{"id":702,"date":"2016-02-28T21:39:07","date_gmt":"2016-02-28T21:39:07","guid":{"rendered":"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=702"},"modified":"2019-05-08T23:39:59","modified_gmt":"2019-05-08T23:39:59","slug":"as-fronteiras-da-guerra-iii-amanhecer-violento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/as-fronteiras-da-guerra-iii-amanhecer-violento\/","title":{"rendered":"AS FRONTEIRAS DA GUERRA (III &#8211; Amanhecer Violento)"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">Na antiguidade era diferente. Ouvia-se o rumor amea\u00e7ador dos tambores quando um ex\u00e9rcito invasor se aproximava. Por vezes, entoavam c\u00e2nticos de guerra. Quando atacavam de noite, carregavam archotes e eram as labaredas que denunciavam a sua proximidade e o seu n\u00famero ao olhar petrificado do povoado prestes a ser invadido. Sempre que viajo numa autoestrada de noite e vejo os milhares de pontos de luz de uma cidade pr\u00f3xima, lembro-me desses tempos antigos, onde o fogo acusava a progress\u00e3o inimiga ou os seus acampamentos. As chamas eram uma necessidade mas, acredito, muitas vezes eram tamb\u00e9m estrat\u00e9gicas. Um ex\u00e9rcito ciente do seu n\u00famero, usava-o como elemento intimidador. Uma forma de condicionar ou minar a confian\u00e7a dos potenciais conquistados. Talvez se rendessem ao amanhecer, sem ser preciso desembainhar uma \u00fanica espada. Hoje \u00e9 diferente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos prestes a ser atacados e n\u00e3o h\u00e1 um \u00fanico sinal sensorial que clarifique um pouco essa evid\u00eancia. N\u00e3o vejo nada, n\u00e3o ou\u00e7o nada, n\u00e3o sinto nada. E no entanto, sei que eles v\u00e3o aparecer. Somos s\u00f3 tr\u00eas homens nesta base russa e o inimigo sabe-o. \u00c9 apenas uma quest\u00e3o de tempo. E o tempo custa a passar quando, \u00e0 minha volta, s\u00f3 tenho a tranquilidade c\u00ednica da cabra desta noite.<br \/>\nN\u00e3o dizemos nada uns aos outros. H\u00e1 muito que desistimos de iniciar qualquer tipo de conversa. Estes rostos s\u00f3 exprimem apreens\u00e3o. Pouso a m\u00e1quina fotogr\u00e1fica no ch\u00e3o e esfrego o rosto, a tentar despertar ou aquecer, j\u00e1 nem sei. Sei que matava por um caf\u00e9. Um caf\u00e9 a escaldar, cujo copo de pl\u00e1stico me queimasse ligeiramente as m\u00e3os ao ser envolvido. O fumo a elevar-se, o aroma a tocar-me as narinas geladas. Nem sei o que est\u00e1 em pior estado, se o nariz, se as orelhas. Este maldito sil\u00eancio \u00e9 ainda mais frio do que a aragem da noite. Da cabra desta noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-706 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2524-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2524\" width=\"864\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2524-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2524-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2524-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 864px) 100vw, 864px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estamos numa das extremidades da base, posicionados junto a um cami\u00e3o militar estacionado perto da barreira de entrada. A tenda de campanha fica mais ou menos no centro. Tenho l\u00e1 a mochila principal e decido ir l\u00e1 buscar as luvas, um gorro e, especialmente, a credencial de jornalista, que pode vir a dar jeito no caso de uma rendi\u00e7\u00e3o, para coagir os gajos a cumprir as Conven\u00e7\u00f5es de Genebra. \u201cA n\u00e3o ser que executem tamb\u00e9m o jornalista, claro\u201d, pensei, sorridente e com passada cada vez mais larga. \u201cBem, n\u00e3o se perde nada em tentar\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil vasculhar a mochila no escuro. S\u00f3 me falta encontrar a credencial, que nunca devia ter sa\u00eddo do meu pesco\u00e7o. No preciso momento que senti a fita nos dedos, pressenti um movimento na lona da entrada da tenda. Conformado, ergui os bra\u00e7os e virei-me devagar. Encontro quatro canos de M16 virados para mim. Um dos soldados aponta-me uma lanterna \u00e0 cara. Repito insistentemente a palavra \u201cpress\u201d, mas como resposta s\u00f3 obtenho um r\u00edgido: \u201cNo ti muevas\u201d. \u00c9 um pelot\u00e3o espanhol da coliga\u00e7\u00e3o da OTANA. \u201cTienes um cintur\u00f3n bomba?\u201d, perguntam, enquanto me revistam dos p\u00e9s \u00e0 cabe\u00e7a. \u201cJust a jornalist\u201d, digo, instintivamente em ingl\u00eas, enquanto ergo a credencial. Do pouco espanhol que recordo das long\u00ednquas aulas no liceu na M\u00e3e R\u00fassia, pareceu-me que um deles instruiu o outro a disparar sem hesita\u00e7\u00e3o caso eu fa\u00e7a algo suspeito.<\/p>\n<p>Estou a sair com eles da tenda, preocupado com o paradeiro do Frix e do Ssnke, quando ou\u00e7o um barulho proveniente de um arbusto pr\u00f3ximo. Um dos soldados aponta para l\u00e1 a lanterna e grita, autorit\u00e1rio, \u201cOTANA! OTANA!\u201d. A resposta \u00e9 uma rajada de tiros. Reconhe\u00e7o a voz da supressora do Frix, antes de me atirar para o ch\u00e3o. Quando levanto a cabe\u00e7a, h\u00e1 quatro corpos estendidos. Um quinto soldado debru\u00e7a-se sobre um camarada prostrado com tr\u00eas orif\u00edcios ensanguentados na testa, alinhados e equidistantes, como retic\u00eancias fat\u00eddicas. \u201cTres en la cabeza, tres en la cabeza\u201d, grita insistentemente o sobrevivente, com os olhos muito abertos, perdidos num misto de ang\u00fastia e estupefa\u00e7\u00e3o. O Frix aponta-lhe a arma e d\u00e1-lhe ordem de rendi\u00e7\u00e3o. Mas a \u00fanica rea\u00e7\u00e3o do pobre homem \u00e9 apontar para baixo e repetir \u201cTres en la cabeza\u201d. \u00c9 assim a guerra. Quando n\u00e3o mata, enlouquece.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais vozes na dist\u00e2ncia. Corremos em busca de abrigo, que encontramos na barreira blindada de uma antia\u00e9rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 E o Ssnke? \u2013 pergunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Est\u00e1 escondido no mato, no per\u00edmetro exterior da base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Achas que se safa?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Frix n\u00e3o chega a responder. O inimigo detectou-nos e os disparos voltaram. Fincadas no escudo da antia\u00e9rea, as minhas costas estremecem sempre que as balas esbarram naquela barreira de metal. Um cent\u00edmetro de grossura a delimitar a fronteira entre a continuidade do mundo e o vazio. Tenho sangue no ombro. N\u00e3o \u00e9 meu. Escorre de um buraco escuro na farda do Frix, que est\u00e1 de p\u00e9 a operar a supressora.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-718 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2576-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2576\" width=\"644\" height=\"429\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2576-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2576-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2576-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 644px) 100vw, 644px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Est\u00e1s ferido p\u00e1, temos de nos p\u00f4r a andar daqui\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Antes morto que vencido! \u2013 Grita Frix, enquanto prime o dedo no gatilho com toda a raiva do mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 ANTES MORTO QUE VENCIDO!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 ANTES MORTO QUE VENCIDOOOO!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O terceiro grito j\u00e1 \u00e9 entoado em esfor\u00e7o. O ferimento \u00e9 ligeiramente abaixo das costelas. N\u00e3o fa\u00e7o ideia se \u00e9 fatal ou n\u00e3o, mas sei que se morre devagar com ferimentos na parte de baixo do tronco. Est\u00e1 inclinado contra a barreira, com os oito quilos da PKM seguros no ombro direito. Esfor\u00e7a-se por manter a posi\u00e7\u00e3o, as suas botas derrapam na terra. Olho para cima e o seu olhar est\u00e1 cambaleante como as suas pernas. Est\u00e1 na hora de sair daqui.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-716 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2565-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2565\" width=\"638\" height=\"426\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2565-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2565-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2565-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 638px) 100vw, 638px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Resolvo recorrer \u00e0 arma mais potente que tenho no meu coldre. A ret\u00f3rica. Disparo in\u00fameros argumentos, como o seu cad\u00e1ver n\u00e3o ser \u00fatil \u00e0 p\u00e1tria nem \u00e0 filha rec\u00e9m-nascida que o aguarda em Moscovo, ou o facto da miss\u00e3o primordial estar ainda por cumprir. Ou os companheiros de armas, que podem precisar mais dele neste momento do que uma base vazia. Acrescento ainda algum tempero:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; P\u00e1, eu n\u00e3o queria dizer nada para n\u00e3o lixar a tua concentra\u00e7\u00e3o, mas quando estava a ser revistado na base ouvi uma transmiss\u00e3o de r\u00e1dio dos espanh\u00f3is, onde mencionaram que estava em curso um ataque ao hospital de campanha onde est\u00e1 o resto do nosso pessoal.