{"id":873,"date":"2018-01-19T21:42:42","date_gmt":"2018-01-19T21:42:42","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=873"},"modified":"2020-03-12T01:20:49","modified_gmt":"2020-03-12T01:20:49","slug":"amanhecer-na-cova-do-lobisomem","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/","title":{"rendered":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 imposs\u00edvel saber as horas. N\u00e3o trouxe rel\u00f3gio, o telem\u00f3vel ficou sem bateria e o c\u00e9u est\u00e1 coberto por uma espessa manta nublada.<br \/>\nH\u00e1 j\u00e1 algum tempo que ando a subir esta serra, que apelidaram de Freita. Algures na mochila est\u00e1 um caderno com uma lista de pontos de interesse.<br \/>\nA Cascata da Frecha da Mizarela, a maior cascata da Pen\u00ednsula Ib\u00e9rica; o fen\u00f3meno geol\u00f3gico que apelidaram de Pedras Parideiras; a Portela da Anta, um monumento tumular megal\u00edtico com quatro ou cinco mil anos. Vou ignor\u00e1-los a todos.<br \/>\nOs objetivos para o resto deste dia e o in\u00edcio do pr\u00f3ximo est\u00e3o bem definidos. Hoje, quero pernoitar num ponto alto da montanha e usufruir daquela inspira\u00e7\u00e3o que nos parece abra\u00e7ar de forma particularmente meiga quando estamos mais pr\u00f3ximos das estrelas. Ao amanhecer, quero visitar as ru\u00ednas de uma velha lenda que me gela e ferve a curiosidade ao mesmo tempo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para al\u00e9m das horas, tamb\u00e9m desconhe\u00e7o o caminho. N\u00e3o sigo um trilho espec\u00edfico. Subo a montanha de forma intuitiva, como quem deseja o mar e ruma a oeste porque sabe que vai acabar por o encontrar. Eu sei que esta caminhada vertical me vai levar ao meu destino, pois j\u00e1 ultrapassei as nuvens.<br \/>\nN\u00e3o \u00e9 que esta montanha seja particularmente alta, tem 1085 metros de altitude, h\u00e1 25 montanhas mais altas em Portugal continental. Talvez as nuvens \u00e9 que estejam mais baixas hoje. Atravesso-as, encho os pulm\u00f5es com elas e, passo a passo, continuo a subida.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-882 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"804\" height=\"536\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0918-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 804px) 100vw, 804px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atinjo uma das eleva\u00e7\u00f5es da montanha. Pensava que era o cume, mas estava enganado. Avisto uma eleva\u00e7\u00e3o superior do outro lado de um pequeno planalto sulcado por um caminho de terra. Des\u00e7o at\u00e9 ao planalto &#8211; volto a atravessar nuvens, desta vez em sentido descendente &#8211; e percorro o trilho.<br \/>\nPasso por um enorme rebanho de cabras. Continuo a andar e concluo que afinal ainda n\u00e3o tinha visto nada. Cada vez h\u00e1 mais cabras. O caminho desce e curva \u00e0 esquerda. At\u00e9 l\u00e1, a vegeta\u00e7\u00e3o est\u00e1 cheia de cabras. O rebanho parece intermin\u00e1vel. T\u00e3o vasto que faz lembrar um ex\u00e9rcito num filme \u00e9pico.<br \/>\nJunto \u00e0 curva, sentada numa rocha, est\u00e1 a pastora. Enverga um longo quispo verde, chap\u00e9u vermelho e r\u00f3i tranquilamente uma ma\u00e7\u00e3.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acena com acabe\u00e7a ao meu cumprimento, algo intrigada com a vis\u00e3o de um tipo com montes de tralha \u00e0s costas por ali \u00e0quela hora. A intriga deve ter-se adensado quando me viu abandonar o caminho e come\u00e7ar a subir diretamente pela encosta da montanha. O seu fiel companheiro, um enorme c\u00e3o da serra, cumpre o seu dever e n\u00e3o tira os olhos de mim, em escrut\u00ednio de uma potencial amea\u00e7a. Mesmo ap\u00f3s alguns minutos, quando me sento num rochedo para beber \u00e1gua e fotografar a legi\u00e3o caprina, ele continua especado a observar-me. Retiro uma barra energ\u00e9tica da mochila e decido prolongar a pausa. Permane\u00e7o uns 10 minutos a observar aquele quadro pastoril.