{"id":477,"date":"2015-06-09T21:28:27","date_gmt":"2015-06-09T21:28:27","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=477"},"modified":"2021-04-05T14:45:35","modified_gmt":"2021-04-05T14:45:35","slug":"em-busca-da-aldeia-perdida-parte-ii","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-da-aldeia-perdida-parte-ii\/","title":{"rendered":"EM BUSCA DA ALDEIA PERDIDA  (Parte II)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Os antigos falam de uma aldeia alojada na serra de S\u00e3o Mac\u00e1rio, chamada Cova da Serpe. Deram-lhe esse nome pois existia l\u00e1 perto uma gruta onde vivia uma serpente, t\u00e3o grande que a apelidavam de serpente-drag\u00e3o. O bicho espalhava o terror pela pacata povoa\u00e7\u00e3o. \u00c0 noite, os habitantes trancavam as janelas e sentavam-se no ch\u00e3o, de costas voltadas para as paredes, enquanto ouviam, aterrorizados, o pesaroso arrastar do seu corpo escamoso pelas ruas de pedra. Inevitavelmente, ouviam \u00e0 dist\u00e2ncia o bramido abafado de um animal e benziam-se. O gado costumava ser a sua presa principal, mas por vezes tamb\u00e9m atacava humanos. Todos que a enfrentaram n\u00e3o ter\u00e3o sobrevivido para contar a hist\u00f3ria. Os habitantes, fartos de sofrer \u00e0 custa do vil r\u00e9ptil, resolveram mudar-se para outro lugar, do outro lado da montanha, num vale profundo, protegido pelas fragas colossais que estreitavam o desfiladeiro que lhe dava acesso. Pedra a pedra, constru\u00edram l\u00e1 uma aldeia e passaram a viver noites um pouco mais tranquilas, embora n\u00e3o fosse incomum abrirem a janela de madrugada e permanecerem alguns minutos a observar as montanhas, em busca de uma silhueta amea\u00e7adora. Viviam com mais seguran\u00e7a, mas sentiam imensas saudades da terra dos seus antepassados, onde tinham passado toda a sua vida. \u201c\u00c9 uma pena\u201d, costumavam dizer. E assim, desabafo a desabafo, os anos foram passando num compasso l\u00e2nguido. Nunca aceitaram bem aquela nova aldeia, um lar bastardo que lhes fora impingido e que tinham dificuldade em amar. A Aldeia da Pena.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais de tr\u00eas horas que estamos naquele maravilhoso terra\u00e7o, coberto por videiras e com vista desafogada para o vale. J\u00e1 ali escut\u00e1mos hist\u00f3rias sobre a aldeia, j\u00e1 comemos e bebemos, j\u00e1 libert\u00e1mos o olhar para os confins das cordilheiras que se perdem no horizonte. S\u00f3 nos d\u00e1 vontade de permanecer ali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-da-aldeia-perdida-parte-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\">Ao chegar \u00e0 Aldeia da Pena<\/a>, t\u00ednhamos encontrado dois homens a restaurar uma das casas de xisto. Perguntei-lhes se havia um caf\u00e9 por aquelas bandas. Estava a derreter e desejoso pela espuma fresca de uma cerveja, pelo que a quest\u00e3o soltou-se sem grande convic\u00e7\u00e3o. Se em Covas do Rio, que \u00e9 uma aldeia muito maior, n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico estabelecimento desses, era ainda mais improv\u00e1vel existir numa aldeia com seis habitantes.Para meu espanto, a resposta foi positiva. A menos de 10 metros, ao dobrar uma esquina, deparei com a placa \u201cAdega T\u00edpica da Pena\u201d e com aquele terra\u00e7o\u00a0espantoso.<br \/>\nFoi paix\u00e3o \u00e0 primeira vista. Um papagaio chamado Chico que nos cumprimenta \u00e0 entrada, uma paisagem assombrosa, lajes de xisto a fazer de\u00a0mesas e um mundo de pequenas peculiaridades r\u00fasticas salpicadas pelo espa\u00e7o, que apenas se encontram nestes encantadores fins-do-mundo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-483 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8603-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8603-2\" width=\"828\" height=\"553\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8603-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8603-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8603-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 828px) 100vw, 828px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-480 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8593-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8593-2\" width=\"825\" height=\"551\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8593-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8593-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8593-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 