 um desses s\u00edtios. H\u00e1 alguns anos viu um postal com uma povoa\u00e7\u00e3o de pequenas casas caiadas, aconchegadas umas nas outras e alojadas numa colina de pedra, com um imponente castelo \u00e1rabe no topo. A vis\u00e3o, a partir de um riacho no sop\u00e9 da colina, tinha-o deslumbrado e jurara a si mesmo que um dia ia testemunhar essa paisagem com os seus pr\u00f3prios olhos. Quando come\u00e7ou a tra\u00e7ar o mapa desta aventura, soube que ia ter uma oportunidade para satisfazer esse desejo. Optou por abandon\u00e1-lo e embora estivesse convicto da sua decis\u00e3o, o ru\u00eddo monoc\u00f3rdico do motor e a vis\u00e3o da chuva a cair no asfalto pareciam alongar a melancolia desse abandono.<div class=\"simplePullQuote right\"><p>Sabe que ao longo desta aventura vai encontrar v\u00e1rios s\u00edtios que gostaria de visitar mas que ter\u00e1 de ignorar, pois o itiner\u00e1rio, os prazos estimados de viagem e o derradeiro destino s\u00e3o priorit\u00e1rios<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\nLa ciudad fantasma<br \/>\n<\/strong><br \/>\n\u201cMas o que raio se passa nesta terriola?\u201d. \u00c9 o terceiro posto de combust\u00edvel que encontra fechado na pequena povoa\u00e7\u00e3o de Requena. N\u00e3o \u00e9 tarde, s\u00e3o 21h30, mas toda a cidade parece ter-se deitado com as galinhas. N\u00e3o s\u00e3o s\u00f3 as bombas, todos os bares e restaurantes que encontra pelo caminho est\u00e3o fechados. \u00c9 impreter\u00edvel encontrar um posto de abastecimento, pois n\u00e3o tem combust\u00edvel para prosseguir viagem. Farta-se de dar voltas e encontra outro, tamb\u00e9m fechado. Mentaliza-se que vai ter de pernoitar aqui. Deixa a motorizada nas traseiras mas n\u00e3o monta a tenda. \u00c9 cedo, decide ir dar uma volta. Olha para a Buxy, cheia de tralha, com cordas e sacos pl\u00e1sticos por todo o lado e conclui que o seu aspeto desencorajar\u00e1 qualquer lar\u00e1pio de se aproximar. Mesmo assim, leva consigo os pertences de maior valor e parte para explorar a cidade fantasma. A express\u00e3o adequa-se, n\u00e3o encontra ningu\u00e9m nas ruas e s\u00e3o poucas as luzes acesas nas janelas. Percorre algumas ruelas do centro hist\u00f3rico e desagua num largo, onde encontra uma enorme fonte redonda em pedra, sem pinga de \u00e1gua. Abana a cabe\u00e7a e regressa \u00e0s \u201cbombas de campismo\u201d, intrigado pelo sil\u00eancio de Requena e aborrecido por ter sacrificado Alcal\u00e1 del J\u00facar em v\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O Puto desperta sobressaltado. Est\u00e1 cheio de frio. Olha para a manga direita, est\u00e1 branca. Todo o fato est\u00e1 coberto de geada. Dera-lhe a pregui\u00e7a na noite anterior. N\u00e3o lhe apeteceu montar a tenda e resolveu improvisar. Encostou a scooter a um metro da parede e deitou-se l\u00e1 no meio, com a colchonete por baixo e dois dos sacos-cama atravessados entre o topo da scooter e uma sali\u00eancia na parede, numa esp\u00e9cie de alpendre inventado. O fato de neve chegava para o abrigar e manter quente, pensara. Agora colhia, tr\u00e9mulo, os frutos da inven\u00e7\u00e3o. Sacudiu o fato, pediu ao empregado as chaves da casa de banho e secou-o parcialmente nos secadores das m\u00e3os. Bebeu um caf\u00e9, encheu o tanque e o pote e apontou a b\u00fassola na dire\u00e7\u00e3o do mar.