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-883 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0968-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"624\" height=\"416\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0968-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0968-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0968-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0968-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 624px) 100vw, 624px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Noto que o c\u00e3o \u00e9 preto mas tem as pernas brancas. Faz lembrar o \u201cPe\u00fagas Brancas\u201d, que Kevin Costner batizou no \u201cDan\u00e7as com Lobos\u201d.<br \/>\nAs cabras continuam com o seu apetite insaci\u00e1vel e levanta-se uma brisa de fim-de-tarde que abana os arbustos \u00e0 minha volta.\u00a0 Atenta a esses ponteiros e\u00f3licos, a pastora decide que est\u00e1 na hora de regressar a casa. O Pe\u00fagas da Freita continua a fitar-me por alguns segundos, at\u00e9 concluir que eu n\u00e3o era amea\u00e7a digna da sua aten\u00e7\u00e3o e segue a dona com a cauda a abanar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vegeta\u00e7\u00e3o \u00e9 densa e dif\u00edcil de percorrer. Mais \u00e0 frente h\u00e1 um conjunto de pedregulhos que parecem ter rebolado pela montanha abaixo e que por ali ficaram, como pe\u00e7as de lego espalhadas. Subo l\u00e1 para cima e vou escalando, de rocha em rocha, radiante com o trajeto divertido e com o tempo que estou a poupar.<br \/>\nO dia j\u00e1 come\u00e7a a entardecer quando alcan\u00e7o mais um planalto. H\u00e1 uma ligeira eleva\u00e7\u00e3o rochosa um pouco mais \u00e0 frente, mas resolvo ignor\u00e1-la.<br \/>\nEste planalto parece-me perfeito para montar acampamento. Tem uma clareira que promete uma vista id\u00edlica que a neblina n\u00e3o me permite para j\u00e1 descortinar, mas que estar\u00e1 l\u00e1 quando eu abrir as cortinas ao acordar. E, acima de tudo, este planalto cumpre o meu mantra do campismo selvagem.<br \/>\nO local est\u00e1 bastante distante de qualquer estrada pavimentada e transitada e \u00e9 praticamente inacess\u00edvel. Qualquer pessoa teria de percorrer horas a p\u00e9 por trilhos e encostas de montanha durante a noite para vir c\u00e1 ter. Ou seja, a probabilidade de algu\u00e9m me vir aqui chatear \u00e9 nula. E a probabilidade de ter uma noite tranquila, s\u00f3 eu, a montanha e as estrelas, est\u00e1 nos 99 por cento. Gosto desses n\u00fameros.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-884 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"862\" height=\"574\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0982-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 862px) 100vw, 862px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Janto qualquer coisa enquanto observo o espesso nevoeiro que se abate sobre o meu acampamento. Parece que n\u00e3o vou ter estrelas esta noite. Por outro lado, terei uma noite mais atmosf\u00e9rica e, de certa forma, ajustada.<br \/>\nJ\u00e1 \u00e9 escuro quando recolho \u00e0 tenda. Resolvo dar uma vista de olhos pelos apontamentos antes de tentar dormir. O feixe t\u00e9nue da headlamp ilumina o bloco, que folheio durante alguns segundos at\u00e9 encontrar a p\u00e1gina com uma palavra escrita a l\u00e1pis no canto superior direito. Lobisomem. Por tr\u00e1s da palavra h\u00e1 uma hist\u00f3ria. Foi ela que me trouxe aqui esta noite.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o muito distante daqui, h\u00e1 uma terra chamada Cambra. Segundo uma lenda local, essa povoa\u00e7\u00e3o foi aterrorizada durante anos por um lobisomem. Os antigos juram que um ser monstruoso, meio lobo meio homem, surgia por entre a neblina nas noites de lua cheia e percorria as ruas em busca de v\u00edtimas. As pessoas trancavam-se em casa e ouviam os seus uivos aterradores a ecoar por entre todas as esquinas da aldeia. \u201cN\u00e3o te atrevas a sair \u00e0 rua nas noites aluaradas\u201d, era um conselho que rapidamente se tornou regra na regi\u00e3o.<br \/>\nAp\u00f3s a ca\u00e7ada, o lobisomem levava as v\u00edtimas para o seu esconderijo, uma caverna h\u00famida junto a um ribeiro, onde as devorava. \u201cHavia por l\u00e1 imensos ossos\u201d, diziam os alde\u00f5es. Alguns falavam das paredes chamuscadas da cova, fruto das fogueiras que o monstro acendia para se aquecer nas noites mais frias.<br \/>\nRecentemente, descobri que essa caverna existe. Pretendo l\u00e1 entrar ao amanhecer.