<br \/>\nOs olhos do Frix dilatam-se, como a veia que lateja na sua t\u00eampora por baixo da al\u00e7a do capacete. Larga a arma, retira uma granada do cinto e mete-a na minha m\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Est\u00e1s a ver aqueles carros l\u00e1 ao fundo? Est\u00e1 l\u00e1 um dos jipes da nossa companhia. N\u00e3o tenho a chave, mas sei onde eles guardam a suplente. Quando eu disser, vou come\u00e7ar a metralhar com for\u00e7a. Nesse momento, corres para aqueles caixotes e lan\u00e7as a granada com toda a for\u00e7a para o flanco contr\u00e1rio dos gajos. Quero-os desnorteados. \u2013 Uma violenta tosse interrompe o seu discurso. Respira fundo duas vezes e prossegue:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A explos\u00e3o n\u00e3o nos d\u00e1 cobertura suficiente para chegar aos carros, mas d\u00e1 para chegar \u00e0quele amontoado de mercadoria. A partir da\u00ed, podemos contornar aquela tralha toda e chegar ao jipe. A volta \u00e9 maior, mas estamos ocultos pela tralha e pela escurid\u00e3o. Est\u00e1s pronto?<br \/>\nN\u00e3o espera pela minha resposta e come\u00e7a a cuspir fogo com a sua PKM. Corro como nunca corri na vida e atiro-me para tr\u00e1s de um caixote do tamanho de um Fiat Panda. Olho para a granada. Esta merda nos filmes parece f\u00e1cil. \u00c9 s\u00f3 pressionar o gatilho, retirar esta cavilha\u2026 mas depois quanto tempo tenho? Cinco segundos? Menos? Porra para isto!<br \/>\nA cavilha solta-se com mais facilidade do que esperava. Lan\u00e7o de imediato a granada. Os segundos passam. Come\u00e7o a questionar-me se aquela porcaria vai arrebentar ou n\u00e3o. Tenho os ouvidos a zunir. Arrebentou.\u00a0 O Frix passa por mim, cada vez mais ofegante. Amparo-o no ombro e arrastamo-nos pela escurid\u00e3o. O plano est\u00e1 a funcionar. Falta uma \u00faltima corrida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 S\u00f3 mais um esfor\u00e7o \u2013 digo, entredentes. Quando o fa\u00e7o, vem-me \u00e0 cabe\u00e7a um velho an\u00fancio de televis\u00e3o da Suchard Express, que n\u00e3o vejo desde a inf\u00e2ncia, onde um puto escala um beliche em busca de um S\u00e3o Bernardo e um copo de leite achocolatado. J\u00e1 estou a ficar maluco com esta merda. O esfor\u00e7o \u00e9 suficiente. Estamos no jipe. O Frix aloja-se na parte de tr\u00e1s e aponta para a caixa de ferramentas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Matrioska\u2026 matrioska.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Abro a caixa, remexo freneticamente as ferramentas e encontro a boneca da madeira. Desenrosco-a e encontro outra boneca. S\u00f3 no ventre da terceira \u00e9 que descubro a chave da nossa sobreviv\u00eancia. Arrancamos a todo o g\u00e1s, deixando para tr\u00e1s uma nuvem de poeira que se desvanece lentamente, tal como a voz do soldado russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Antes morto que venc\u2026<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-712 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2543-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2543\" width=\"648\" height=\"432\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2543-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2543-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2543-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 648px) 100vw, 648px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-711 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2542-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2542\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2542-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2542-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2542-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-714 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2550-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2550\" width=\"655\" height=\"437\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2550-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2550-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2550-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 655px) 100vw, 655px\" \/><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-713 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2544-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2544\" width=\"671\" height=\"447\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2544-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2544-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2544-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 671px) 100vw, 671px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2554.jpg\">\u00a0<\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 uma revolu\u00e7\u00e3o em curso no hospital de campanha. Sacos de soro arrancados, muletas partidas, frascos de comprimidos esvaziados na sanita. Os feridos russos exigem ter alta antes do tempo e est\u00e3o dispostos a tudo para sair daqui. Desde que chegaram as not\u00edcias da base invadida que este hospital est\u00e1 em estado de s\u00edtio. Inevitavelmente, conseguem o que pretendem. Frix est\u00e1 bem. A bala entrou e saiu sem atingir nenhum \u00f3rg\u00e3o. N\u00e3o houve fatalidades na 605\u00aa nem no grupo paraquedista. Engessados ou remendados, todos saem daqui pelos pr\u00f3prios p\u00e9s. Entoam o hino na carrinha de transporte e rejubilam quando sabem via r\u00e1dio que as for\u00e7as russas e o ex\u00e9rcito da ENA est\u00e3o neste momento a tentar reconquistar a base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Acelera nisso! N\u00e3o queremos chegar l\u00e1 no final da festa \u2013 grita Fragatov aos ouvidos do motorista.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-715 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2554-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2554\" width=\"666\" height=\"444\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2554-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2554-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2554-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 666px) 100vw, 666px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2275.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-754 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2275-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2275\" width=\"669\" height=\"446\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2275-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2275-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2275-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 669px) 100vw, 669px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Passa-me o tabasco \u2013 diz Sturm, que recebe o frasco das m\u00e3os de King e o entorna para dentro da lata de chili com carne.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Esta merda n\u00e3o sabe a nada! \u00c9 como estar aqui nesta base reconquistada. N\u00e3o sabe a nada!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Calma Sturm \u2013 refere Spet \u2013 os outros camaradas tamb\u00e9m t\u00eam de ter os seus momentos de gl\u00f3ria, ou n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Era nosso dever estar c\u00e1! A culpa \u00e9 dos m\u00e9dicos, atrasaram-nos a vida toda! \u2013 responde Sturm, nitidamente arreliado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Tranquilo meu tenente, eu j\u00e1 disse que lhe conto a hist\u00f3ria toda, com todos os detalhes e pormenores \u2013 riposta Ssnke.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Todo o grupo ri \u00e0s gargalhadas, incluindo Sturm, resignado, ap\u00f3s simular um gesto amea\u00e7ador com o punho cerrado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ssnke mantivera-se escondido no bosque durante a ocupa\u00e7\u00e3o da OTANA e fora instru\u00eddo, via r\u00e1dio, a manter a sua posi\u00e7\u00e3o furtiva e vigiar as movimenta\u00e7\u00f5es inimigas at\u00e9 \u00e0 hora do ataque, organizado por for\u00e7as russas e abdulianas. Foi o \u00fanico elemento da 605\u00aa a participar na reconquista da base.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 C\u00e3o sortudo! \u2013 brinca Fragatov.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2472.