<br \/>\nAlcan\u00e7a-o a meio da manh\u00e3. Val\u00eancia, finalmente. Tinha atingido um marco importante da viagem, Espanha estava oficialmente atravessada de Oeste a Este e agora era s\u00f3 subir a costa at\u00e9 \u00e0 fronteira com Fran\u00e7a. Atravessa a cidade em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 costa. O calor mediterr\u00e2nico faz-se sentir. \u201cVou assar dentro disto\u201d, pensa, desejoso por despir o fato t\u00e9rmico. Encosta num pequeno miradouro junto ao mar, aguarda por um momento mais solit\u00e1rio e muda de roupa mesmo ali. H\u00e1 quatro dias que n\u00e3o despia o fato, que at\u00e9 ali lhe tinha dado um precioso conforto t\u00e9rmico mas agora o calor derretia a insignific\u00e2ncia das suas inconveni\u00eancias e deixava-as bem \u00e0 vista. O peso, a pris\u00e3o de movimentos, a transpira\u00e7\u00e3o excessiva das botas. Sentia-se agora outro, de sapatilhas, cal\u00e7as de ganga e casaco corta-vento. \u00c9 assim que percorre a avenida Carrer de Pavia, inundada de sol e ladeada pelas palmeiras, a areia dourada e o azul do mediterr\u00e2neo. Ap\u00f3s v\u00e1rios dias enregelados e encharcados, \u00e9 indescrit\u00edvel a sensa\u00e7\u00e3o de ter raios de sol que lhe queimam ligeiramente a pele. Atravessa a avenida Mare Nostrum e entra na N-340, que o levar\u00e1 at\u00e9 Barcelona. A diversidade paisag\u00edstica da costa valenciana apaixona-o. S\u00e3o muitos os quil\u00f3metros percorridos com as montanhas a acompanhar o mar. Quando vislumbra a cordilheira de Desert de les Palmes \u00e0 esquerda, fica impressionado com a sua proximidade ao mar, mas cerca de 15 minutos depois encontra o cen\u00e1rio oposto, \u00e0 sua direita est\u00e1 a Serra d\u2019Irta com os seus 500 metros de altitude que lhe ocultam o mediterr\u00e2neo.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\nBarcelona \u00e0 Vista<\/strong><\/p>\n<p>O Puto entusiasma-se quando avista, ao longe, a palavra Barcelona pela primeira vez numa placa. \u201cJ\u00e1 n\u00e3o deve faltar muito\u201d, pensa, ansioso por um dos seus pontos sublinhados no mapa. Nunca foi \u00e0 capital da Catalunha e espera conseguir visit\u00e1-la, pelo menos minimamente. Fica ligeiramente desconsolado quando a proximidade lhe permite distinguir os tr\u00eas n\u00fameros \u00e0 frente do nome da cidade: 333. \u201cAinda est\u00e1s longe, mas nunca estive t\u00e3o perto de ti\u201d. P\u00e1ra a scooter em frente \u00e0 placa e regista o momento.<br \/>\nAp\u00f3s algumas horas na estrada, resolve pernoitar em Tarragona, pequena cidade portu\u00e1ria a 100 quil\u00f3metros de Barcelona. O sol j\u00e1 se come\u00e7ou a esconder e o Puto faz quest\u00e3o de entrar na cidade ol\u00edmpica durante o dia. Encontra um posto de abastecimento, estaciona a scooter e resolve ir pedir autoriza\u00e7\u00e3o ao empregado para acampar nas traseiras. A quest\u00e3o acaba por n\u00e3o ser colocada. Quando d\u00e1 por ela j\u00e1 est\u00e3o h\u00e1 tr\u00eas horas a conversar animadamente sobre aquele plano doido, j\u00e1 chegaram amigos do empregado, j\u00e1 se partilharam cervejas. Desde que partiu de Portugal o Puto apenas estabelecera conversas ocasionais de meros instantes, j\u00e1 sentia falta de um genu\u00edno momento de conv\u00edvio. J\u00e1 a noite ia longa quando o empregado lan\u00e7a a pergunta:<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; E agora, vais dormir onde?<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Abana a cabe\u00e7a quando o Puto lhe prop\u00f5e acampar nas traseiras. Mete a m\u00e3o ao bolso e retira de l\u00e1 uma chave.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Estou a fazer o turno da noite, por isso podes ficar a dormir no meu carro at\u00e9 eu sair.