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0 medida que releio as minhas notas, constato que seria engra\u00e7ado ouvir um uivo l\u00e1 fora, neste preciso momento. Embora esteja na cordilheira de montanhas (Freita, Arada, Gralheira, Montemuro) onde se encontram o maior n\u00famero de lobos a sul do Douro, a coincid\u00eancia n\u00e3o acontece. Hoje, a noite \u00e9 muda. Muda e cega. Deslizo o zip da tenda e verifico que o nevoeiro j\u00e1 cobre tudo. Desligo a lanterna e deixo que ele me aconchegue como uma manta misteriosa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-885 alignleft\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"540\" height=\"360\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1049-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 540px) 100vw, 540px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desperto com o azul-escuro do c\u00e9u a clarear e a encher-me a tenda com luz crepuscular. Espreito l\u00e1 fora e, pela primeira vez em muitas horas, tenho vista limpa para o c\u00e9u. A lua parece uma bola esvaziada no seu quarto minguante. \u201cEst\u00e1 explicado porque n\u00e3o houve uivos nem visitas de lobisomens\u201d, concluo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desmonto rapidamente o acampamento, meto a mochila \u00e0s costas e come\u00e7o a descer pela encosta contr\u00e1ria da montanha. Atravesso um bosque com tapete de caruma, encontro um trilho sinalizado por uma das maiores mariolas que j\u00e1 vi, retiro a teleobjetiva \u00e0 pressa da mochila para fotografar uma ave de rapina. Tudo a passo acelerado. Continuo sem saber que horas s\u00e3o. Talvez sejam oito e qualquer coisa quando passo por um campo de cultivo e encontro uma senhora na casa dos cinquenta, que aceita baixar a enxada por uns minutos e trocar dois dedos de conversa comigo. Conhece a lenda, mas com um interveniente diferente.<br \/>\nNa vers\u00e3o que ouviu da av\u00f3 na inf\u00e2ncia, a metamorfose n\u00e3o era em lobo, mas em cavalo, que percorria a galope as nove freguesias de Vouzela, \u201cpara cumprir o fado\u201d. Fala-me de um trilho que chamam de \u201ctrilho medieval\u201d que vai dar a Cambra e \u00e0 gruta que mencionei. Despe\u00e7o-me e afasto-me com um sorriso entusiasmado. Isso era-me familiar.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-886 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"813\" height=\"542\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_1092-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 813px) 100vw, 813px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Sempre adorei o mito do Lobisomem. Desde as tardes livres do ciclo quando ia ao videoclube alugar filmes como \u201cAn American Werewolf in London\u201d ou \u201cSilver Bullet\u201d, que via com as persianas das janelas fechadas mas confortado por saber que o sol estava l\u00e1 fora. Requisitava livros na biblioteca, ouvia hist\u00f3rias dos mais velhos. Quando cresci e comecei a viajar sozinho por Portugal, era comum lembrar-me desse mito sempre que visitava aldeias nas montanhas. O interior est\u00e1 repleto desses contos, que felizmente v\u00e3o passando de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o e sobrevivendo \u00e0 passagem desmistificadora do tempo. Tamb\u00e9m eles s\u00e3o peda\u00e7os de cultura que fazem parte do nosso patrim\u00f3nio oral.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A vers\u00e3o original do mito \u00e9 f\u00e1cil de resumir: Um homem que se transforma num ser h\u00edbrido, meio lobo, meio homem, nas noites de lua cheia e s\u00f3 volta ao estado normal ao amanhecer.<br \/>\nO mito tem uma variante muito predominante em Portugal. Ali\u00e1s, acho que ouvi mais hist\u00f3rias sobre essa variante do que sobre a vers\u00e3o original.