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-705 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2472-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2472\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2472-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2472-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2472-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A confraterniza\u00e7\u00e3o russa mant\u00e9m-se animada no bunker durante mais alguns minutos, at\u00e9 ser interrompida pelo General Midlandov. H\u00e1 mais uma miss\u00e3o pela frente, composta por dois objetivos. O primeiro \u00e9 escoltar um elemento com liga\u00e7\u00f5es ao governo abduliano at\u00e9 Khali, onde vai efetuar um discurso pol\u00edtico. A inten\u00e7\u00e3o \u00e9 converter indiv\u00edduos com inclina\u00e7\u00f5es \u00e0 causa rebelde e tamb\u00e9m dissipar eventuais focos de resist\u00eancia. Consta que as suas capacidades de ret\u00f3rica s\u00e3o muito valorizadas no regime e foi sublinhada ao pelot\u00e3o a import\u00e2ncia de preservar a sua integridade f\u00edsica. N\u00e3o temos informa\u00e7\u00f5es sobre o seu nome. Vou apelid\u00e1-lo de \u201cbol&#8217;shoy rot\u201d, uma express\u00e3o t\u00edpica russa que significa, literalmente, \u201cboca grande\u201d e figurativamente, \u201cfala-barato\u201d.<br \/>\nO segundo objetivo \u2013 que curiosamente vai ocorrer antes do primeiro \u2013 \u00e9 garantir o neg\u00f3cio de compra de um chip de navega\u00e7\u00e3o \u2013 fulcral para o lan\u00e7amento do m\u00edssil \u2013 a ter lugar num armaz\u00e9m abandonado a poucos quil\u00f3metros da aldeia. Para esse objetivo, segue connosco um negociador que ser\u00e1 respons\u00e1vel pela transa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-717 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2570-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2570\" width=\"716\" height=\"477\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2570-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2570-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2570-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 716px) 100vw, 716px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os dois pelot\u00f5es russos prosseguem apeados numa longa estrada de terra batida que atravessa o bosque e a madrugada abduliana. Passo a passo, avan\u00e7am cautelosos e tensos, ainda com a recorda\u00e7\u00e3o fresca da emboscada anterior.<br \/>\nEntre n\u00f3s seguem dois jipes, ambos com as luzes apagadas. Um com o bol&#8217;shoy rot, protegido pelos russos e outro com o negociador, protegido por for\u00e7as ENA. Olho para a silhueta deste \u00faltimo, no banco traseiro do jipe que segue mais adiante. Vi-o momentos antes a entrar na viatura com uma pasta nas m\u00e3os, que deduzo estar cheia de d\u00f3lares, como \u00e9 comum na maioria das transa\u00e7\u00f5es clandestinas nesta regi\u00e3o. Privilegiam a moeda do pa\u00eds que desprezam. Ir\u00f3nico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sa\u00edmos da estrada principal e enveredamos por um trilho que leva a uma pequena clareira. Ao fundo avista-se a silhueta negra do edif\u00edcio, ligeiramente mais escura do que o c\u00e9u nocturno. O condutor do jipe da frente faz o sinal combinado: uma piscadela com os far\u00f3is. Se receber resposta, \u00e9 porque os contrabandistas j\u00e1 est\u00e3o l\u00e1. Ap\u00f3s poucos segundos, um s\u00fabito e ef\u00e9mero clar\u00e3o informa-nos que o neg\u00f3cio \u00e9 para avan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Olho para a minha m\u00e1quina, pendurada a tiracolo e solto um longo suspiro. Por motivos \u00f3bvios estou impedido de recorrer ao flash quando acompanho as miss\u00f5es nocturnas. \u00c9 uma grande condicionante para o meu trabalho, mas \u00e9 prefer\u00edvel estar condicionado do que morto por inadvertidamente denunciar a nossa posi\u00e7\u00e3o ao inimigo. Como os outros artif\u00edcios para aumentar a luminosidade n\u00e3o s\u00e3o os mais adequados para situa\u00e7\u00f5es de movimenta\u00e7\u00e3o r\u00e1pida no escuro, opto por registar mais com o olhar e grava\u00e7\u00f5es de voz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O jipe com o negociador \u00e9 o \u00fanico a deslocar-se. Os russos permanecem im\u00f3veis, como a viatura que protegem. Resolvo acompanhar a ENA e assistir \u00e0 negocia\u00e7\u00e3o.<br \/>\nA clareira est\u00e1 envolta em alguma neblina. Como se a situa\u00e7\u00e3o j\u00e1 n\u00e3o tivesse carga dram\u00e1tica suficiente. A cerca de 10 metros do edif\u00edcio, dois vultos desvendam-se na escurid\u00e3o. O negociador sai da viatura e dirige-se a eles. Sa\u00fadam-se. Conversam. Apertam as m\u00e3os. N\u00e3o h\u00e1 nada a negociar, o pre\u00e7o j\u00e1 estava acordado. O negociador, juntamente com o oficial da ENA, inspeciona cuidadosamente a mercadoria, enquanto um dos contrabandistas se ajoelha no solo a contar o dinheiro. Um soldado da ENA \u2013 que fala ingl\u00eas e a quem tirei algumas fotografias ontem \u2013 aproxima-se de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Se calhar \u00e9 o teu dia de sorte, rep\u00f3rter.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Porqu\u00ea?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Aqueles que tanto ansiavas encontrar\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Est\u00e1s a brincar? \u2013 questiono, com o entusiasmo a apoderar-se de mim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O soldado assente com a cabe\u00e7a, aponta para os dois elementos e assegura, frisando cada silaba da palavra:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Karkarianos!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O soldado aceita abord\u00e1-los e, caso eles aceitem falar, servir de tradutor.<br \/>\nTroca algumas palavras com o elemento que aguarda que o parceiro inspecione o pagamento.<br \/>\nRegressa, encara-me dois ou tr\u00eas segundos com uma express\u00e3o s\u00e9ria, at\u00e9 se desmanchar num sorriso e dizer:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Tens cinco minutos. Aproveita-os bem.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tenho de pagar ao Karkariano. Duas notas de vinte. Divisas do diabo, claro. A \u00fanica condi\u00e7\u00e3o, para al\u00e9m das notas, \u00e9 n\u00e3o tirar qualquer fotografia.<br \/>\nSentamo-nos em dois caixotes. Observo-o por alguns instantes. Fotografo-o mentalmente. A sua pele \u00e9 cor de caramelo e os seus olhos s\u00e3o completamente negros. Veste uma longa camisa caqui, que lhe d\u00e1 entre a cintura e os joelhos, juntamente com um velho e desbotado colete militar abduliano, cheio de bolsos. Tem um shemag cinzento-escuro enrolado \u00e0 volta da cabe\u00e7a que lhe cobre todo o cabelo e outro \u00e0 volta do pesco\u00e7o, que deduzo usar quando precisa de cobrir o rosto. Aparenta estar tranquilo. Talvez demasiado tranquilo para a presente situa\u00e7\u00e3o. Resolvo aproveitar o pouco tempo que tenho e come\u00e7o a disparar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Descendes do antigo povo Karkariano, que se estabeleceu no local onde se travou a primeira grande batalha pela liberdade, onde 11 reis se uniram pela defesa da sua terra contra um invasor estrangeiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sim.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Como te chamas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Chama-me Karkariano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Seria mais cred\u00edvel para o meu trabalho poder ter um nome.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O meu nome \u00e9 Karkariano!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Qual \u00e9 a tua principal ocupa\u00e7\u00e3o, Karkariano?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sobrevivente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este gajo vai ser curto e cr\u00edptico nas respostas \u2013 penso. Mais vale ir directo ao assunto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 \u00c9 verdade que serves ambas as fac\u00e7\u00f5es desta guerra?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Define fac\u00e7\u00f5es, russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A coliga\u00e7\u00e3o defensora abduliana-sovodka e a coliga\u00e7\u00e3o invasora OTANA?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Acreditas em todas elas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Elas quem?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Todas as palavras que te saem da boca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda estou a digerir a resposta quando ele complementa:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Eu n\u00e3o acreditaria em todas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 H\u00e1 alguma em particular que te cause descren\u00e7a?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Defensora. Invasora.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o \u00e9 verdade que o teu pa\u00eds est\u00e1 a ser invadido por um ex\u00e9rcito estrangeiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Achas que sim?