{"id":444,"date":"2015-06-08T16:50:52","date_gmt":"2015-06-08T16:50:52","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=444"},"modified":"2021-04-05T14:40:52","modified_gmt":"2021-04-05T14:40:52","slug":"em-busca-da-aldeia-perdida-parte-i","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-da-aldeia-perdida-parte-i\/","title":{"rendered":"EM BUSCA DA ALDEIA PERDIDA  (Parte I)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u201cDevo estar a ficar velho e respons\u00e1vel\u201d, pensei, ap\u00f3s desligar o telem\u00f3vel. Acho que era a primeira vez que cancelava uma expedi\u00e7\u00e3o devido \u00e0s condi\u00e7\u00f5es meteorol\u00f3gicas. Tinha combinado um trekking durante dois dias na Rota do Vale Glaciar, na Serra da Estrela, que inclui a ascens\u00e3o ao ponto mais alto de Portugal continental. Era algures nesses dois mil metros de altura que me imaginava a montar o acampamento. No entanto, h\u00e1 quatro dias que consultava as previs\u00f5es do tempo na regi\u00e3o e o s\u00edmbolo da trovoada teimava em permanecer l\u00e1. Um acampamento selvagem \u00e0quela altitude, com as condi\u00e7\u00f5es morfol\u00f3gicas daquela montanha e com trovoada \u00e0 mistura, seria sin\u00f3nimo de uma noite memor\u00e1vel ou de uma dan\u00e7a demasiado ex\u00f3tica com o perigo. E eu j\u00e1 tivera a minha noite memor\u00e1vel com raios e coriscos. Em New Lowell, um parque florestal no Sudeste canadiano, vivi a noite de tempestade mais temperamental que tenho mem\u00f3ria em todos os meus acampamentos. Os rel\u00e2mpagos pareciam entrar pela tenda adentro e os trov\u00f5es eram ensurdecedores. O estrondo de um deles foi t\u00e3o intenso que jurei ter sentido a terra tremer. Quando o dia clareou, descobri que provavelmente tremeu mesmo, mas com o corpo inerte de uma \u00e1rvore, derrubada por um raio a cerca de 400 metros da minha tenda. Os meus 19 anos coloriram o epis\u00f3dio, ao ponto de o tornar atrativo. Hoje descobri que devo ter arrumado esses l\u00e1pis de cera pueris numa gaveta distante. N\u00e3o os vou procurar. Vou antes procurar uma alternativa. Faltam menos de 24 horas para o arranque.<\/p>\n<figure id=\"attachment_447\" aria-describedby=\"caption-attachment-447\" style=\"width: 607px\" class=\"wp-caption alignright\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8696.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-447\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8696-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8696\" width=\"607\" height=\"405\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8696-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8696-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8696-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 607px) 100vw, 607px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-447\" class=\"wp-caption-text\">Parte do tronco da \u00e1rvore abatida por um raio na floresta de New Lowell, no Canad\u00e1.<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre senti fasc\u00ednio pelas aldeias-fantasma de Portugal. Esses locais cheios de sil\u00eancio e mem\u00f3rias que vagueiam pelas ruelas de pedra e espreitam pelas esquinas de xisto. J\u00e1 percorri algumas das doze que salpicam a montanha da Lous\u00e3; J\u00e1 estive em Vilarinho das Furnas; j\u00e1 fui a Drave, que \u00e9 apelidada de \u201caldeia m\u00e1gica\u201d, mas n\u00e3o nas condi\u00e7\u00f5es ideais (estava l\u00e1 um acampamento de escuteiros e quero l\u00e1 pernoitar com a aldeia totalmente deserta); Colmeal est\u00e1 demasiado longe para t\u00e3o pouca anteced\u00eancia; e depois h\u00e1 a aldeia da Pena, de onde sempre me chegaram relatos entusiasmados, ao ponto de ser classificada como \u201cm\u00edtica\u201d. Fiz a proposta aos meus tr\u00eas companheiros de viagem e eles receberam-na com agrado. Um trekking de um dia, durante 14 quil\u00f3metros e com desn\u00edvel dos 500 aos 1050 metros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Arrancamos s\u00e1bado bem cedo. Paramos em S\u00e3o Pedro do Sul para tomar um caf\u00e9 e aproveitamos para pedir algumas informa\u00e7\u00f5es sobre a aldeia onde\u00a0come\u00e7a o trilho, Covas do Rio. Uma das empregadas da padaria \u00e9 de l\u00e1 e indica-nos o melhor caminho a seguir. No entanto, diz que h\u00e1 \u201cdemasiadas voltas\u201d mais l\u00e1 para a frente, pelo que nos sugere voltar depois a perguntar. Cert\u00edssimo. \u00c0 sa\u00edda da cidade, atravessamos uma pequena povoa\u00e7\u00e3o com meia d\u00fazia de casas. N\u00e3o h\u00e1 ningu\u00e9m na rua mas no p\u00e1tio da \u00faltima casa h\u00e1 duas crian\u00e7as de cinco ou seis anos a brincar. Paro l\u00e1 o carro, abro o vidro e pergunto: \u201cO vosso pai est\u00e1 em casa?