<br \/>\nNessa variante, o lobo d\u00e1 lugar a um cavalo. Chamam-lhes \u201ccorredores\u201d. Homens amaldi\u00e7oados pelo destino, que se transformam e s\u00e3o obrigados a percorrer as suas aldeias durante toda a noite. No s\u00e9culo XIX, Alexandre Herculano descreveu-os assim: \u201cs\u00e3o aqueles que t\u00eam o fado ou sina de se despirem de noite no meio de qualquer caminho, principalmente encruzilhada, darem cinco voltas, espojando-se no ch\u00e3o em lugar onde se espojasse algum animal, e em virtude disso transformarem-se na figura do animal pr\u00e9-espojado. Esta pobre gente n\u00e3o faz mal a ningu\u00e9m, e s\u00f3 anda cumprindo a sua sina\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Acreditava-se que a \u00fanica forma de quebrar a maldi\u00e7\u00e3o seria espet\u00e1-lo e faz\u00ea-lo sangrar enquanto estivesse sob a forma animal. A origem da maldi\u00e7\u00e3o \u00e9 desconhecida, embora haja quem acredite que esta atinge sempre o s\u00e9timo dos filhos. Assim acreditava o meu bisav\u00f4 materno, Jos\u00e9 Maria dos Santos. Algures na d\u00e9cada de 40, na aldeia de Jardo, pequena povoa\u00e7\u00e3o nas margens do Rio C\u00f4a, ele e um grupo de amigos suspeitavam que um jovem adulto, o s\u00e9timo irm\u00e3o de uma fam\u00edlia local, era o respons\u00e1vel pelo estridente barulho de galope que se ouvia em noites de luar nos caminhos de terra batida que cruzavam a aldeia. Num ser\u00e3o de Inverno aquecido com copos de jeropiga, chegaram a uma decis\u00e3o. \u201cTemos de livrar o rapaz do encantamento\u201d. Afiaram a ponta de uma vara comprida e passaram a vigiar a casa do jovem nas noites de lua cheia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_887\" aria-describedby=\"caption-attachment-887\" style=\"width: 585px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-887\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"585\" height=\"390\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo-768x512.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/Jardo.jpg 1600w\" sizes=\"auto, (max-width: 585px) 100vw, 585px\" \/><\/a><figcaption id=\"caption-attachment-887\" class=\"wp-caption-text\">A aldeia de Jardo, em meados do s\u00e9culo XX<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Numa dessas noites, o destrancar da porta prendeu-lhes a aten\u00e7\u00e3o. Viram-no sair e enveredar por um trilho que percorria o bosque. Seguiram-no \u00e0 dist\u00e2ncia, com o luar a alumiar o caminho. Ap\u00f3s meio-quil\u00f3metro de mato, perderam-no de vista. Olhavam em redor e nada viam, nada ouviam. At\u00e9 que um deles aponta o dedo numa dire\u00e7\u00e3o, sem conseguir pronunciar uma palavra. L\u00e1 ao fundo, a despontar da escurid\u00e3o, surge um enorme cavalo branco. Fita-os por um segundo e come\u00e7a a galopar na sua dire\u00e7\u00e3o. O grupo de homens de barba rija corre desenfreadamente. \u201c\u00c9 hoje, \u00e9 hoje que vamos desta para melhor\u201d. Com o batuque das patas vigorosas do animal cada vez mais pr\u00f3ximo, percorrem as ruelas da aldeia em desespero, sem coragem para olhar para tr\u00e1s. Entram aos trope\u00e7\u00f5es na casa de um deles e fecham a porta com for\u00e7a. Ca\u00eddos pelo ch\u00e3o, tentam a todo o custo recuperar o f\u00f4lego. Mas ele \u00e9-lhes roubado mais uma vez, por um violento coice na porta. \u201cParecia um trov\u00e3o\u201d. Com o sangue gelado, n\u00e3o saem do s\u00edtio, nem sequer ousaram dizer uma palavra, at\u00e9 os primeiros raios de sol entrarem na janela.<br \/>\n\u201cEu pr\u00f3prio vi marca da ferradura enterrada na madeira da porta\u201d, disse-me, d\u00e9cadas depois, o meu av\u00f4, numa das in\u00fameras vezes que me contou a hist\u00f3ria. J\u00e1 o pai dele e os seus amigos, nunca mais importunaram o vizinho. Julgo que nem sequer voltaram a tocar no assunto, fora do seio familiar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Familiar \u00e9 tamb\u00e9m a \u00e1rvore com folhagem avermelhada que avisto l\u00e1 \u00e0 frente. Penso que j\u00e1 passei por aqui. Gostava de trocar impress\u00f5es com mais algu\u00e9m, mas desde o encontro com a agricultora que n\u00e3o encontro vivalma. S\u00f3 eu, a \u00e1rvore ruiva e um \u201cmapa\u201d gatafunhado a l\u00e1pis de um trilho que julgo n\u00e3o estar a seguir.<br \/>\nSento-me, pouso a mochila e olho em redor. Surge-me no pensamento outra vez a hist\u00f3ria do meu bisav\u00f4 e sorrio ao imaginar aqueles homens endurecidos pela vida a correr a sete p\u00e9s pelas ruas da aldeia. A certa altura j\u00e1 me estou a rir sozinho. Para al\u00e9m das gargalhadas solit\u00e1rias, s\u00f3 se ouvem os p\u00e1ssaros, uma brisa ligeira que por vezes arrasta as folhas no ch\u00e3o e um som distante de \u00e1gua em movimento. Ap\u00f3s alguns segundos, levanto-me num sobressalto. \u00c1gua! A gruta ficava perto de um ribeiro!