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o lhe respondo de imediato, embora j\u00e1 tenha definido a resposta. Sei que vou brincar com o fogo mas se quero obter mais dele, tenho de o espica\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Eu acho que h\u00e1 um legado de honra com mais de dois mil anos de idade que deixou de ser o Norte nesse vosso instrumento \u2013 aponto para uma arcaica b\u00fassola que o Karkariano tem pendurada ao pesco\u00e7o por uma fina corrente e que lhe cai at\u00e9 meio do peito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ele olha para baixo e abana a cabe\u00e7a enquanto arrota um sorriso c\u00ednico, sinal que digeriu ambas as analogias impl\u00edcitas. Solta umas palavras irritadas em \u00e1rabe que o soldado da ENA se recusa a traduzir, aponta-me o dedo e depois leva-o \u00e0 sua t\u00eampora direita.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Se calhar tenho mais cora\u00e7\u00e3o do que tu tens miolos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o sou eu que tenho dificuldade em distinguir o significado das palavras invas\u00e3o e defesa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o sejas condescendente comigo, russo. Os ocidentais est\u00e3o c\u00e1 porque querem invadir os nossos recursos naturais. Abdul h\u00e1 muito que invadiu os direitos do povo abduliano. E voc\u00eas, meus caros, est\u00e3o c\u00e1 porque querem partilhar essa invas\u00e3o e a invas\u00e3o dos ocidentais. Eles invadem pela for\u00e7a. Voc\u00eas, pelo aproveitamento da fragilidade alheia. E Abdul invade por essa noite que parece ter-se eternizado, onde dorme o sangue guerreiro deste povo. Todos invadem! Todos s\u00e3o invasores, russo.<br \/>\n\u00c9 not\u00f3rio o desd\u00e9m com que foi pronunciada a \u00faltima palavra. Olho para o tradutor e sinto-o desconfort\u00e1vel com o rumo da entrevista. Vai piorar antes de melhorar, meu caro. Abro a boca, mas o Karkariano antecipa-se:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Por isso n\u00e3o me fales em legados, nem em honra\u2026 e muito menos em invasores e defensores \u2013 afirma, enquanto retira um cigarro do bolso da camisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Sentes orgulho no que o teu povo se tornou?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 N\u00e3o somos n\u00f3s que mudamos o tempo. Ele \u00e9 que nos muda a n\u00f3s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 O tempo ou o que est\u00e1 dentro dessa pasta?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Deixa-me que te diga uma coisa, russo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pousa o cotovelo na mesa, sust\u00e9m o queixo com a ponta dos dedos e inclina-se para mim, com as pupilas dilatadas com cinismo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 S\u00f3 \u00e9 poss\u00edvel fazer tr\u00eas coisas numa guerra. Morrer, matar e lucrar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O karkariano solta uma baforada do cigarro rec\u00e9m-acendido na minha direc\u00e7\u00e3o, aguarda alguns segundos &#8211; como que \u00e0 espera que a nuvem se dissipe para que eu lhe possa ver o olhar a desafiar o meu &#8211; e pergunta:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Qual \u00e9 que achas que eu prefiro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Gostaria que fosses tu a responder a essa pergunta. Qual das tr\u00eas?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 A que faz de mim o que eu sou. Um sobrevivente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Escrevo algumas notas no caderno. N\u00e3o porque precise de registar a informa\u00e7\u00e3o, toda ela j\u00e1 est\u00e1 no meu gravador. Preciso \u00e9 de alguns segundos para decidir a pr\u00f3xima pergunta.<br \/>\nUm zunido prolongado passa de rompante pela minha orelha esquerda e silencia-se ap\u00f3s um impacto seco. Levanto a cabe\u00e7a e j\u00e1 n\u00e3o tenho ningu\u00e9m \u00e0 minha frente. H\u00e1 sangue a gotejar do meu rosto. N\u00e3o \u00e9 meu. Descubro a sua origem quando o fogo cruzado me obriga a mergulhar para o solo. Quando abro os olhos, estou cara-a-cara com o Karkariano, que tem um buraco enorme na cabe\u00e7a. A sobreviv\u00eancia esfumou-se dos seus olhos abertos, condenados a contemplar o seu eterno presente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Fogo aleat\u00f3rio \u2013 afirma Sturm. \u2013 Foi ele, podias ter sido tu, podia ter sido ningu\u00e9m. Os rebeldes n\u00e3o t\u00eam disciplina nenhuma, parecem baratas tontas com armas nas m\u00e3os.<br \/>\nFoi, de facto, uma emboscada desorganizada. Ao todo eram seis rebeldes e foram rapidamente neutralizados. A \u00fanica baixa do \u201cnosso lado\u201d foi, curiosamente, o \u201csobrevivente\u201d. O outro karkariano conseguiu entrar no jipe e fugir agarrado \u00e0 sua mala.<br \/>\nContinuamos a marcha pelo mesmo caminho escuro que atravessa o bosque. Botas russas, apenas. A ENA escoltou o negociador e o chip de navega\u00e7\u00e3o de regresso \u00e0 base. N\u00f3s seguimos com o \u201cbol&#8217;shoy rot\u201d rumo a Khali.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 neblina na aldeia. D\u00e1-lhe um ar ainda mais tranquilo. \u2013 Demasiado tranquilo \u2013 afirma Spet.<br \/>\nO tenente Sturm agarra nos bin\u00f3culos e inspeciona demoradamente cada recanto do centro de Khali. As ordens s\u00e3o muito claras. Estabelecer um per\u00edmetro de seguran\u00e7a, entrar na aldeia, revistar todos os civis que encontrarmos e, s\u00f3 depois, \u00e9 que o \u201cbol&#8217;shoy rot\u201d poder\u00e1 sair do jipe e cumprir a sua fun\u00e7\u00e3o. Posto desta forma parece simples, mas \u00e9 uma miss\u00e3o muito mais complicada do que parece. H\u00e1 uma forte probabilidade de emboscada \u00e0 entrada da aldeia e nenhum destes homens ignora isso. Antes pelo contr\u00e1rio, est\u00e3o a contar com ela.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Se fosse eu, atacava por aqui \u2013 afirma Spet, com o indicador num ponto do mapa que assinala uma colina sobranceira \u00e0 aldeia. Sturm e Frix acenam em concord\u00e2ncia.<br \/>\nDefinem a estrat\u00e9gia: V\u00e3o fazer a progress\u00e3o por entre um conjunto de obst\u00e1culos \u2013 carros, \u00e1rvores, muros, atrelados, etc. \u2013 preparados para se abrigarem da colina ao m\u00ednimo ind\u00edcio de contacto. H\u00e1 riscos. Se o ataque tiver outra origem que n\u00e3o a colina, estar\u00e3o expostos.<br \/>\nO tenente russo olha para os seus 11 homens. Um olhar que perdura alguns segundos. Nesse instante passam-lhe v\u00e1rias coisas pela cabe\u00e7a, mas da sua boca apenas saem duas palavras.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Spetsnaz\u2026 davai!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 DAVAI! \u2013 Responde o grupo, baixinho mas de forma un\u00edssona.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A progress\u00e3o \u00e9 lenta e calculada. Cada movimento, cada passo, cada galho seco que se evita. J\u00e1 estamos \u00e0 entrada da aldeia e por enquanto tudo continua calmo. Cinicamente calmo.<br \/>\nQuando passarmos determinada esquina em seguran\u00e7a, ser\u00e1 dada ordem para prosseguir ao jipe, que aguarda parado num local estrat\u00e9gico. A tens\u00e3o \u00e9 palp\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um estrondo na chapa de um dos carros estacionados abre as hostilidades. Os russos abrigam-se. Seguem-se alguns segundos de fogo intenso, proveniente da colina.<br \/>\nEst\u00e3o a usar muni\u00e7\u00f5es tracejantes. Os tiros arrastam-se na escurid\u00e3o como estrelas cadentes, deixando um rasto verde florescente. Faz lembrar as imagens na Guerra do Golfo, embora nessa altura a tonalidade esverdeada se devesse apenas \u00e0s c\u00e2maras de vis\u00e3o nocturna que transmitiam as imagens. Aqui, s\u00e3o os pr\u00f3prios tiros que t\u00eam essa cor. Deitado na terra, olho para cima, vejo-os cruzar o meu c\u00e9u e perco-me no pensamento absurdo que me sussurra que ser metralhado \u00e9 um espet\u00e1culo t\u00e3o lindo quanto fat\u00eddico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 Desta vez n\u00e3o s\u00e3o rebeldes \u2013 diz King, com um sorriso sarc\u00e1stico, a Sokol. Ambos est\u00e3o sentados e com as costas na carro\u00e7aria de um velho Fiat branco. Tal como os outros russos, aguardam a ordem para responder ofensivamente \u00e0 emboscada. Algumas dezenas de segundos e milhares de muni\u00e7\u00f5es gastas depois, surge o grito ansiado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2013 SPETSNAZ\u2026 DAVAI!!!