825px) 100vw, 825px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O menu \u00e9 feito em ard\u00f3sia, com v\u00e1rios petiscos anunciados a giz e preparados na hora na churrasqueira mesmo l\u00e1 ao lado. Como n\u00e3o faz\u00edamos ideia que existia aqui um espa\u00e7o destes, traz\u00edamos o nosso farnel nas mochilas, para um piquenique improvisado num recanto qualquer da aldeia. Pergunt\u00e1mos ao dono se pod\u00edamos pedir bebidas mas comer as nossas previs\u00f5es, que simpaticamente acedeu. Fic\u00e1mos a saber que se chama Alfredo Brito e que \u00e9 um artes\u00e3o, que constr\u00f3i r\u00e9plicas em miniatura das casas t\u00edpicas da regi\u00e3o. Exibe-as no interior do bar, que est\u00e1 rechead\u00edssimo de mil e um objectos t\u00edpicos, incluindo uma cabe\u00e7a de javali que, n\u00e3o sei porqu\u00ea, me evoca um ambiente cinematogr\u00e1fico caracter\u00edstico do \u00c1lex de la Iglesia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-484 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8621-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8621-2\" width=\"951\" height=\"635\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8621-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8621-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8621-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 951px) 100vw, 951px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-485 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8623-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8623-2\" width=\"944\" height=\"630\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8623-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8623-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8623-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 944px) 100vw, 944px\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_494\" aria-describedby=\"caption-attachment-494\" style=\"width: 944px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-494\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8617-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8617-2\" width=\"944\" height=\"629\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8617-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8617-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8617-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 944px) 100vw, 944px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-494\" class=\"wp-caption-text\">O Chico \u00e9 um papagaio que valoriza o estilo<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ficamos tamb\u00e9m a saber que ele tem uma casa de xisto restaurada, mesmo em frente ao caf\u00e9, com dois quartos que aluga por pre\u00e7os muito sedutores (12,5 euros por pessoa). Rapidamente fazemos planos de l\u00e1 regressar um fim-de-semana, apenas com o intuito de permanecer naquele recanto m\u00e1gico e usufruir em pleno. Provar os petiscos da adega, ler com as montanhas como pano de fundo, conversar e conhecer mais hist\u00f3rias locais. Encanta-me a perspetiva de estar naquele s\u00edtio \u00e0 noite, sentir a aragem morna de ver\u00e3o e os sons noct\u00edvagos da natureza, a beber uma garrafa de vinho em boa companhia e a conversar sobre temas que nos massajam as costas com arrepios e nos fascinam madrugada fora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Antes de me meter a caminho, tinha lido alguns artigos sobre a aldeia, em particular sobre o \u00eaxodo que ela sofreu nos \u00faltimos 30 anos. Quando nasci, viviam aqui meia centena de pessoas. Hoje, s\u00e3o apenas seis, incluindo duas meninas, irm\u00e3s, que desde pequeninas apenas t\u00eam a companhia uma da outra para brincar. Um local que outrora j\u00e1 fervilhou com vida e actividade de sol a sol. Hoje fervilha de encanto. O encanto dos que teimam em manter a aldeia viva; da lenda, da tradi\u00e7\u00e3o, da identidade; do sil\u00eancio des\u00e9rtico apenas suspenso pelas mem\u00f3rias que nunca abandonaram o local e se fazem transportar com o rumor do vento; da eterna promessa de um regresso sem data.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8601-2.