<br \/>\nProssigo, entusiasmado e em passo acelerado pelo bosque. O mapa j\u00e1 est\u00e1 no bolso. S\u00e3o as orelhas a liderar o caminho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Seria ir\u00f3nico, todo este plano, subidas e descidas de montanhas, pernoitas em planaltos cobertos de nevoeiro, lendas e reminisc\u00eancias de contos antigos, para no final n\u00e3o encontrar a famigerada gruta. Estava j\u00e1 preparado para retirar o bloco de notas da mochila e escrever algo rebuscado como \u201ctinha de ser um dos quatro elementos a sussurrar-me o caminho\u201d, quando paro. O tempo parece ter congelado e a aragem matinal de fim de inverno n\u00e3o tem nada a ver com isso. As pernas est\u00e3o petrificadas, a boca aberta e as m\u00e3os esfregam os olhos, que n\u00e3o querem acreditar. \u201cSurreal\u201d, balbucio em voz alta.<br \/>\nUm percurso envolto em mist\u00e9rio na senda de uma lenda antiga e aterradora. A travessia de bosques e montanhas em busca do covil de um ser mitol\u00f3gico. A orienta\u00e7\u00e3o \u2013 intuitiva e, por fim, auditiva \u2013 por entre a natureza cerrada em busca de um trilho milenar que me poderia levar ao derradeiro destino. Tudo isto para a ter agora \u00e0 minha frente. Firme, assente, resoluta. N\u00e3o sorri, mas imagino-a desafiante e trocista enquanto me encara, \u00e0 espera do meu pr\u00f3ximo passo. Respiro fundo, abano a cabe\u00e7a enquanto sorrio e passo pela enorme placa de madeira com a inscri\u00e7\u00e3o \u201cCova do Lobisomem\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-878 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"687\" height=\"459\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0815-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 687px) 100vw, 687px\" \/><\/a><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" wp-image-881 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"686\" height=\"457\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0915-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 686px) 100vw, 686px\" \/><\/a><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A entrada da caverna est\u00e1 rodeada por vegeta\u00e7\u00e3o, que cai \u00e0 sua volta como uma franja despenteada. Por tr\u00e1s dessas madeixas verdes, mergulha na escurid\u00e3o.<br \/>\nAcendo a headlamp e come\u00e7o a percorr\u00ea-la. A galeria \u00e9 mais larga do que alta e extremamente comprida. H\u00e1 um pequeno curso de \u00e1gua no lado esquerdo da gruta, que est\u00e1 coberto de musgo. As rochas s\u00e3o h\u00famidas e frias e no ar prevalece um cheiro a terra fresca, recentemente banhada pela neblina matinal.<br \/>\nAp\u00f3s uns 15 metros de passos cautelosos, a caverna parece fechar-se. Aproximo-me e com a luz t\u00e9nue da lanterna vislumbro uma passagem bastante estreia. Deixo a mochila no ch\u00e3o e espremo-me por entre a fenda, at\u00e9 chegar a uma c\u00e2mara circular, bastante mais alta e com dois ou tr\u00eas metros de largura. Num dos cantos, a rocha est\u00e1 chamuscada. \u201cEra aqui que a besta se aquecia nas madrugadas frias\u201d.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-880 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849-683x1024.jpg\" alt=\"\" width=\"419\" height=\"628\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849-683x1024.jpg 683w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849-600x900.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849-200x300.jpg 200w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0849-768x1152.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 419px) 100vw, 419px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"wp-image-879 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0844-1024x683.jpg\" alt=\"\" width=\"708\" height=\"473\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0844-1024x683.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0844-600x400.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0844-300x200.