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com r\u00edgidas manobras de cobertura e avan\u00e7o, os operacionais russos v\u00e3o ganhando terreno. Os seus movimentos parecem mec\u00e2nicos. Disparam poucos tiros. Disparam certeiro. Disparam a matar. Pouco a pouco, v\u00e3o limpando sectores e ganhando liberdade de movimentos. As for\u00e7as circundantes s\u00e3o aniquiladas. Permanecem alguns focos de resist\u00eancia na colina, por isso \u00e9 formado um per\u00edmetro defensivo \u00e0 entrada da aldeia. Os restantes homens prosseguem com o \u201cbol&#8217;shoy rot\u201d rumo ao centro nevr\u00e1lgico de Khali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 mais movimento do que o esperado. Est\u00e3o dezenas de pessoas na pra\u00e7a central da aldeia. Excelente para o discurso, p\u00e9ssimo para o esquadr\u00e3o russo que tem de os revistar a todos. Os soldados dividem-se por sectores, mas os civis s\u00e3o imensos e o controlo \u00e9 cada vez mais complicado. Numa das esquinas da pra\u00e7a h\u00e1 um caf\u00e9. \u00c9 um espa\u00e7o r\u00fastico, com uma enorme esplanada montada numa tosca estrutura de madeira rodeada por um toldo verde e branco. Spet entra l\u00e1 dentro e consegue localizar dois elementos rebeldes escondidos. Estavam armados e com ferimentos ligeiros. O russo domina-os, prende-os com algemas de pl\u00e1stico (flex cuffs) e conduze-os ao exterior. H\u00e1 um movimento s\u00fabito na esplanada. Uma cadeira que cai, um vulto que se ergue. Dois tiros s\u00e3o disparados e atinguem Spet. Um abduliano de turbante negro e shemag branco \u00e9 prontamente abatido pelas for\u00e7as russas e deixa cair a pistola que tinha oculta nas suas vestes. H\u00e1 breves minutos tinha-o fotografado, enquanto aguardava a sa\u00edda de Spet do interior do caf\u00e9. Disparei por instinto, intrigado com a sua express\u00e3o compenetrada e sisuda, que na altura at\u00e9 poderia ter sido suspeita, n\u00e3o fosse esse o semblante de todos os abdulianos residentes em Khali.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-719 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2581\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2581.jpg 1728w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Spet est\u00e1 bem, foi atingido no ombro e no bra\u00e7o e Felipov j\u00e1 est\u00e1 a tratar dele. A situa\u00e7\u00e3o na pra\u00e7a est\u00e1 muito inst\u00e1vel, h\u00e1 um sentimento de amea\u00e7a suspenso no ar. Podem existir mais civis com armas dissimuladas e a OTANA pode enviar refor\u00e7os a qualquer momento. O tenente Sturm faz uma an\u00e1lise da situa\u00e7\u00e3o, considera que a integridade do \u201cbol&#8217;shoy rot\u201d n\u00e3o est\u00e1 assegurada e decide abortar a miss\u00e3o. De forma t\u00e3o c\u00e9lere e maquinal quanto entrou, o pelot\u00e3o russo abandona Khali em poucos minutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sturm abandona a tenda de comando com palmadas nas costas. O general Midlandov considerou acertada a sua decis\u00e3o. Senta-se no ch\u00e3o junto aos seus homens e partilha as novas instru\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Uma divis\u00e3o \u00e9 destacada para pernoitar ao relento no bunker, para defender essa extremidade da base. Os restantes russos levantam-se e deslocam-se vagarosamente para a tenda central da base. Poucos minutos depois, vejo-os a regressar, carregados com mochilas e sacos-cama, e come\u00e7am a instalar-se na zona \u00e0 volta do bunker. Frix, nota o meu olhar de espanto.<\/p>\n<p>\u2013 Se ficam uns a dormir no mato, ficam todos \u2013 diz-me, com um r\u00e1pido piscar de olhos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-707 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2530-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2530\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2530-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2530-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2530-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-large wp-image-709\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2535-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2535\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2535-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2535-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2535-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-710 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2537-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2537\" width=\"536\" height=\"804\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2537-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2537-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2537-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 536px) 100vw, 536px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-708 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2533-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2533\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2533-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2533-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2533-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>Observo-os naquele buraco de terra, animadamente a partilhar vodka, cigarros, mantas, hist\u00f3rias de guerra. Nestes momentos de confraterniza\u00e7\u00e3o em zonas de combate, entram numa esp\u00e9cie de sintonia colectiva que os parece envolver e deixar imunes a todas as circunst\u00e2ncias exteriores. J\u00e1 tivera essa sensa\u00e7\u00e3o na noite em que cheguei a Abdul e convivi com eles no primeiro acampamento. Essa peculiar intimidade com a guerra, como aquele inimigo que se mant\u00e9m pr\u00f3ximo para controlar a sua nocividade, ou o veneno que se beberica aos poucos para ganhar resist\u00eancia \u00e0 sua toxicidade.<br \/>\nOuvem-se tiros distantes, disparados algures neste imenso bosque. Olho para o fumo do cigarro que se eleva no ar gelado de Abdul. J\u00e1 vai a meio e mesmo assim ser\u00e1 uma noite longa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sol arreganha os olhos de Barna, que acorda junto ao corpo frio da sua Miss Vintorez. Pergunto-lhe sobre a alcunha. Ele sorri, com os olhos nela, e responde:<\/p>\n<p>\u2013 Sexy, fatal e silenciosa!<\/p>\n<p>A admira\u00e7\u00e3o \u00e9 partilhada por outros olhos russos. A VSS Vintorez \u00e9 uma arma de elei\u00e7\u00e3o nas for\u00e7as SPETSNAZ. Desenhada para miss\u00f5es clandestinas, tem um forte silenciador, dispara muni\u00e7\u00f5es que perfuram blindagem e desmonta-se em v\u00e1rias partes para ser transportada ou ocultada.<\/p>\n<p>O grupo come\u00e7a a reunir. Juntam-se junto ao fogareiro, atra\u00eddos pelo cheiro de caf\u00e9 acabado de fazer. N\u00e3o h\u00e1 ch\u00e1venas para todos, h\u00e1 que improvisar. Barna tira um fac\u00e3o de mato da cintura e corta o fundo de uma garrafa de pl\u00e1stico.<\/p>\n<p>\u2013 J\u00e1 tenho ch\u00e1vena!<\/p>\n<p>Durante esses momentos de conv\u00edvio matinal, fico a saber que houve um ataque de uma patrulha da OTANA durante a madrugada. Bem organizados, conseguiram penetrar na base atrav\u00e9s de um ponto de acesso vulner\u00e1vel, aproveitando o facto de 70% dos operacionais estarem a dormir. Por\u00e9m, n\u00e3o conseguiam tomar a base devido a um pronto contra-ataque das nossas tropas. Perante a imin\u00eancia de um refor\u00e7o das nossas linhas, n\u00e3o tiveram outra alternativa que n\u00e3o retirar.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-723 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2605-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2605\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2605-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2605-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2605-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2599.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-722 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2599-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2599\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2599-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2599-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2599-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-721 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2597-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2597\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2597-1024x683.jpg 1024w, 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href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2309.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-742 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2309-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2309\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2309-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2309-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2309-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2626.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-726 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2626-1024x683.jpg\" 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(max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2634.