{"id":394,"date":"2015-04-08T20:37:21","date_gmt":"2015-04-08T20:37:21","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=394"},"modified":"2020-07-14T19:40:20","modified_gmt":"2020-07-14T19:40:20","slug":"semear-a-inspiracao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/semear-a-inspiracao\/","title":{"rendered":"SEMEAR A INSPIRA\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left;\"><span class=\"wpsdc-drop-cap\">A<\/span>\u00a0fresta no assoalho era ligeira, mas permitia-lhe ver que o av\u00f4 n\u00e3o estava a conseguir controlar o medo. Os seus olhos estavam g\u00e9lidos e o discurso trope\u00e7ava cada vez mais, especialmente quando deparou com a nova afirma\u00e7\u00e3o do homem de fato negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Temos imagens que comprovam o teu crime!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O velho jurou inoc\u00eancia e olhou desconsolado para o ch\u00e3o, quando foi amea\u00e7ado de lhe ser confiscada a sua quinta, que j\u00e1 passava de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o h\u00e1 mais de 100 anos. O seu olhar ultrapassava a rusticidade das t\u00e1buas. Sabia que l\u00e1 em baixo estava a sua mulher, o seu neto e a sua neta. Mandara-os esconder-se no por\u00e3o, assim que viu o homem de fato negro estacionar junto \u00e0 sua porta.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Desmente l\u00e1 isto!<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">O homem de negro colocou um tablet no balc\u00e3o, com um v\u00eddeo da fam\u00edlia do velho a semear milho nos campos.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Sabe bem que \u00e9 ilegal reutilizar sementes. N\u00e3o temos registo de ter efetuado qualquer compra no presente ano oficial de cultivo, logo infringiu a lei. A nossa corpora\u00e7\u00e3o tem assim bases legais para process\u00e1-lo por Pirataria Agr\u00edcola.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">C\u00e1 de baixo, o neto via o rosto do av\u00f4 cada vez mais p\u00e1lido e temia v\u00ea-lo desfalecer. Sabia que ele estava a mentir. Ele estivera presente na reuni\u00e3o \u00e0 lareira onde o av\u00f4 partilhou com a Fam\u00edlia a sua decis\u00e3o. Ele tentara cumprir a lei ao longo dos anos, mas tinha-se tornado insustent\u00e1vel. O pre\u00e7o das sementes era car\u00edssimo, n\u00e3o havia outras permitidas no mercado, tinha de comprar aquelas. E custava-lhe seguir a lei que estipulava que todos os anos tinha de comprar sementes novas, mesmo que lhe tivesse sobrado meio saco da semeia do ano anterior.<\/p>\n<p>O neto baixou os olhos e pousou-os no rosto da av\u00f3. Estava triste, numa tristeza que continha tanto de revolta como de resigna\u00e7\u00e3o. Aprendera a semear em tenra idade, com a m\u00e3e, que por sua vez aprendera com a sua m\u00e3e, e por a\u00ed fora, numa longa linhagem de transmiss\u00e3o de sabedoria da terra. Semeavam na primavera, colhiam no final do ver\u00e3o, depois apanhavam as sementes e limpavam-nas durante o inverno, para as voltar a usar na pr\u00f3xima primavera. Sempre fora assim, um ciclo natural da agricultura com s\u00e9culos de idade, que tinha sido interrompido no momento que a corpora\u00e7\u00e3o obteve autoriza\u00e7\u00e3o para patentear as suas sementes. Eram alteradas geneticamente para resistir ao impacto negativo dos herbicidas e para poderem florir at\u00e9 em terrenos \u00e1ridos. Essa era a promessa, mas a realidade acabou por ser outra.<\/p>\n<p>A sua utiliza\u00e7\u00e3o alterou os ecossistemas e viciou os solos, que passaram a rejeitar todas as outras. Nos solos n\u00e3o viciados, a corpora\u00e7\u00e3o deu a volta \u00e0 quest\u00e3o. Atrav\u00e9s do favorecimento pol\u00edtico, conseguiu tornar as sementes naturais ilegais. Apenas as certificadas podiam ser usadas.