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/IMG_0844-768x512.jpg 768w\" sizes=\"auto, (max-width: 708px) 100vw, 708px\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 cinza e peda\u00e7os de madeira ardidos. Algu\u00e9m acendeu esta fogueira recentemente. Ter\u00e3o pernoitado aqui? De que ter\u00e3o falado? Que conversas ter\u00e3o ardido neste antro apinhado de lendas e supersti\u00e7\u00f5es? Sento-me no ch\u00e3o, sem respostas, mas convicto de uma coisa. Se fosse eu, sei bem que conversa \u00e9 que iria ter. Iria olhar os meus companheiros de expedi\u00e7\u00e3o nos olhos e dizer: \u201cOs lobisomens existiram\u201d. Depois, encararia com um sorriso a sua perplexidade e, por entre o clar\u00e3o das chamas da fogueira, acrescentaria: \u201cTalvez ainda existam\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0&#8211; Andas a ver filmes a mais, Victor\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; J\u00e1 ouviste falar em hipertricose?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; N\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; \u00c9 uma doen\u00e7a rara, por muta\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica, onde o corpo humano fica completamente coberto de p\u00ealos. E n\u00e3o me refiro a tufos de p\u00ealo no peito. Estou a falar de p\u00ealos felpudos, que podem atingir 10 a 20 cent\u00edmetros de cumprimento e cobrem todo o corpo, excepto as palmas das m\u00e3os e dos p\u00e9s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; A s\u00e9rio?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E sabes o que \u00e9 licantropia?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Sim, dessa j\u00e1 ouvi falar. \u00c9 uma doen\u00e7a mental onde a pessoa acredita que \u00e9 um lobo, n\u00e3o \u00e9?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Exactamente, a licantropia cl\u00ednica \u00e9 uma patologia psiqui\u00e1trica, geralmente associada \u00e0 esquizofrenia, onde um ser humano acredita que se transformou, ou est\u00e1 em processo de se transformar num animal, geralmente um lobo. Com o agravar dos sintomas, a cren\u00e7a torna-se numa convic\u00e7\u00e3o absoluta. A pessoa considera-se um lobo. E age em conformidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Realmente, a pr\u00f3pria metamorfose acontece, mas \u00e9 ps\u00edquica e n\u00e3o f\u00edsica, como nos filmes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Precisamente! Agora imagina uma pessoa que sofre de ambas as enfermidades. E imagina-a na antiguidade, ou at\u00e9 mesmo num passado n\u00e3o t\u00e3o distante mas num local remoto, onde a ci\u00eancia n\u00e3o chega para dar resposta a esses fen\u00f3menos. Tens a\u00ed um lobisomem!<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Ep\u00e1, que arrepio danado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Arrepiante, indeed\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; Pobres criaturas! Quantos ter\u00e3o existido ao longo dos tempos\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8211; E quantas v\u00edtimas n\u00e3o ter\u00e3o sofrido \u00e0s m\u00e3os, ou devo dizer garras, desse triste fado\u2026<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ruido desperta-me do di\u00e1logo imagin\u00e1rio. N\u00e3o vem do exterior. \u00c9 do interior. \u00c9 um som grave, seco e arrastado. Com o entusiasmo esqueci-me de comer e o meu est\u00f4mago est\u00e1 a protestar. Antes de me levantar, surge uma ideia. Vai dar algum trabalho, especialmente porque ainda estou em jejum, mas que se lixe. Saio da gruta em passo acelerado e recolho lenha nas proximidades. A maior parte dos paus que encontro ainda est\u00e3o h\u00famidos do orvalho, mas com alguma insist\u00eancia l\u00e1 encontro alguns relativamente secos. Regresso \u00e0 gruta, retiro o isqueiro da mochila, rasgo algumas p\u00e1ginas em branco do bloco de apontamentos e recolho alguns mantimentos: Uma barra energ\u00e9tica, bolachas integrais, o cantil com \u00e1gua e uma saqueta de ch\u00e1 preto.<br \/>\nAcendo a fogueira e tomo o pequeno-almo\u00e7o na Cova do Lobisomem.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Uma caminhada nas montanhas envolta em mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. Atravessei bosques e montes em busca do covil de um ser mitol\u00f3gico. Dormi no meio do nevoeiro e encontrei-o ao amanhecer. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":876,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[3],"tags":[88],"class_list":["post-873","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronica-inedita","tag-ghost-stories"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.\" \/>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"pt_PT\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA\" \/>\n<meta property=\"article:publisher\" content=\"https:\/\/www.facebook.com\/cronicasmadrugada\/\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2018-01-19T21:42:42+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2020-03-12T01:20:49+00:00\" \/>\n<meta property=\"og:image\" content=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:width\" content=\"1440\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:height\" content=\"811\" \/>\n\t<meta property=\"og:image:type\" content=\"image\/jpeg\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Victor Melo\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Escrito por\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Victor Melo\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Tempo estimado de leitura\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutos\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\/\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\"},\"author\":{\"name\":\"Victor Melo\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d\"},\"headline\":\"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM\",\"datePublished\":\"2018-01-19T21:42:42+00:00\",\"dateModified\":\"2020-03-12T01:20:49+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\"},\"wordCount\":3175,\"commentCount\":1,\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg\",\"keywords\":[\"Ghost Stories\"],\"articleSection\":[\"Cr\u00f3nicas In\u00e9ditas\"],\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"CommentAction\",\"name\":\"Comment\",\"target\":[\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#respond\"]}]},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\",\"url\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\",\"name\":\"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#website\"},\"primaryImageOfPage\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage\"},\"image\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage\"},\"thumbnailUrl\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg\",\"datePublished\":\"2018-01-19T21:42:42+00:00\",\"dateModified\":\"2020-03-12T01:20:49+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d\"},\"description\":\"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.\",\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/\"]}]},{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage\",\"url\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg\",\"width\":1440,\"height\":811},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"Home\",\"item\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#website\",\"url\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/\",\"name\":\"CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA\",\"description\":\"Reportagens, aventuras, viagens, mist\u00e9rios, cultura, emo\u00e7\u00f5es. Um mundo feito de p\u00e1ginas e cafe\u00edna para acompanhar as madrugadas mais solit\u00e1rias.\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"pt-PT\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d\",\"name\":\"Victor Melo\",\"image\":{\"@type\":\"ImageObject\",\"inLanguage\":\"pt-PT\",\"@id\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/image\/\",\"url\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/old-typewriter-100x100.jpg\",\"contentUrl\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/old-typewriter-100x100.jpg\",\"caption\":\"Victor Melo\"},\"sameAs\":[\"Victor