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-728 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2634-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2634\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2634-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2634-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2634-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2639.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-729 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2639-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2639\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2639-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2639-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2639-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2641.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-725 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2620-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2620\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2620-683x1024.jpg 683w, 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href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2643.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-731 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2643-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2643\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2643-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2643-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2643-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Este sol matinal est\u00e1 particularmente quente. H\u00e1 quem aproveite para estender equipamento, humedecido pelo orvalho e h\u00e1 quem esteja compenetrado com os olhos no horizonte. Um m\u00edssil nuclear vai ser lan\u00e7ado dentro de poucas horas.<\/p>\n<p>Sturm \u00e9 chamado ao posto de comando. H\u00e1 imensa curiosidade e alguma especula\u00e7\u00e3o entre os seus homens relativamente \u00e0 tarefa que ter\u00e3o pela frente. Regressa com alguma apreens\u00e3o no olhar. Uma das unidades de combust\u00edvel s\u00f3lido para o m\u00edssil foi destru\u00edda durante a noite por uma opera\u00e7\u00e3o inimiga. Para garantir as reservas, \u00e9 necess\u00e1rio obter uma nova unidade, enterrada nos bosques de Abdul.<\/p>\n<p>\u2013 E ent\u00e3o, qual \u00e9 o problema? \u2013 Questiona Ssnake. \u2013 J\u00e1 resgat\u00e1mos uma, resgatamos outra \u2013 complementa.<\/p>\n<p>\u2013 O problema, meus caros, \u00e9 que esta est\u00e1 localizada nas imedia\u00e7\u00f5es de uma base da OTANA \u2013 elucida Sturm.<\/p>\n<p>\u2013 Ep\u00e1, mas quem foi o nabo que enterrou a unidade num ninho de vespas? \u2013 Vocifera Frix, nitidamente incomodado.<\/p>\n<p>\u2013 Foi deixada a\u00ed por um erro de c\u00e1lculo por parte da equipa respons\u00e1vel. Ap\u00f3s ter-se detectado o erro, o comando esperava que nunca viesse a ser precisa. Afinal vai ser precisa e n\u00f3s temos a responsabilidade de a resgatar.<\/p>\n<p>O pelot\u00e3o russo est\u00e1 de regresso \u00e0 estrada. Ao mesmo caminho de terra que parece igual a tantos outros na imensid\u00e3o deste bosque perdido algures no cora\u00e7\u00e3o do M\u00e9dio Oriente.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1967.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-740 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1967-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_1967\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1967-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1967-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1967-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2685.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-733 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2685-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2685\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2685-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2685-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2685-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-741 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2105-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2105\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2105-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2105-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2105-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2760.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-755 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2760-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2760\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2760-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2760-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2760-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-734 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2691\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2691-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando se aproximam do local, a estupefa\u00e7\u00e3o \u00e9 geral. A base est\u00e1 armada at\u00e9 aos dentes e o ponto de extra\u00e7\u00e3o fica a apenas 30 metros da mesma. Mas n\u00e3o h\u00e1 tempo para queixumes. O rel\u00f3gio est\u00e1 em contagem decrescente, \u00e9 preciso definir a estrat\u00e9gia e avan\u00e7ar. Os homens disp\u00f5em-se num terreno ligeiramente elevado, de forma dispersa mas apoiada e avan\u00e7am. O contacto \u00e9 inevit\u00e1vel e estala poucos instantes depois. A troca de tiros \u00e9 incessante. Os russos posicionam-se estrategicamente, mas o avan\u00e7o \u00e9 lento. Exasperadamente lento. Sturm consulta o rel\u00f3gio de forma compulsiva. Os ponteiros n\u00e3o param.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2708.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-744 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2708-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2708\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2708-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2708-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2708-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2712.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-745 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2712-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2712\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2712-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2712-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2712-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1843.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-763 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1843-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_1843\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1843-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1843-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_1843-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u00c9 durante este impasse que decido cometer a maior loucura de toda esta minha miss\u00e3o jornal\u00edstica. A Oeste da base h\u00e1 uma pequena barreira defensiva com tr\u00eas soldados da OTANA. N\u00e3o est\u00e1 na zona directa de fogo, apenas est\u00e1 a proteger aquele flanco, de onde eu sei, de antem\u00e3o, que n\u00e3o advir\u00e1 nenhum perigo. \u00c9 a oportunidade de registar o outro lado da barricada. Se come\u00e7ar a racionalizar, n\u00e3o vou sair daqui. Levanto-me instintivamente e come\u00e7o a percorrer esse caminho menos percorrido. Percorro-o com as duas m\u00e3os erguidas, uma com a m\u00e1quina, outra com uma t-shirt branca que tinha no meu saco de reportagem. A cada passo, repito em pensamento: \u201cse te fossem matar j\u00e1 estavas morto, se te fossem matar\u2026\u201d. J\u00e1 estou pr\u00f3ximo o suficiente para ver os canos da arma apontados na minha direc\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Press, press \u2013 aviso, agora com a credencial erguida.<\/p>\n<p>Ap\u00f3s revista minuciosa, permitem-me entrar na pequena trincheira. S\u00e3o dois soldados e um jovem, que deduzo pertencer \u00e0s mel\u00edcias rebeldes. Os soldados pertencem a um pelot\u00e3o espanhol da OTANA. Talvez os mesmos que ontem invadiram o nosso espa\u00e7o. Hoje, invado eu o deles. Um dos elementos est\u00e1 equipado com um lan\u00e7a-granadas e tem uma barba que, juntamente com os \u00f3culos escuros, faz lembrar o Chuck Norris. Pergunto em ingl\u00eas se aceita falar comigo, acena que sim com a cabe\u00e7a e oferece-me um cigarro. \u00c9 natural de Vigo, no norte de Espanha e pertence a uma unidade militar chamada Terag. \u00c9 veterano, com muitas guerras nas costas. Est\u00e1 nesta \u201cde corpo e alma pela defesa da liberdade\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2726.