<br \/>\nMuitos desses pol\u00edticos agora trabalham para a corpora\u00e7\u00e3o, mas no meio do sofrimento quotidiano, j\u00e1 ningu\u00e9m se lembra dessas liga\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>A corpora\u00e7\u00e3o aproveitou o monop\u00f3lio para inflacionar os pre\u00e7os, mas n\u00e3o ficou por aqui. Decidiu que as suas sementes patenteadas teriam de ser compradas todos os anos. Os agricultores estavam proibidos de reutilizar as sementes que tinham \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o na terra, ap\u00f3s a colheita. Mesmo que ainda tivessem sementes por utilizar no saco, era obrigat\u00f3rio destru\u00ed-las e comprar um saco novo.<\/p>\n<p>Ano ap\u00f3s ano, o av\u00f4 tentara cumprir a lei, mas j\u00e1 n\u00e3o dava. Na primavera passada, olhou para o saco meio cheio na prateleira da arrecada\u00e7\u00e3o, que tanto lhe custara a comprar e n\u00e3o resistiu. Reuniu a fam\u00edlia e semearam de noite, como bandidos que se tentam camuflar na escurid\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Hoje, descobriu que a Pol\u00edcia das Sementes tamb\u00e9m usa c\u00e2maras com vis\u00e3o noturna. J\u00e1 n\u00e3o sabe mais o que argumentar. As imagens s\u00e3o irrefut\u00e1veis.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">&#8211; Pronto, est\u00e1 bem, eu aceito pagar a multa \u2013 diz, desconsolado, enquanto assina o papel da admiss\u00e3o de culpa. O olhar cada vez mais pesado volta a pender para o ch\u00e3o. N\u00e3o faz ideia quanto \u00e9 o valor, n\u00e3o sabe como isso vai afetar a subsist\u00eancia dos entes-queridos escondidos no subsolo, mas sabe que n\u00e3o tem qualquer hip\u00f3tese de sobreviver a uma luta judicial contra a corpora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">A realidade imita a fic\u00e7\u00e3o<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Parece um argumento de um filme passado num futuro dist\u00f3pico. No entanto quase poderia dizer-se que \u00e9 a realidade quotidiana de muitos agricultores no mundo. Milhares t\u00eam enfrentado uma luta desigual com as multinacionais que cada vez mais controlam a agricultura.<\/p>\n<p>A Monsanto \u00e9 um gigante empresarial l\u00edder na adultera\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de sementes e detentora de centenas de patentes na \u00e1rea da biotecnologia. Outrora uma empresa de qu\u00edmicos, produziu algumas das subst\u00e2ncias mais t\u00f3xicas conhecidas, como a dioxina (considerada cancer\u00edgena pela Ag\u00eancia Internacional de Pesquisa do Cancro em 1997), os Pcbs (uma neurotoxina e \u201cprov\u00e1vel cancer\u00edgeno\u201d, segundo a Environmental Protection Agency), e at\u00e9 o famigerado Agente Laranja, um herbicida t\u00e3o potente que foi usado pelas for\u00e7as militares americanas para debastar florestas na guerra do Vietname (foram alvos de in\u00fameros processos por parte de veteranos com doen\u00e7as irrevers\u00edveis fruto da exposi\u00e7\u00e3o). Usaram esses produtos durante d\u00e9cadas e ainda hoje se desconhece a dimens\u00e3o do verdadeiro malef\u00edcio ambiental e humano da\u00ed resultante.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 1980, o supremo tribunal americano permitiu que sementes fossem patenteadas, como um \u201cmicro-organismo vivo criado pelo homem\u201d. A Monsanto achou o precedente apetec\u00edvel e come\u00e7ou a concentrar a sua \u00e1rea de actua\u00e7\u00e3o no sector alimentar. Patenteou sementes que resistem a um potente herbicida, tamb\u00e9m produzido pela empresa. Ganhou o dom\u00ednio do mercado americano dos transg\u00e9nicos, com particular evid\u00eancia no milho, soja e algod\u00e3o. Rapidamente come\u00e7ou a perseguir agricultores que alegadamente infringem as suas patentes.