Melo\"],\"url\":\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/author\/victor\/\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM","description":"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/","og_locale":"pt_PT","og_type":"article","og_title":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM","og_description":"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.","og_url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/","og_site_name":"CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA","article_publisher":"https:\/\/www.facebook.com\/cronicasmadrugada\/","article_published_time":"2018-01-19T21:42:42+00:00","article_modified_time":"2020-03-12T01:20:49+00:00","og_image":[{"width":1440,"height":811,"url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg","type":"image\/jpeg"}],"author":"Victor Melo","twitter_misc":{"Escrito por":"Victor Melo","Tempo estimado de leitura":"16 minutos"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/"},"author":{"name":"Victor Melo","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d"},"headline":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM","datePublished":"2018-01-19T21:42:42+00:00","dateModified":"2020-03-12T01:20:49+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/"},"wordCount":3175,"commentCount":1,"image":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg","keywords":["Ghost Stories"],"articleSection":["Cr\u00f3nicas In\u00e9ditas"],"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"CommentAction","name":"Comment","target":["https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#respond"]}]},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/","url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/","name":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM","isPartOf":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#website"},"primaryImageOfPage":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage"},"image":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage"},"thumbnailUrl":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg","datePublished":"2018-01-19T21:42:42+00:00","dateModified":"2020-03-12T01:20:49+00:00","author":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d"},"description":"Uma caminhada numa montanha envolta em nevoeiro e mist\u00e9rio na senda de uma lenda t\u00e3o antiga quanto aterradora. A gruta de um lobisomem.","breadcrumb":{"@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#breadcrumb"},"inLanguage":"pt-PT","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/"]}]},{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#primaryimage","url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/01\/21200530_10214478436744251_1879675031248732879_o.jpg","width":1440,"height":811},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/amanhecer-na-cova-do-lobisomem\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"Home","item":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"AMANHECER NA COVA DO LOBISOMEM"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#website","url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/","name":"CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA","description":"Reportagens, aventuras, viagens, mist\u00e9rios, cultura, emo\u00e7\u00f5es. Um mundo feito de p\u00e1ginas e cafe\u00edna para acompanhar as madrugadas mais solit\u00e1rias.","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"pt-PT"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/d5c4cc940e2c71f7919385cf8e5b635d","name":"Victor Melo","image":{"@type":"ImageObject","inLanguage":"pt-PT","@id":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/#\/schema\/person\/image\/","url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/old-typewriter-100x100.jpg","contentUrl":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2015\/04\/old-typewriter-100x100.jpg","caption":"Victor Melo"},"sameAs":["Victor Melo"],"url":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/author\/victor\/"}]}},"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/users\/1"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=873"}],"version-history":[{"count":14,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":897,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/873\/revisions\/897"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/media\/876"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=873"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=873"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=873"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}