\u201d. \u201cFeita a pergunta dessa forma, pareces um ped\u00f3filo a averiguar se a costa est\u00e1 livre\u201d, dispara a Xana, sorridente. O mi\u00fado riu-se ao ver-nos a rir e foi a correr chamar o pai, que surge segundos depois, simp\u00e1tico mas com informa\u00e7\u00f5es nada simp\u00e1ticas. Diz-nos que ainda estamos a 30 quil\u00f3metros da aldeia, o dobro do que imaginava. Contra a minha religi\u00e3o no que diz respeito a viagens n\u00e3o urbanas, l\u00e1 resolvemos recorrer ao GPS da Teresa, nem que seja para controlar a dist\u00e2ncia. Um bra\u00e7o levantado de agradecimento ao pai e arrancamos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ap\u00f3s uma longa e vertiginosa descida que se assemelha a uma montanha russa de alcatr\u00e3o, chegamos a Covas do Rio pouco depois das 11 horas. \u00c9 uma aldeia t\u00edpica da regi\u00e3o centro portuguesa, com ruas estreitas e casas tradicionais de xisto e ard\u00f3sia, embora existam tamb\u00e9m algumas habita\u00e7\u00f5es mais convencionais, de cimento e telha, que destoam ligeiramente mas n\u00e3o o suficiente para a descaracterizar. Visitamos a povoa\u00e7\u00e3o, conversamos com alguns locais, enchemos os cantis na fonte do centro da aldeia e arrancamos para o trilho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-454 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8679-2-1024x684.jpg\" alt=\"IMG_8679-2\" width=\"981\" height=\"655\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8679-2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8679-2-600x401.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8679-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 981px) 100vw, 981px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-448 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8414-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8414-2\" width=\"506\" height=\"759\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8414-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8414-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8414-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 506px) 100vw, 506px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Minutos antes, um agricultor tinha apontado para um desfiladeiro alto e rochoso que se avista \u00e0 dist\u00e2ncia, sulcado entre duas enormes montanhas, onde nada se vislumbra a n\u00e3o ser escarpas de rocha e densa vegeta\u00e7\u00e3o. \u00c9 dif\u00edcil imaginar uma passagem por aquela via, mas ele garantira que o caminho para a Aldeia da Pena era por ali. N\u00e3o questionamos e arrancamos na dire\u00e7\u00e3o daqueles gigantes gran\u00edticos. A primeira meia hora de caminhada \u00e9 feita num trilho f\u00e1cil de seguir, ladeado por muros de pedras cobertas de musgo. Este percurso n\u00e3o est\u00e1 marcado, n\u00e3o existem as t\u00edpicas riscas amarelas e vermelhas. Na primeira bifurca\u00e7\u00e3o que encontramos, seguimos a indica\u00e7\u00e3o da mariola, um conjunto de pedras sobrepostas em forma de pir\u00e2mide que s\u00e3o uma forma de sinaliza\u00e7\u00e3o centen\u00e1ria criada por pastores para se orientarem nas serras. H\u00e1 uma esp\u00e9cie de c\u00f3digo t\u00e1cito de montanhismo que sugere ao caminhante que contribua para a manuten\u00e7\u00e3o desses sinais valiosos, ou reconstruindo os que sucumbiram \u00e0s intemp\u00e9ries ou adicionando uma pedra a um j\u00e1 existente. Tenho o h\u00e1bito de o fazer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8421-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-449 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8421-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8421-2\" width=\"638\" height=\"957\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8421-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8421-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8421-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8423-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-450 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8423-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8423-2\" width=\"857\" height=\"571\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8423-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8423-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8423-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 857px) 100vw, 857px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-451 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8432-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8432-2\" width=\"858\" height=\"572\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8432-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8432-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8432-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 858px) 100vw, 858px\" \/><br \/>\nPouco a pouco, o trilho come\u00e7a a ficar cada vez mais estreito, primeiro come\u00e7ou a ser comprimido pela vegeta\u00e7\u00e3o, depois pela ribanceira que nos acompanha do lado direito, juntamente com o som de um curso de \u00e1gua l\u00e1 em baixo, algures sob a copa das \u00e1rvores.