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-481 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8601-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8601-2\" width=\"640\" height=\"959\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8601-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8601-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8601-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 640px) 100vw, 640px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda entorpecidos pelo id\u00edlico terra\u00e7o, debatemos o resto do trajecto. Calculamos que faltem entre 11 a 12 quil\u00f3metros. Os pr\u00f3ximos quatro quil\u00f3metros ser\u00e3o percorridos em alcatr\u00e3o, pela estrada que abandona a aldeia e serpenteia montanha acima, at\u00e9 voltarmos a apanhar o trilho, j\u00e1 perto do alto de S\u00e3o Mac\u00e1rio. N\u00e3o nos agrada particularmente esse tro\u00e7o, viemos em busca de trilhos, n\u00e3o de estradas. Algu\u00e9m sugere que seria ouro sobre azul suprimir esse tro\u00e7o com uma boleia. \u201cH\u00e1 um senhor que parte com um tractor e um atrelado \u00e0s 17\u201d, informa Alfredo. S\u00e3o 17 menos 5. Cruzamos olhares, acenamos com a cabe\u00e7a e come\u00e7amos a arrumar tudo nas mochilas, desenfreadamente. Sempre prest\u00e1vel, o senhor Alfredo j\u00e1 tinha ido confirmar. A boleia \u00e9 nossa, se a quisermos. O ru\u00eddo do tractor j\u00e1 se ouve por tr\u00e1s das casas.<br \/>\nHavia ainda muito para explorar na aldeia, recantos para descobrir, conversas para ter, incluindo com a menina que nos serviu as bebidas, que tardiamente descubro ser uma das meninas referidas no artigo que tinha lido. Mas o senhor do tractor j\u00e1 est\u00e1 \u00e0 nossa espera. Pelo que percebi, vai com frequ\u00eancia \u00e0 aldeia carregar entulho, que descarrega algumas centenas de metros acima, numa pequena ribanceira. \u201cDesde que n\u00e3o me sujem a terra\u201d, solta, sarc\u00e1stico, quando pedimos permiss\u00e3o para saltar a bordo. Atiramos as mochilas l\u00e1 para dentro e prosseguimos viagem, euf\u00f3ricos com a caricata situa\u00e7\u00e3o, a coincid\u00eancia com ponteiros de rel\u00f3gio su\u00ed\u00e7o, o inesperado desenrolar de acontecimentos, o nosso corpo, que vibra por todos os lados com o movimento do tractor e o vento que nos esbarra nos rostos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-489 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8637-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8637-2\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8637-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8637-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8637-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<figure id=\"attachment_488\" aria-describedby=\"caption-attachment-488\" style=\"width: 1014px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-488\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8634-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8634-2\" width=\"1014\" height=\"676\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8634-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8634-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8634-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1014px) 100vw, 1014px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-488\" class=\"wp-caption-text\">H\u00e1 batotas toler\u00e1veis<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-486 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8630-2-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_8630-2\" width=\"554\" height=\"830\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8630-2-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8630-2-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8630-2-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 554px) 100vw, 554px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senhor do tractor \u00e9 uma simp\u00e1tica caixa de surpresas. P\u00e1ra o tractor em pontos estrat\u00e9gicos para termos uma vista desafogada da aldeia ao fundo do vale, fala alem\u00e3o connosco, manda piadas, debate as vicissitudes do turismo rural. At\u00e9 que trava as enormes rodas numa bifurca\u00e7\u00e3o e aponta para o caminho que teremos de fazer a partir dali. Temos de subir at\u00e9 aos 1050 metros do topo da serra de S\u00e3o Mac\u00e1rio, depois percorrer a crista de uma cordilheira que curva \u00e0 esquerda e se estende, do outro lado do vale, para l\u00e1 do que podemos imaginar, at\u00e9 come\u00e7ar a descer, serpenteante, em direc\u00e7\u00e3o ao vale de Covas do Rio. \u201cPor 10 euros levo-vos l\u00e1\u201d, diz, meio a s\u00e9rio, meio a brincar. \u201cN\u00e3o obrigado, isso j\u00e1 seria batota a mais\u201d, replicamos.