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Surpreendido e sensibilizado, o Puto d\u00e1-lhe um abra\u00e7o. Sai para a aragem fria da madrugada, destranca a porta e aloja-se no banco de tr\u00e1s do Golf. J\u00e1 n\u00e3o ter\u00e1 muitas horas de sono, mas vai dormir confort\u00e1vel. Retira o bloco da pasta e escreve durante alguns minutos. \u201cPenso que amanh\u00e3 o dia me vai correr melhor\u201d \u00e9 a frase que antecede o clique da lanterna e o ru\u00eddo do fecho do saco-cama.<br \/>\nDesperta \u00e0s 8h00 com tr\u00eas pequenas batidas no vidro. Antes da despedida, \u00e9 informado que junto \u00e0s casas de banho h\u00e1 chuveiros que ele pode utilizar. 100 pesetas garantem-lhe cinco minutos de \u00e1gua quente. \u00c9 o primeiro banho ap\u00f3s quatro longos dias na estrada. Insere tr\u00eas moedas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\nObst\u00e1culos ol\u00edmpicos<br \/>\n<\/strong><br \/>\n\u201cN\u00e3o acredito, outro?\u201d. \u00c9 o terceiro t\u00fanel que encontra para entrar em Barcelona, todos com acesso interdito a ciclomotores. Anda pelo menos duas horas \u00e0s voltas at\u00e9 encontrar uma entrada. \u201cEsta cidade \u00e9 lind\u00edssima, mas os acessos s\u00e3o complicados\u201d. O pensamento \u00e9 interrompido pelo toque do telem\u00f3vel. Reconhece o n\u00famero, \u00e9 de uma esta\u00e7\u00e3o de r\u00e1dio, para a entrevista di\u00e1ria. Est\u00e1 no meio do tr\u00e2nsito ca\u00f3tico de Barcelona, filas, buzinas, pe\u00f5es impacientes. Opta por subir uma rotunda e \u00e9 entrevistado l\u00e1 no meio, indiferente \u00e0s centenas de carros que o contornam.<\/p>\n<p>Continua a perder-se no meio do quotidiano acelerado da metr\u00f3pole. Por fim, desagua no Porto Ol\u00edmpico, onde opta por parar. Senta-se num muro junto \u00e0 marginal, na companhia de um Big Mac e uma Coca-cola. O tempo perdido \u00e0s voltas deixou-o um pouco desgastado. Opta por permanecer uma hora naquele local, a relaxar o olhar e os restantes sentidos naquele mar sem ondas cuja serenidade se estende at\u00e9 ao horizonte.<br \/>\nDeve ter permanecido ali mais tempo do que o previsto. Levanta-se com um salto. Alonga o corpo, respira fundo, sente-se revigorado, confiante. Senta-se na scooter e deixa que a brisa morna mediterr\u00e2nica lhe agite os longos cabelos louros, antes de colocar o capacete na cabe\u00e7a e arrancar, triunfante, ignorando o facto que ir\u00e1 passar as pr\u00f3ximas quatro horas perdido a tentar encontrar a sa\u00edda da cidade na dire\u00e7\u00e3o de Girona.<\/p>\n<figure id=\"attachment_384\" aria-describedby=\"caption-attachment-384\" style=\"width: 593px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-384\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-21-1024x678.jpg\" alt=\"Imagem (21)\" width=\"593\" height=\"392\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-21-1024x678.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-21-600x397.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-21-300x199.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-21.jpg 1762w\" sizes=\"auto, (max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-384\" class=\"wp-caption-text\">No cansa\u00e7o da estrada cada placa \u00e9 um sopro de encorajamento<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Perdeu a conta \u00e0s povoa\u00e7\u00f5es que encontrou pelo caminho com a designa\u00e7\u00e3o \u201cDel mar\u201d, at\u00e9 alcan\u00e7ar a cidade que os romanos batizaram de \u2018Gerunda\u2019. J\u00e1 \u00e9 de noite, mas Fran\u00e7a j\u00e1 est\u00e1 perto. Opta por encher o dep\u00f3sito e seguir viagem. A norte atravessa a vila natal de Salvador Dali, Figueres, convicto que os percal\u00e7os do dia j\u00e1 tinham sido esgotados. Um enorme sinal indica-lhe que a estrada nacional est\u00e1 encerrada para obras e que a sua convic\u00e7\u00e3o estava errada. Est\u00e1 escuro como breu e o Puto est\u00e1 cansado, o dia foi longo, talvez o mais longo de todos. E agora, a meros trinta quil\u00f3metros de Fran\u00e7a, cortam-lhe o caminho. Enquanto deambula pela zona, v\u00ea uma placa com a indica\u00e7\u00e3o \u2018AP \u2013 7 La Jonquera\u2019, a povoa\u00e7\u00e3o fronteiri\u00e7a que pretende alcan\u00e7ar. A placa \u00e9 azul. \u00c9 uma autoestrada.