<br \/>\nDeduzo que estamos no trilho que os locais apelidam de \u201cCaminho Onde o Morto Matou o Vivo\u201d. A explica\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o tr\u00e1gica quanto ir\u00f3nica: A Aldeia da Pena situa-se num vale profundo e antigamente n\u00e3o tinha um cemit\u00e9rio. Os mortos eram transportados at\u00e9 \u00e0 aldeia mais pr\u00f3xima, Covas do Rio, por um trilho ingreme e sinuoso, t\u00e3o estreito que s\u00f3 consegue passar uma pessoa de cada vez. O caix\u00e3o era carregado aos ombros por duas pessoas, uma \u00e0 frente outra atr\u00e1s. Numa dessas travessias f\u00fanebres, o carregador da frente trope\u00e7ou e o caix\u00e3o caiu em cima dele, matando-o.<br \/>\nUns largos minutos \u00e0 frente, \u00e9 poss\u00edvel descer ao curso de \u00e1gua. Resolvemos fazer uma pausa para relaxar. Est\u00e3o 32 graus, sabe tirar as botas e mergulhar os p\u00e9s na \u00e1gua fresca, deitar na superf\u00edcie lisa das rochas e desfrutar da sombra do arvoredo e do som buc\u00f3lico do ribeiro e das suas pequenas quedas de \u00e1gua. Aproveitamos para hidratar e comer uma barra de cereais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8506-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-453 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8506-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8506-2\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8506-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8506-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8506-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em boa hora o fizemos, a partir daqui o tro\u00e7o aumenta consideravelmente o declive. O esfor\u00e7o \u00e9 maior e a energia suplementar \u00e9 bem-vinda. Por vezes paramos e olhamos para a montanha do lado direito, um maci\u00e7o cinzento que enverga uma t\u00fanica verde de mato que se ergue tanto que quase sentimos uma ligeira tontura ao acompanh\u00e1-lo com o olhar at\u00e9 ao topo. Mais \u00e0 frente, avistamos uma pequena piscina natural com \u00e1gua cor de esmeralda e longos ramos a abrig\u00e1-la do sol ardente de final de primavera. Os raios que trespassam a folhagem oferecem uma convidativa mistura de tonalidades \u00e0 \u00e1gua. \u00c9 bem mais ampla do que a \u201cbanheira\u201d onde nos refresc\u00e1mos minutos atr\u00e1s, mas j\u00e1 estamos vestidos, de mochila \u00e0s costas e com vontade de seguir caminho, por isso optamos por declinar o convite.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-458 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8561-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8561-2\" width=\"918\" height=\"612\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8561-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8561-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8561-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 918px) 100vw, 918px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8541-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-455 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8541-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8541-2\" width=\"589\" height=\"393\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8541-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8541-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8541-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 589px) 100vw, 589px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8553-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-456 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8553-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8553-2\" width=\"593\" height=\"890\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8553-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8553-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8553-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 593px) 100vw, 593px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8560-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-457 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8560-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8560-2\" width=\"575\" height=\"863\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8560-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8560-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8560-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 575px) 100vw, 575px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A meio da subida est\u00e1 uma pequena plataforma, onde se ergue um solit\u00e1rio, gordo e contorcido tronco oco. Daqui, \u00e9 poss\u00edvel avistar Covas do Rio, que parece inacreditavelmente long\u00ednqua e inacess\u00edvel. Quem diria que est\u00e1 apenas a hora e meia de caminho. Entro no ventre da \u00e1rvore e registo a sua silhueta distante com uma fotografia, emoldurada pelo tronco rugoso.