<\/p>\n<p>Quem compra as suas sementes est\u00e1 proibido de as reutilizar ou ceder a outros agricultores. O excedente deve ser destru\u00eddo e todos os anos o agricultor \u00e9 obrigado a comprar novas sementes. Usam um ex\u00e9rcito de investigadores privados que semeiam o medo no cora\u00e7\u00e3o da Am\u00e9rica rural. Seguem e fotografam agricultores, filmam campos de cultivo, vasculham o lixo das quintas, infiltram-se em reuni\u00f5es comunit\u00e1rias. Mesmo assim, apesar de toda essa vigil\u00e2ncia \u2013 que lhes valeu a alcunha de \u201cpol\u00edcias das sementeiras\u201d ou \u201cGestapo das sementes\u201d \u2013 o controlo integral \u00e9 complicado. Por isso, muitas vezes, atiram o barro \u00e0 parede.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Foi o que aconteceu com Gary Rinehart, um comerciante numa pequena regi\u00e3o do Missouri, que foi visitado por um desses agentes, que o acusou de estar a usar sementes patenteadas e o amea\u00e7ou com um processo em tribunal que lhe ia custar \u201ctudo o que ele tinha\u201d. Gary nem sequer era agricultor, por isso sabia que a acusa\u00e7\u00e3o era infundada. Quando foi intimado para comparecer em tribunal, contratou um advogado apareceu na sala de audi\u00eancia de peito aberto. Soube que o investigador o tinha filmado na \u00e9poca de planta\u00e7\u00e3o e que na acusa\u00e7\u00e3o estava descrita at\u00e9 a cor do saco de sementes que teria usado. O relat\u00f3rio ia ainda mais longe: Quando ficou vazio, o saco voou para a estrada \u2013 em terreno p\u00fablico \u2013 onde o investigador pode recolher alguns gr\u00e3os de soja, cujas an\u00e1lises em laborat\u00f3rio comprovaram ser \u201ctecnologia da Monsanto\u201d.<\/p>\n<p>Gary parecia estar tramado, n\u00e3o fosse o facto de n\u00e3o ser agricultor e nem sequer ter um terreno agr\u00edcola. Foi dado como provado em tribunal que o investigador se tinha \u201cenganado no agricultor\u201d. A Monsanto limitou-se a desistir da queixa, mas n\u00e3o admitiu publicamente o erro, nem sequer se ofereceu para pagar as despesas com o advogado que Gary, a muito custo, conseguiu suportar. Centenas de agricultores n\u00e3o t\u00eam essa sorte. N\u00e3o podem pagar um advogado, nem suportar uma dispendiosa batalha judicial contra um gigante com recursos ilimitados. S\u00e3o vencidos pela intimida\u00e7\u00e3o antes sequer do primeiro assalto e pagam as multas que a Monsanto aplica, seja a acusa\u00e7\u00e3o verdadeira ou n\u00e3o.<br \/>\nA pr\u00f3pria presen\u00e7a de sementes patenteadas nos seus terrenos pode ter justifica\u00e7\u00f5es naturais, como a poliniza\u00e7\u00e3o, podem ter sido transportadas pelo vento ou por p\u00e1ssaros. Mas as t\u00e1ticas de intimida\u00e7\u00e3o tendem a vergar a mera possibilidade desse argumento.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A fuga \u00e9 dif\u00edcil, as alternativas s\u00e3o cada vez menores. A corpora\u00e7\u00e3o desdobra-se em esfor\u00e7os para controlar o mercado. Em 2005, compraram a Seminis (que na altura controlava 40 por cento do mercado americano das alfaces, tomate e outros vegetais) e a Emergent Genetics, a terceira maior empresa de algod\u00e3o do pa\u00eds. As estimativas apontam que a Monsanto controla 90 por centro da produ\u00e7\u00e3o americana de soja.