<br \/>\nSabe que essa via lhe \u00e9 interdita, mas opta por seguir a seta, enquanto pensa no que fazer. Esse tempo para arejar ideias esgota-se num instante, pois a poucas centenas de metros depara com a barreira da portagem. Segue-se um momento de d\u00favida, de hesita\u00e7\u00e3o. Sabe perfeitamente que pode ser multado, rebocado ou, na pior das hip\u00f3teses, ter um acidente grave. Por outro lado, est\u00e1 farto de tempo perdido e voltas em v\u00e3o. Retira o ticket, observa a cancela erguida \u00e0 sua frente. Algures, um neur\u00f3nio acelera um impulso eletroqu\u00edmico que atravessa as c\u00e9lulas do seu corpo at\u00e9 chegar ao seu punho direito, que come\u00e7a a rodar. Primeiro um bocadinho. Depois a fundo.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O jovem aguedense continua a acelerar a fundo na sua scooter. Est\u00e1 atravessado o segundo pa\u00eds, seguem-se mais quatro at\u00e9 alcan\u00e7ar a t\u00e3o ambicionada concentra\u00e7\u00e3o motard na Alemanha. Este \u00e9 o terceiro cap\u00edtulo de uma reportagem in\u00e9dita e exclusiva, onde ser\u00e3o contadas todas as hist\u00f3rias por tr\u00e1s de uma aventura que muitos consideraram imposs\u00edvel, at\u00e9 um puto misturar sonho com determina\u00e7\u00e3o e provar o contr\u00e1rio.<\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":383,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3,82],"tags":[15],"class_list":["post-382","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita","category-o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter","tag-o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>O Puto que Cruzou a Europa no Dorso de Uma Scooter (III)<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Um mi\u00fado aguedense de 18 anos montou numa scooter e cruzou 9 mil Km e 6 pa\u00edses com destino a uma concentra\u00e7\u00e3o motard num bosque alem\u00e3o.Esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"O Puto que Cruzou a Europa no Dorso de Uma Scooter (III)\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Um mi\u00fado aguedense de 18 anos montou numa scooter e cruzou 9 mil Km e 6 pa\u00edses com destino a uma concentra\u00e7\u00e3o motard num bosque alem\u00e3o.Esta \u00e9 a sua hist\u00f3ria\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cronicasmadrugada\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2015-04-06T14:32:27+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2019-05-08T23:57:06+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/Imagem-20.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1800\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"1200\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Victor Melo\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Victor Melo\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"17 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/o-puto-que-cruzou-a-europa-no-dorso-de-uma-scooter-iii-espanha\/\"},\"author\":{\"name\":\"Victor Melo\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d\"},\"headline\":\"O PUTO QUE CRUZOU A EUROPA NO DORSO DE UMA SCOOTER \u00abIII &#8211; 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