<br \/>\nUm a um, damos-lhe um abra\u00e7o e seguimos caminho.<\/p>\n<figure id=\"attachment_493\" aria-describedby=\"caption-attachment-493\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-493 size-large\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8646-4-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8646-4\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8646-4-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8646-4-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8646-4-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-493\" class=\"wp-caption-text\">Aldeia da Pena, afundada no vale. \u00c9 poss\u00edvel ver a estrada de alcatr\u00e3o que serpenteia pela montanha, percorrida at\u00e9 este ponto no tractor.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_491\" aria-describedby=\"caption-attachment-491\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-491 size-large\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8655-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8655-2\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8655-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8655-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8655-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-491\" class=\"wp-caption-text\">A linha branca que se vislumbra do outro lado do vale \u00e9 o nosso trilho<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dado momento, vislumbro algo reluzente de forma fugaz no meu lado direito. Deduzo ser um reflexo do sol no metal das torres de alta tens\u00e3o que cruzam o topo de serra. Poucos segundos depois, um ressonante trov\u00e3o faz-me perceber que a minha dedu\u00e7\u00e3o estava errada. \u00c9 o c\u00famulo da ironia. Cancel\u00e1mos o plano da Serra da Estrela devido \u00e0 trovoada e agora levamos com ela, no ponto\u00a0mais alto desta montanha e com um trilho que segue a crista da cordilheira durante quil\u00f3metros. Resolvemos parar uns minutos num planalto alcatifado com\u00a0erva fofa e analisar\u00a0as nossas op\u00e7\u00f5es. \u00c0 primeira vista est\u00e1 um ambiente agrad\u00e1vel. O sol, parcialmente coberto, deixou de nos chicotear a pele e levantou-se um vento seco e morno. N\u00e3o fosse o facto de isso ser clima de tempestade iminente, seria \u00f3ptimo.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-490 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8652-2-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_8652-2\" width=\"995\" height=\"663\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8652-2-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8652-2-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8652-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 995px) 100vw, 995px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o 17:28. Regressar \u00e0 Aldeia da Pena e pernoitar l\u00e1 \u00e9 uma das op\u00e7\u00f5es, mas a menos apetec\u00edvel. \u00c9 um longo regresso at\u00e9 ao vale, n\u00e3o trouxemos material de campismo e nem sequer sabemos se h\u00e1 alojamento dispon\u00edvel esta noite. Podemos descer at\u00e9 uma altitude mais aceit\u00e1vel e esperar que a tempestade passe, mas isso pode significar fazer o resto do longo trajecto de noite. Ou podemos avan\u00e7ar, em passo acelerado, cruzar a curva da cordilheira o mais r\u00e1pido poss\u00edvel (que \u00e9 sobrevoada longitudinalmente pelos cabos de alta tens\u00e3o), at\u00e9 chegar \u00e0 crista da outra montanha, onde j\u00e1 estaremos a menor altitude e onde as nuvens parecem puro algod\u00e3o, comparadas com as que temos agora em cima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Come\u00e7amos ent\u00e3o a subida. A noroeste, o Fred avista os altos muros de granito que circundam a capela de S\u00e3o Mac\u00e1rio, erguidos para proteger a capela dos ventos cicl\u00f3nicos que assolam o cume da montanha.