<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">Documentar a realidade<\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">A capacidade de patentear e privatizar as sementes \u00e9 um precedente perigoso. Quem controla o mercado das sementes controla o fornecimento de comida de uma na\u00e7\u00e3o. Ou do mundo.<\/p>\n<p>A realidade abre cen\u00e1rios alarmantes e t\u00eam sido v\u00e1rias as vozes no planeta a se fazer ouvir em alerta. Uma delas \u00e9 portuguesa. Chama-se Sara Baga e est\u00e1 a realizar um document\u00e1rio chamado \u00abSeed Act\u00bb que aborda toda esta problem\u00e1tica. Viajou e filmou em Portugal, Fran\u00e7a, Gr\u00e9cia, Inglaterra, It\u00e1lia e B\u00e9lgica. Visitou in\u00fameras comunidades agr\u00edcolas e travou conhecimento com v\u00e1rios guardi\u00f5es de sementes, \u201cpessoas que trabalham de v\u00e1rias formas, com as m\u00e3os na terra, a tentar salvar a biodiversidade de sementes de poliniza\u00e7\u00e3o aberta, uma heran\u00e7a ancestral comum criada por agricultores ao longo de milhares de anos\u201d.<\/p>\n<p>A paix\u00e3o que nutre pelo tema \u00e9 percept\u00edvel no seu discurso entusiasmado e compreens\u00edvel pela profundidade da sua raiz. Cresceu nos anos 80 numa \u00e1rea perif\u00e9rica de Lisboa, Amadora, onde costumava passear de m\u00e3o dada com a av\u00f3 em campos baldios, cheios de ervas e flores. O seu s\u00edtio preferido era uma horta que uma senhora cultivava num campo junto \u00e0 esta\u00e7\u00e3o de comboios, onde existiam couves que pareciam gigantes ao lado dela. Sentia-se fascinada por esses momentos, que depois reproduzia nas suas pinturas com guaches e aguarelas.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">A arte foi conquistando espa\u00e7o na sua vida e anos depois estava na Faculdade Belas-artes de Lisboa a tirar o curso de Design de Comunica\u00e7\u00e3o. No quarto\u00a0ano, aproveita um projecto\u00a0escolar para partir \u00e0 descoberta desse mundo marginalizado que a fascinava, as hortas sociais que se espalhavam agora por baldios do centro lisboeta, tal como antigamente na periferia onde tinha crescido. \u201cEra algo totalmente marginal na altura, ao contr\u00e1rio, do que acontece hoje, em que as hortas urbanas ganham nova cara e s\u00e3o vistas pelas pessoas de forma muito diferente de h\u00e1 anos atr\u00e1s\u201d.<br \/>\nSara foi conhecer agricultores, falar com eles, escrever sobre o que faziam, fotografar as suas hortas. A partir da\u00ed come\u00e7ou a olhar para os sistemas alimentares com outros olhos e a aprofundar o seu conhecimento na \u00e1rea. \u201cSobretudo pensar criticamente sobre a evolu\u00e7\u00e3o desta sociedade, as cidades e o campo, a forma como nos alimentamos e como vemos aqueles que nos trazem o alimento\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-407 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-1024x576.jpg\" alt=\"trigo colheita 3-2\" width=\"800\" height=\"450\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-600x338.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2-1200x675.jpg 1200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/trigo-colheita-3-2.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Semear a primeira obra<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Em 2010, depois de um inverno frio em Amesterd\u00e3o como bolseira de uma resid\u00eancia art\u00edstica num projecto de arte social sobre gentrifica\u00e7\u00e3o em espa\u00e7o urbano, apanha um avi\u00e3o para a Guin\u00e9-Bissau para fazer um document\u00e1rio.\u201cFui ter com o meu amigo Fernando Sousa, investigador em seguran\u00e7a alimentar e biologia de solos que estava a fazer uma pesquisa sobre seguran\u00e7a alimentar na zona e o caso da monocultura de caju\u201d.