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-735 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2726-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2726\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2726-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2726-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2726-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-737 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2733-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2733\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2733-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2733-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2733-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-736 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2731\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2731-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><br \/>\nConsigo avistar a base da OTANA \u00e0 dist\u00e2ncia. Pergunto se posso usar a teleobjetiva para fotografar a entrada da base, apenas em busca de pormenores quotidianos da vida militar, nada de natureza estrat\u00e9gica. Contrariamente ao que esperava, diz-me que posso tirar cinco fotos, desde que ele as possa rever e comprovar que n\u00e3o cont\u00eam informa\u00e7\u00e3o privilegiada. Aproveito a oportunidade sem hesitar.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-738 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2748-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2748\" width=\"481\" height=\"722\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2748-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2748-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2748-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 481px) 100vw, 481px\" \/><\/p>\n<p>Disparo, passo-lhe a m\u00e1quina para a m\u00e3o, recebo-a de volta, volto a enquadr\u00e1-lo, carrego no obturador, pe\u00e7o-lhe o endere\u00e7o e digo:<\/p>\n<p>\u2013 Se ambos sairmos disto vivos, esta fotografia chegar\u00e1 \u00e0 tua casa.<\/p>\n<p>Aperto-lhe a m\u00e3o e inicio a caminhada para a colina russa, sem olhar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2751.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-743 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2751-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2751\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2751-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2751-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2751-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2778.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-761 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2778-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2778\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2778-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2778-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2778-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O pelot\u00e3o ainda est\u00e1 preso no mesmo local. A base inimiga permite ao inimigo continuar permanentemente a refor\u00e7ar a zona de press\u00e3o, o que impede a progress\u00e3o e est\u00e1 a impossibilitar a execu\u00e7\u00e3o da miss\u00e3o. Sturm est\u00e1 reunido com alguns elementos a tentar reajustar a estrat\u00e9gia, quando \u00e9 interrompido por um contacto via r\u00e1dio. \u00c9 o posto de comando. O aeroporto est\u00e1 sob ataque e na imin\u00eancia de ser conquistado pelo inimigo. O general Midlandov d\u00e1 ordem imediata de retirada e requer a concentra\u00e7\u00e3o de todos os esfor\u00e7os no aeroporto. O pelot\u00e3o arranca de imediato.<\/p>\n<p>\u2013 Mas o m\u00edssil pode ser lan\u00e7ado sem a unidade de combust\u00edvel que v\u00ednhamos buscar? \u2013 Algu\u00e9m pergunta.<\/p>\n<p>\u2013 Era uma unidade de reserva. Uma redund\u00e2ncia de seguran\u00e7a \u2013 algu\u00e9m responde.<\/p>\n<p>\u2013 Tens a certeza?<\/p>\n<p>Ningu\u00e9m responde, porque ningu\u00e9m tem a certeza. A \u00fanica convic\u00e7\u00e3o que t\u00eam \u00e9 a necessidade de proteger o aeroporto. \u00c9 impreter\u00edvel que o m\u00edssil seja lan\u00e7ado \u00e0 hora designada, caso contr\u00e1rio, segundo indica\u00e7\u00f5es superiores, o efeito surpresa estar\u00e1 comprometido e ser\u00e1 necess\u00e1rio abortar a miss\u00e3o primordial. A que trouxe esta for\u00e7a especial a este teatro de opera\u00e7\u00f5es. Faltam 170 minutos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-732 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2412-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2412\" width=\"765\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2412-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2412-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2412-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 765px) 100vw, 765px\" \/><\/p>\n<p>Quarenta minutos depois, o pelot\u00e3o russo est\u00e1 posicionado no topo da colina de onde partiu em conquista do aeroporto no dia anterior. Ter\u00e1 de repetir a fa\u00e7anha, pois o aeroporto foi tomado pelas for\u00e7as inimigas. O grupo re\u00fane rapidamente. V\u00e3o tentar reeditar a manobra do dia anterior. Faltam 110 minutos.<\/p>\n<p>Quando est\u00e3o a parcelas as tropas, algu\u00e9m alerta para a presen\u00e7a de um grupo de civis armados na retaguarda. Todas as armas s\u00e3o instintivamente apontadas para l\u00e1. Sturm ordena ao grupo que permane\u00e7a onde est\u00e1. O l\u00edder da mil\u00edcia aproxima-se. Sturm reconhece-o.<br \/>\nLidera uma mel\u00edcia anti-rebelde. Re\u00fane com ele.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2782.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-746 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2782-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2782\" width=\"791\" height=\"527\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2782-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2782-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2782-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 791px) 100vw, 791px\" \/><\/a><\/p>\n<p>\u2013 Vamos executar as nossas manobras, podem seguir atr\u00e1s e dar apoio, desde que n\u00e3o comprometam a nossa operacionalidade \u2013 informa o tenente russo.<\/p>\n<p>Nota-se um certo desconforto nos soldados russos por terem estranhos armados, lado a lado com eles. Spet avista um indiv\u00edduo a descer pelo flanco esquerdo, de shemag ao pesco\u00e7o e pistola nas m\u00e3os, duas caracter\u00edsticas que n\u00e3o lhe trazem boas recorda\u00e7\u00f5es. Interpela-o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" title=\"Intruso Aliado [As Fronteiras da Guerra]\" width=\"500\" height=\"281\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/3b62RrJC-Js?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O pelot\u00e3o posiciona-se e come\u00e7a a descer a colina.<br \/>\nUso a teleobjetiva para espiar o aeroporto. Est\u00e1 cheio de for\u00e7as inimigas. Numa trincheira na base da colina est\u00e3o tropas da ENA, em n\u00edtida dificuldade. No bosque do outro lado do aeroporto est\u00e1 a for\u00e7a especial da ENA (Geada), a tentar a progress\u00e3o por a\u00ed. O fogo inimigo \u00e9 intenso e dificulta a descida dos russos. Faltam 80 minutos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2720.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-757 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2720-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2720\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2720-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2720-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2720-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2781.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-760 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2781-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2781\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2781-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2781-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2781-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2775.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-758 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2775-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2775\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2775-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2775-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2775-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2776.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-759 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2776-683x1024.jpg\" alt=\"IMG_2776\" width=\"683\" height=\"1024\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2776-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2776-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2776-200x300.jpg 200w\" sizes=\"auto, (max-width: 683px) 100vw, 683px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2803.