<br \/>\nConta-se que Mac\u00e1rio, um jovem da regi\u00e3o, tinha uma profiss\u00e3o que o obrigava a ausentar-se por longos per\u00edodos. Numa dessas aus\u00eancias, os seus pais adoeceram e a sua mulher convidou-os para recuperar em sua casa. Cedeu-lhes o quarto e saiu, j\u00e1 ao entardecer, para procurar lenha pois pretendia manter a lareira acesa toda a noite. Mac\u00e1rio regressou nesse momento, entrou no quarto com o candeeiro a \u00f3leo por acender e viu dois vultos na cama. Cego com ci\u00fames, matou-os \u00e0 machadada. Quando a mulher regressou, deixou cair a lenha que trazia debaixo do bra\u00e7o, ao v\u00ea-lo com as m\u00e3os na cabe\u00e7a, a chorar e a repetir vezes sem conta: \u201cAi que desgra\u00e7a, matei os meus pais\u201d. E viu-o a sair porta fora em direc\u00e7\u00e3o \u00e0s montanhas, com essa frase a ecoar na dist\u00e2ncia noct\u00edvaga da serra. Consumido por remorsos, Mac\u00e1rio resolveu viver como um ermita nas montanhas. Diz-se que matou a serpente que tanto afligia os habitantes da regi\u00e3o e que passou a viver na cova dela. Gratos, os habitantes ter-lhe-\u00e3o constru\u00eddo esta capela, onde ele ter\u00e1 vivido o resto dos seus dias.<br \/>\nUm sonoro rel\u00e2mpago estala bem por cima da minha cabe\u00e7a e desperta-me da reminisc\u00eancia da lenda. Viro o rosto e olho para a silhueta da capela, recortada no c\u00e9u tempestuoso. Gostava de a visitar, mas tenho de a deixar para tr\u00e1s. Tal como a gruta da cobra, que muitos juram a p\u00e9s juntos existir algures na serra, juntamente como as ru\u00ednas da Cova da Serpe. E tudo a trovoada levou.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste momento j\u00e1 chove. A m\u00e1quina j\u00e1 est\u00e1 guardada na mochila e percorremos a curva da cordilheira em passo de corrida. \u201c\u2019Bora pessoal, est\u00e1 quase, s\u00f3 mais um esfor\u00e7o\u201d, repito vezes sem conta. Estamos numa zona completamente exposta e por cima de n\u00f3s est\u00e3o os cabos de alta tens\u00e3o, que n\u00e3o consigo deixar de imaginar a serem decepados por um raio e a contorcerem-se furiosamente, sangrando fa\u00edscas. \u201cBora!\u201d.<br \/>\nA chuva \u00e9 bem-vinda. Refresca-nos o corpo e o esp\u00edrito. Foram cerca de 30 emocionantes minutos, sempre em passo acelerado e com clar\u00f5es a serpear por cima de n\u00f3s, at\u00e9 alcan\u00e7armos a crista da outra montanha e finalmente conseguirmos enxugar o nosso riso, at\u00e9 ent\u00e3o encharcado de nervosismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Prosseguimos por esta recta intermin\u00e1vel de terra e cascalho, que ainda vai contornar toda a encosta da montanha antes de come\u00e7ar a descer, em direc\u00e7\u00e3o \u00e0 estrada de asfalto que acabar\u00e1 por nos levar ao derradeiro destino. A determinada altura, eu e o Fred descortinamos uma via trilhada que parece precipitar-se numa diagonal pela montanha e que nos poder\u00e1 poupar alguns quil\u00f3metros e imenso tempo. Decidimos enveredar pelo atalho. Durante cerca de 20 minutos, conseguimos segui-lo com relativa facilidade, mesmo quando ele decide jogar \u00e0s escondidas connosco. At\u00e9 que, provavelmente farto de ser descoberto, resolveu caprichar no esconderijo. Procuramos em todas as direc\u00e7\u00f5es e n\u00e3o h\u00e1 qualquer vest\u00edgio dele.<br \/>\nH\u00e1 um eucalipto que se ergue solit\u00e1rio, a cerca de 30 metros. Resolvemos atravessar mato cerrado que nos d\u00e1 pela cintura at\u00e9 ele, na esperan\u00e7a de o trepar e avistar o trilho. Ap\u00f3s alguns arranh\u00f5es, iniciamos a nossa s\u00edmia tarefa. O Fred consegue subir at\u00e9 ao segundo ramo, a cerca de dois metros de altura, mas n\u00e3o h\u00e1 forma de descortinar qualquer trilho. A estrada avista-se l\u00e1 em baixo, mas por entre este tipo de vegeta\u00e7\u00e3o cerrada, as dist\u00e2ncias e respectivas apar\u00eancias s\u00e3o sempre ilus\u00f3rias. Decidimos seguir em frente. Eu e o Fred vamos abrindo caminho, a Teresa e a Xana seguem cerca de 10 metros atr\u00e1s. Este trajecto \u00e9 particularmente (e literalmente) espinhoso para a Xana, que enverga cal\u00e7\u00f5es \u00e0 Tombraider. Tenta cobrir as pernas com um len\u00e7o comprido, mas o efeito pr\u00e1tico \u00e9 nulo. Resta prosseguir, devagarinho e tentar ignorar os gatafunhos que a vegeta\u00e7\u00e3o vai rabiscando na sua pele.<br \/>\n<span style=\"text-align: justify; line-height: 1.5;\">O mato j\u00e1 nos d\u00e1 pelo peito e \u00e9 imposs\u00edvel ver onde pisamos. Tento tactear terreno em busca de pedregulhos soltos ou outros perigos escondidos e vou sempre anunciado bem alto a sua localiza\u00e7\u00e3o aos tr\u00eas que seguem atr\u00e1s de mim. \u00c9 dif\u00edcil descrever o qu\u00e3o penoso foi este percurso. Ainda and\u00e1mos cerca de uma hora naquilo at\u00e9 finalmente sair dali. J\u00e1 diz o velho ditado, quem se mete em atalhos\u2026<\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_495\" aria-describedby=\"caption-attachment-495\" style=\"width: 365px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-495\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2-684x1024.jpg\" alt=\"IMG_8665-2\" width=\"365\" height=\"547\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2-684x1024.jpg 684w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2-600x899.