<\/p>\n<p>Nessa viagem, Sara teve oportunidade de conhecer comunidades de etnias de agricultores em \u00e1reas muito remotas, mas todas elas dependentes da produ\u00e7\u00e3o de caju para exportar para a \u00cdndia em troca de arroz. \u201c\u00c9 um pa\u00eds com uma grande fatia de popula\u00e7\u00e3o camponesa que vive de forma extremamente simples mas est\u00e1 a sofrer muito por n\u00e3o ter nem soberania alimentar nem recursos econ\u00f3micos que a colmatem\u201d, refere Sara, acrescentando que a Guin\u00e9-Bissau \u201ctinha j\u00e1 nessa altura mais de sete por cento da sua \u00e1rea coberta com monocultura de caju, uma extens\u00e3o imensa para a escala de um pa\u00eds\u201d.<\/p>\n<p>Dessa experi\u00eancia nasce o seu primeiro document\u00e1rio, \u00abHortas Di Pobreza\u00bb, que venceu o pr\u00e9mio de melhor longa-metragem lus\u00f3fona no FESTin em 2011. Durante o processo de edi\u00e7\u00e3o, sentiu uma epifania que estaria na origem do \u00abSeed Act\u00bb. \u201cTive um flash, uma vis\u00e3o sobre um filme que ainda n\u00e3o existia, que se apresentasse em actos, como numa pe\u00e7a teatral, e cada acto aparecia isolado no seu contexto espec\u00edfico. Cada acto era uma situa\u00e7\u00e3o concreta e cada situa\u00e7\u00e3o era uma ideia para ac\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Esse des\u00edgnio \u00e9 uma das origens do t\u00edtulo, que faz um trocadilho com uma outra palavra, outra situa\u00e7\u00e3o, que a inspirou por antagonismo: \u201cFederal Seed Act foi a primeira lei sobre sementes que foi criada nos EUA, seguiram-se outras e elas abriram precedentes para que a ind\u00fastria corporativa come\u00e7asse a controlar o mercado de sementes, que antes era t\u00e3o aberto (verdadeiramente, n\u00e3o no sentido neoliberal) quanto local, e fizeram com que os agricultores que seleccionavam e cuidavam as sementes fossem remetidos para um papel secund\u00e1rio\u201d, refere, sublinhando um outro precedente mal-intencionado, o do registo obrigat\u00f3rio das sementes &#8211; em nome de individual ou de uma corpora\u00e7\u00e3o &#8211; para que pudessem ser vendidas.<\/p>\n<p>\u201cAs sementes evolu\u00edram por diversidade junto dos agricultores do mundo por mil\u00e9nios. Diversidade significa possibilidade de vida e adapta\u00e7\u00e3o, enquanto a uniformidade que se quer tornar normativa est\u00e1 associada \u00e0 perda de diversidade e morte, particularmente porque esse crit\u00e9rio foi criado para controlo industrial do sistema alimentar\u201d. Acrescenta ainda: \u201cNos \u00faltimos anos temos visto uma tentativa de associar o registo de sementes \u00e0 patentea\u00e7\u00e3o de sementes. Ora, as patentes foram criadas para registar autoria sobre inven\u00e7\u00f5es, as sementes n\u00e3o s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es, s\u00e3o seres vivos e estes tratados foram os primeiros a abrir a possibilidade de registar patentes sobre a vida\u201d. Um momento de pausa, o olhar long\u00ednquo no horizonte e uma convic\u00e7\u00e3o bem presente: \u201cA Monsanto e as outras quatro megacorpora\u00e7\u00f5es &#8211; que tentam controlar industrialmente as sementes e s\u00e3o basicamente derivadas da ind\u00fastria qu\u00edmica e armamento do s\u00e9culo XX &#8211; n\u00e3o t\u00eam lugar num futuro em que as sementes ser\u00e3o um bem comum da humanidade\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><span style=\"color: #333333;\"><strong>Casualidade inspiradora<\/strong><\/span><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Antes de partir para a produ\u00e7\u00e3o de \u201cSeed Act\u201d, passou