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8564-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-459 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8564-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8564-2\" width=\"599\" height=\"899\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8564-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8564-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8564-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 599px) 100vw, 599px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8565-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-460 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8565-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8565-2\" width=\"580\" height=\"870\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8565-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8565-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8565-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 580px) 100vw, 580px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Continuamos a subir por entre vegeta\u00e7\u00e3o de um verde t\u00e3o v\u00edvido que parece viscoso, o ondular das folhagens \u00e9 pegajoso e cola-se aos nossos sentidos e \u00e0 nossa imagina\u00e7\u00e3o. Curiosamente, o trilho prossegue por uma zona que evoca uma floresta h\u00famida da Am\u00e9rica Latina, com corpos gran\u00edticos tatuados a musgo e l\u00edquenes e com lianas que descaem ocasionalmente, como madeixas despenteadas. Passamos pelas ru\u00ednas de um velho moinho, j\u00e1 sem telhado, portas e janelas, que em tempos mais \u00e1ureos ter\u00e1 aproveitado as \u00e1guas do ribeiro para dar sustento a algu\u00e9m. A partir daqui o trilho sobe a pique, numa tosca escadaria de pedra que ziguezagueia pelo penedo acima. Custa imaginar um caix\u00e3o a ser transportado por aqui. Mesmo com botas de montanhismo \u00e9 f\u00e1cil escorregar nos calhaus soltos, num momento de distra\u00e7\u00e3o. E n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para cair a n\u00e3o ser para baixo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-463 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8573-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8573-2\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8573-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8573-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8573-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-462 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8570-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8570-2\" width=\"664\" height=\"996\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8570-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8570-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8570-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 664px) 100vw, 664px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-464 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8578-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8578-2\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8578-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8578-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8578-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><br \/>\nOs ponteiros marcam 14: 25 quando atingimos o topo. Aqui, na crista do desfiladeiro, \u00e9 poss\u00edvel descortinar uma passagem, um corredor natural que serpenteia entre as rochas e que, depois de percorrido, nos permite ver finalmente o que existe do outro lado da montanha. Para al\u00e9m de vastos planaltos acastanhados que se misturam com o verde luxuriante da mancha florestal do vale, j\u00e1 \u00e9 poss\u00edvel avistar os telhados de ard\u00f3sia das casas da Aldeia da Pena, que brilham com o reflexo do sol.<br \/>\n<img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-465 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8579-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8579-2\" width=\"441\" height=\"661\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8579-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8579-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8579-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 441px) 100vw, 441px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-466 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8580-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8580-2\" width=\"710\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8580-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8580-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8580-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 710px) 100vw, 710px\" \/><\/p>\n<p>Deixo os meus companheiros seguir viagem, retiro o cantil da mochila e permane\u00e7o ali uns