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2-768x1150.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8665-2.jpg 1255w\" sizes=\"auto, (max-width: 365px) 100vw, 365px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-495\" class=\"wp-caption-text\">Damn shortcuts!<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 sentado no alcatr\u00e3o, tento esvaziar as botas de todos os picos, folhas e outros detritos que l\u00e1 entraram. N\u00e3o trouxe polainas, \u00e9 o pre\u00e7o a pagar. A Teresa foi picada na face lateral da coxa e sente imensas dores. Tento aliviar-lhe a preocupa\u00e7\u00e3o mais imediata: Naquela localiza\u00e7\u00e3o e com aquele tipo de ferida, n\u00e3o \u00e9 de cobra. E mesmo que fosse, n\u00e3o era motivo para p\u00e2nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00f3 h\u00e1 duas esp\u00e9cies de v\u00edboras venenosas em Portugal e nenhuma delas \u00e9 letal para um adulto saud\u00e1vel. A sua toxicidade pode causar alguns efeitos secund\u00e1rios indesej\u00e1veis (para al\u00e9m da dor e dos edemas, n\u00e1useas, v\u00f3mitos, hipertens\u00e3o e, mais raramente, paralisia parcial de alguns m\u00fasculos) mas tem um efeito lento e geralmente d\u00e1 perfeitamente tempo para obter socorro e o devido tratamento. O Fred partilha alguns truques que aprendeu nos escuteiros para lidar com mordidelas de cobra, a determinado ponto j\u00e1 mandamos piadas com os m\u00e9todos que vemos nos filmes e a preocupa\u00e7\u00e3o dela esvai-se por entre as gargalhadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A estrada, essa sim, parece uma aut\u00eantica serpente e d\u00e1 voltas e mais voltas at\u00e9 chegar ao vale. Por sorte, nesse preciso momento, surge uma carrinha de caixa aberta a descer a estrada. Sigo mais atr\u00e1s, v\u00e3o passar primeiro por mim, mas os meus cal\u00e7\u00f5es t\u00eam um buraco maior do que o da camada de ozono, provavelmente ainda me confundem com um vagabundo demente, n\u00e3o posso ser eu a esticar o polegar. \u201cTem de ser uma das meninas\u201d, grito. Acaba por ser a Xana a faz\u00ea-lo. E segundos depois, l\u00e1 estamos novamente com a alegria e o vento estampado nos rostos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-492 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8668-2-1024x684.jpg\" alt=\"IMG_8668-2\" width=\"832\" height=\"556\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8668-2-1024x684.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8668-2-600x401.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/IMG_8668-2-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 832px) 100vw, 832px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A boleia \u00e9 curta, dura cerca de dois quil\u00f3metros. A carrinha n\u00e3o segue para a Aldeia, seguimos n\u00f3s, alegres e a relembrar os detalhes do longo dia. Entramos em Covas do Rio num entardecer anunciado pelo fumo que flui das chamin\u00e9s de pedra e nos induz a prepara\u00e7\u00e3o do jantar daquelas fam\u00edlias que ali vivem em plena harmonia com uma tranquilidade d\u00f3cil que s\u00f3 se encontra nas aldeias do nosso interior.<br \/>\nPassamos pelo carro estacionado, mas h\u00e1 algo que nos impele a continuar, como se nos segredasse intuitivamente ao ouvido que o dia ainda n\u00e3o acabou. Caminhamos at\u00e9 ao centro e deparamos com um magn\u00edfico coreto, onde nos sentamos durante longos minutos a ver o entardecer verter a sua luz dourada pelas encostas coloridas da montanha. J\u00e1 \u00e9 de noite, quando abandonamos a aldeia. Ningu\u00e9m o diz, mas vamos com pena.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/em-busca-da-aldeia-perdida-parte-i\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener noreferrer\"><em>[Ler primeiro cap\u00edtulo]<\/em><\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Relatos de um trekking por entre desfiladeiros secretos, vales profundos e montanhas de perder de vista, na senda da m\u00edstica Aldeia da Pena, onde as lendas coabitam com os seus fantasmas adormecidos. 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