por outra experi\u00eancia inspiradora. Visitou com os pais uma exposi\u00e7\u00e3o de pintura de um amigo numa livraria do Bairro Alto e, por mero acaso, descobre que est\u00e1 a decorrer uma apresenta\u00e7\u00e3o na sala ao lado. Intitula-se \u201cColher para Semear\u201d. Foi a\u00ed que conheceu Jos\u00e9 Miguel Fonseca \u2013 que apelida de \u201co ca\u00e7ador de sementes portugu\u00eas\u201d \u2013 fundador de uma associa\u00e7\u00e3o hom\u00f3nima \u00e0 palestra. \u201cBasicamente s\u00e3o um banco de sementes tradicionais agr\u00edcolas, cujos guardi\u00f5es de sementes replicam as variedades antigas de sementes que descobrem pa\u00eds fora, mantendo-as vivas\u201d.<\/p>\n<p>Sara adorou a experi\u00eancia, o contacto com aquelas pessoas \u201cincr\u00edveis, humildes e muito dedicadas a preservar esta fr\u00e1gil e important\u00edssima heran\u00e7a que s\u00e3o as sementes agr\u00edcolas tradicionais\u201d. Ela pr\u00f3pria tornou-se uma guardi\u00e3 de sementes.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-406 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10955426_846457382092575_7510128015081578456_o-1024x683.jpg\" alt=\"10955426_846457382092575_7510128015081578456_o\" width=\"800\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10955426_846457382092575_7510128015081578456_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10955426_846457382092575_7510128015081578456_o-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10955426_846457382092575_7510128015081578456_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10955426_846457382092575_7510128015081578456_o.jpg 2048w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><\/p>\n<h2 style=\"text-align: left;\"><strong><br \/>\n<span style=\"color: #333333;\">De volta aos campos f\u00e9rteis <\/span><\/strong><\/h2>\n<p style=\"text-align: left;\">Quando meteu m\u00e3os \u00e0 obra, percebeu que a ideia parecia megal\u00f3mana para uma realizadora independente, sem produtora nem financiamento. Mas para al\u00e9m de uma for\u00e7a de vontade indom\u00e1vel, Sara n\u00e3o queria fazer o filme sozinha, mas em equipa. E a equipa foi aparecendo: \u201cfui convidando algumas pessoas para fazerem parte do projecto. Um dos grandes desafios foi escolher quem e que est\u00f3rias colocar no filme. A minha cabe\u00e7a fervilhava de ideias e a cada dia me aparecia uma nova possibilidade. Escolher entre elas foi um processo longo de decis\u00e3o, de constru\u00e7\u00e3o de possibilidades complementares para criar um filme que \u00e9 uma hist\u00f3ria cheia de hist\u00f3rias, cada uma a mostrar algo \u00fanico, dentro do geral que \u00e9 a multiplicidade de formas de fazer uma mesma coisa &#8211; salvar as sementes\u201d.<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-405 alignright\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10928867_829234883814825_8323963324965732388_n.jpg\" alt=\"10928867_829234883814825_8323963324965732388_n\" width=\"423\" height=\"326\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10928867_829234883814825_8323963324965732388_n.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/10928867_829234883814825_8323963324965732388_n-300x232.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 423px) 100vw, 423px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Durante a produ\u00e7\u00e3o conheceu \u201cpessoas incr\u00edveis\u201d, algumas que a acompanharam na \u201ccaminhada incerta\u201d, outras que por falta de recursos econ\u00f3micos para conseguir pagar os custos de viagens acabaram por ficar de fora. Mas diversas vezes, quando confrontada com a adversidade, houve situa\u00e7\u00f5es m\u00e1gicas que se conjugaram e fizeram acontecer.