instantes a saborear o momento. \u00c9 impressionante a exist\u00eancia deste tipo de trilhos rec\u00f4nditos, que sulcam tranquilamente locais que \u00e0 dist\u00e2ncia se considerariam inacess\u00edveis e por onde se colocaria fora de hip\u00f3tese qualquer possibilidade de passagem. Surge-me na mem\u00f3ria o filme \u201c300\u201d. A parte onde Ephialtes \u2013 um grego acossado pelo facto dos espartanos n\u00e3o o deixarem integrar o seu ex\u00e9rcito devido \u00e0s suas deforma\u00e7\u00f5es f\u00edsicas \u2013 cria uma alian\u00e7a com o rei invasor, Xerxes, ensinando-lhe um trilho secreto por entre as montanhas que permite ao ex\u00e9rcito persa obter uma vantagem territorial que se revelaria fulcral no desfecho da batalha. Essa influ\u00eancia foi sempre sendo determinante ao longo dos s\u00e9culos. Viriato usou a mesma vantagem sobre os romanos na Serra da Estrela, Pel\u00e1gio sobre os mouros nas montanhas das Ast\u00farias, os vietcongs sobre os americanos nas florestas vietnamitas, os mujahidins sobre os sovi\u00e9ticos nos desertos afeg\u00e3os. S\u00f3 no presente s\u00e9culo \u00e9 que a tecnologia alterou para sempre a forma como as guerras s\u00e3o travadas e despiu a signific\u00e2ncia desse precioso conhecimento territorial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-468 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8583-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8583-2\" width=\"979\" height=\"653\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8583-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8583-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8583-2-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8583-2-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 979px) 100vw, 979px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O trilho segue por um pequeno bosque \u00e0 direita, mas os planaltos parecem apetec\u00edveis para caminhar, resolvemos atravess\u00e1-los. \u00c0 medida que nos aproximamos das \u00e1rvores, ouvimos o tilintar das campainhas do gado, por vezes mais pr\u00f3ximo do que as espessas ramagens verdes nos deixam observar. Numa pequena clareira num patamar acima, est\u00e1 a \u00fanica passagem que nos permite regressar ao trilho que desce em dire\u00e7\u00e3o da aldeia. O \u00fanico problema \u00e9 que entre n\u00f3s e essa passagem est\u00e1 um enorme boi com olhar de poucos amigos. Ou enfrentamos o bicho ou retrocedemos seis ou sete centenas de metros at\u00e9 \u00e0 curva do trilho inicial. \u00a0Resolvemos atirar uma moeda ao ar. Caras, n\u00e3o seguimos em frente e coroa, voltamos para tr\u00e1s. Saiu caras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-467 alignright\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8582-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8582-2\" width=\"613\" height=\"409\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8582-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8582-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8582-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 613px) 100vw, 613px\" \/><\/p>\n<p>J\u00e1 no trilho, passamos a ter a companhia de dois cavalos, que nos v\u00e3o seguindo, paralelamente ao caminho, separados por uma r\u00fastica cerca com paus e estacas de madeira. A Teresa n\u00e3o resiste a fazer-lhes uma festa no focinho e o gesto encoraja-os.\u00a0Saltam literalmente a cerca e passam a seguir-nos, mas desta vez atr\u00e1s de n\u00f3s.<\/p>\n<p>O caminho \u00e9 estreito e os seus cascos s\u00e3o cada vez mais aud\u00edveis no cascalho, \u00e0 retaguarda. S\u00e3o animais amistosos mas se acelerarem o passo, n\u00e3o h\u00e1 espa\u00e7o para todos. Envoltos neste caricato momento, vamos descendo aquele caminho de cabras e soltando algumas risadas que talvez escondam mais nervosismo do que outra coisa. At\u00e9 que atravessamos um pequeno riacho e eles ficam por l\u00e1 a beber \u00e1gua.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entramos finalmente na m\u00edtica Aldeia da Pena, com as suas ador\u00e1veis casas pequeninas de xisto e telhado de ard\u00f3sia. Paramos na fonte, para passar \u00e1gua fresca pelo cabelo e encher os cantis. Est\u00e1vamos cansados e com a sensa\u00e7\u00e3o de objetivo atingido. Finalmente naquele lend\u00e1rio vale perdido, longe de tudo, incluindo da no\u00e7\u00e3o que a verdadeira aventura estava ainda a come\u00e7ar.<\/p>\n<p><em><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-da-aldeia-perdida-parte-ii\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">[Ler segundo cap\u00edtulo]<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatos de um trekking por entre desfiladeiros secretos, vales profundos e montanhas de perder de vista, na senda da m\u00edstica Aldeia da Pena, onde as lendas coabitam com os seus fantasmas adormecidos. 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