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-756 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2803-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2803\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2803-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2803-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2803-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>A muito custo. Atingimos a trincheira. H\u00e1 in\u00fameras baixas no ex\u00e9rcito abduliano. A progress\u00e3o para o aeroporto \u00e9 imposs\u00edvel a partir dali. Neste preciso momento, h\u00e1 um ve\u00edculo de transporte a refor\u00e7ar a presen\u00e7a inimiga no local. Faltam 60 minutos.<\/p>\n<p>Sturm olha para o rel\u00f3gio e analisa a situa\u00e7\u00e3o. Decide alcan\u00e7ar o bosque onde est\u00e1 a for\u00e7a especial da ENA. A ideia \u00e9 limpar todo o sector desse bosque primeiro e depois poder atacar o aeroporto a partir do flanco sul, dividindo a aten\u00e7\u00e3o inimiga entre o ex\u00e9rcito da ENA a Norte e as for\u00e7as especiais russas e abdulianas a Sul. O plano \u00e9 arrojado e requer a travessia de um descampado na lateral do aeroporto. D\u00e1 a ordem, os soldados da ENA iniciam o fogo de cobertura e o pelot\u00e3o russo avan\u00e7a, sem hesitar, em passo de corrida.<br \/>\nFaltam 50 minutos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2804.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-747 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2804-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2804\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2804-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2804-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2804-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2807.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-748 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2807-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2807\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2807-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2807-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2807-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>O \u00faltimo russo mergulha para a caruma. Conseguiram atravessar sem baixas e j\u00e1 est\u00e3o no bosque. Iniciam rapidamente a progress\u00e3o em direc\u00e7\u00e3o ao som dos tiros. Numa zona densamente arborizada, encontram a unidade da ENA em acesa batalha. Posicionam-se, usam as \u00e1rvores como escudo. Faltam 40 minutos.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-751 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2808-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2808\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2808-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2808-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2808-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2754.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-750 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2754-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2754\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2754-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2754-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2754-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-749 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2017-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2017\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2017-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2017-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2017-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-764 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2752\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2752-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2710.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" size-large wp-image-752 aligncenter\" src=\"http:\/\/cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2710-1024x683.jpg\" alt=\"IMG_2710\" width=\"1024\" height=\"683\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2710-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2710-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2016\/02\/IMG_2710-300x200.jpg 300w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Sokol, o segundo m\u00e9dico de servi\u00e7o, agoniza no ch\u00e3o com ferimentos. Felipov est\u00e1 desaparecido. E a chuva de chumbo continua. Um militar da ENA pede fogo de cobertura, d\u00e1 uma corrida e consegue resgatar o russo. N\u00e3o p\u00e1ra de chover. Gritos em todas as l\u00ednguas ecoam pelo bosque. Espanhol, ingl\u00eas, abduliano\u2026 e russo. Chove. Vejo a desesperan\u00e7a nos olhos de alguns homens quando colocam o \u00faltimo carregador na arma. Ser\u00e1 ali o fim?<\/p>\n<p>\u2013 Davai, tovarish. Davai!<\/p>\n<p>Os russos injetam confian\u00e7a uns nos outros. A chuva nunca mais p\u00e1ra. Alguns est\u00e3o encharcados e mesmo assim progridem, arrastam-se pelo mato vertendo o sangue da terra m\u00e3e neste solo inf\u00e9rtil. Cada metro conquistado \u00e9 uma vit\u00f3ria. \u201cDavai!\u201d. Quando n\u00e3o se diz, pensa-se. Cada abertura para fogo \u00e9 aproveitada, cada tiro apaga uma vida. Chove menos.<br \/>\nO \u00faltimo disparo troveja por todo o bosque como um rel\u00e2mpago solit\u00e1rio. Segue-se o sil\u00eancio e uma nuvem de p\u00f3lvora que se desvanece com todo o vagar do mundo, at\u00e9 permitir a Sturm um vislumbre do rel\u00f3gio. Um arrepio perfura-lhe as costas como uma bala.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As h\u00e9lices do helic\u00f3ptero t\u00eam um som t\u00e3o cadenciado que quase surtem um efeito hipn\u00f3tico. Ou ser\u00e1 que quis dizer meditativo? Talvez seja meditativo. J\u00e1 dei por mim a pensar em v\u00e1rias coisas desde que levant\u00e1mos voo. A incondicionalidade do companheirismo, o baixo custo de uma vida perante a cota\u00e7\u00e3o de uma ideologia, as palavras do Karkariano, todos os \u00f3rf\u00e3os desta guerra e o qu\u00e3o fr\u00edvola \u00e9 a ambi\u00e7\u00e3o de carreira que empurra um jornalista para uma realidade destas.<br \/>\nEncaro a quietude desconcertante destes homens. Nenhum deles est\u00e1 aqui por ele pr\u00f3prio. Nenhum deles se submeteria a tudo isto apenas por ele pr\u00f3prio. Talvez seja imperativo para n\u00f3s, jornalistas, interiorizar esse exemplo.<br \/>\nSturm permanece calado, no canto do helic\u00f3ptero. Acabaram por conquistar o aeroporto, ap\u00f3s mais algumas horas de combate, mas a miss\u00e3o foi abortada. Contemplo a sua express\u00e3o taciturna e adivinho-lhe o pensamento. Todos os triunfos alcan\u00e7ados no Afeganist\u00e3o, Chech\u00e9nia, Daguest\u00e3o, Oss\u00e9tia do Sul, Georgia, Crimeia. Todas as medalhas que n\u00e3o pode exibir por serem Opera\u00e7\u00f5es Clandestinas. Tudo isso esvaecido neste momento e um ego que s\u00f3 n\u00e3o est\u00e1 vazio por causa da determina\u00e7\u00e3o dos seus homens, os seus irm\u00e3os de guerra, a sua \u00fanica fam\u00edlia.<\/p>\n<p>Provavelmente os seus superiores n\u00e3o v\u00e3o tolerar o seu fracasso. Talvez at\u00e9 dissolvam a unidade, apesar de todos os sucessos passados. Resta-lhe ent\u00e3o aproveitar em sil\u00eancio cada instante com os seus irm\u00e3os neste MI24 rumo a casa.<\/p>\n<p>Algu\u00e9m me interrompe o momento instrospectivo com uma palmada no ombro. Olho para o lado e vejo o Frix a estender-me mais uma garrafa daquelas cervejas estranhas com sabor a lim\u00e3o.<\/p>\n<p>\u2013 Nadrovia, Viktov.<\/p>\n<p>N\u00e3o resisto e pergunto-lhe sobre o poss\u00edvel estado de esp\u00edrito do seu tenente.<\/p>\n<p>\u2013 Deixa-o estar. Ele est\u00e1 numa guerra interna neste momento. Parte dele est\u00e1 invadida por um sentimento de dever n\u00e3o cumprido. E isso \u00e9 corrosivo para ele. \u00c9 como mil estilha\u00e7os a ferver dentro do seu corpo. Mas depois h\u00e1 outra parte dele que sente al\u00edvio por voltamos todos para casa. Essa \u00faltima parte vai acabar por arrefecer o resto.<\/p>\n<p>\u2013 E achas que o desfecho vai ser positivo para ele, em Moscovo?<\/p>\n<p>\u2013 \u00c9 a sua extrema dedica\u00e7\u00e3o que o est\u00e1 a fazer sofrer. E vai ser ela mesma que no fim o vai proteger.<\/p>\n<p>\u2013 E o resto? O futuro a partir daqui?<\/p>\n<p>Frix encosta a cabe\u00e7a ao pequeno quadrado na fuselagem do IM24 e observa o corrupio das nuvens que l\u00e1 fora parecem passar por n\u00f3s a correr. Tudo parece passar t\u00e3o r\u00e1pido. Responde-me, pausadamente, com o olhar ainda preso na janela:<\/p>\n<p>\u2013 Vou pensando no que vir\u00e1 depois. Vou pensando como vir\u00e1 o depois. Mas agora s\u00f3 quero voltar a casa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Todas as batalhas t\u00eam um fim. Por amarga ironia, esta acabaria ao in\u00edcio do dia.<br \/>\nO meu nome \u00e9 Viktov Malu. 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