<\/p>\n<p>Em 2014 pretendia filmar uma serie de situa\u00e7\u00f5es mas n\u00e3o tinha or\u00e7amento para todas as viagens. De repente, surge a Caravana Internacional pela Liberdade das Sementes, que permite a desloca\u00e7\u00e3o a Fran\u00e7a &#8211; onde h\u00e1 uma associa\u00e7\u00e3o de guardi\u00f5es de sementes chamada kokopelli que h\u00e1 uma d\u00e9cada luta em tribunal para poder continuar a vender as suas sementes &#8211; e \u00e0 Gr\u00e9cia, onde os Peliti organizam o maior festival de d\u00e1divas de sementes do mundo, onde guardi\u00f5es volunt\u00e1rios oferecem sementes e almo\u00e7o a mais de seis mil pessoas, num povoado distante no norte do pa\u00eds, perto das montanhas de Rodopia.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cAcho que foi uma conspira\u00e7\u00e3o sincr\u00f3nica do universo a dizer \u2013 \u2018bora, tudo \u00e9 poss\u00edvel, mesmo sem budget! E assim tem sido, porque em tr\u00eas anos e com um ter\u00e7o do or\u00e7amento previsto conseguimos continuar a construir este projecto, mesmo sem ningu\u00e9m receber nenhuma remunera\u00e7\u00e3o pelo trabalho\u201d, assegura Sara.\u00a0Os seus honor\u00e1rios t\u00eam sido as sensa\u00e7\u00f5es de gratifica\u00e7\u00e3o que vai sentindo ao longo do projecto, por estar a criar algo que possa inspirar as pessoas e que fa\u00e7a a sociedade mover-se um bocadinho mais para a soberania alimentar e para a agroecologia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-403 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/891758_655259924545656_8329774371039130033_o-1024x683.jpg\" alt=\"891758_655259924545656_8329774371039130033_o\" width=\"801\" height=\"534\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/891758_655259924545656_8329774371039130033_o-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/891758_655259924545656_8329774371039130033_o-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/891758_655259924545656_8329774371039130033_o-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/891758_655259924545656_8329774371039130033_o.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 801px) 100vw, 801px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u201cQuando comecei este projecto tinha apenas a ideia de que queria fazer um filme que fosse uma d\u00e1diva, que fosse uma semente, livre, sem patentes e que se multiplicasse, tocando muitas e muitas pessoas ao longo do seu caminho\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">\u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 \u00a0 __________________________________________________________________________________________<\/p>\n<p style=\"text-align: left;\">Decorre presentemente uma campanha de crowdfunding (<a href=\"http:\/\/tinyurl.com\/kazoef9\">http:\/\/tinyurl.com\/kazoef9<\/a>) para financiar a p\u00f3s-produ\u00e7\u00e3o de \u00abSeed Act\u00bb, tendo j\u00e1 angariado cerca de 5 mil d\u00f3lares. A campanha termina dentro de tr\u00eas dias. Seja qual for o total do valor angariado, \u201co projecto ir\u00e1 florescer\u201d, garante a jovem realizadora. H\u00e1 sementes assim\u2026<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O acto de semear \u00e9 cada vez menos natural. A artificializa\u00e7\u00e3o \u00e9 deliberada e tem des\u00edgnios bem enraizados no controlo industrial do sistema alimentar. As consequ\u00eancias fazem-se sentir a v\u00e1rios n\u00edveis, alguns ro\u00e7am o macabro. H\u00e1 cada vez mais pessoas atentas a essas ra\u00edzes e determinadas em arranc\u00e1-las. 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