{"id":989,"date":"2018-09-17T17:58:38","date_gmt":"2018-09-17T17:58:38","guid":{"rendered":"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/?p=989"},"modified":"2019-04-23T23:50:30","modified_gmt":"2019-04-23T23:50:30","slug":"os-andares-da-percepcao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/os-andares-da-percepcao\/","title":{"rendered":"OS ANDARES DA PERCEP\u00c7\u00c3O"},"content":{"rendered":"<p><span class=\"wpsdc-drop-cap\">\u00c9<\/span> comum dizer-se que aqueles que t\u00eam ideias demasiado avan\u00e7adas para serem aceites no presente nasceram \u00e0 frente do tempo. Philip K. Dick incorporou essa m\u00e1xima, literalmente. Nasceu seis semanas prematuro. No entanto, a sua vida e a sua obra mostram-nos que, contrariamente ao que \u00e9 dito pelos calend\u00e1rios e pelos rel\u00f3gios, talvez todos os acontecimentos ocorram na altura certa. Pelo motivo certo.<\/p>\n<p>O escritor passou a inf\u00e2ncia em S\u00e3o Francisco e desde cedo teve a companhia da contrariedade. Desde a morte de uma irm\u00e3 g\u00e9mea, a quem apelidaria de \u201cg\u00e9mea fantasma\u201d nos seus livros, ao div\u00f3rcio dos pais aos cinco anos. Ele pr\u00f3prio viria a casar cinco vezes, o mesmo n\u00famero de d\u00e9cadas que iria viver. Foi estudar para a Calif\u00f3rnia, onde se apaixonou por Psicologia e Filosofia. Devorou os livros de Plat\u00e3o e Carl Jung, pesquisou, experienciou, desenvolveu e aprimorou uma natureza inquisitiva sobre a vida e a ess\u00eancia das coisas. Ao longo da vida lidou com a ansiedade e outros problemas de sa\u00fade, onde o recurso a anestesias e anest\u00e9sicos esteve na origem do que apelidou de \u201cexperi\u00eancias transcendentes\u201d, que o fizeram mergulhar na metaf\u00edsica. A mesma metaf\u00edsica que est\u00e1 no DNA da sua extensa obra. Escreveu 121 contos de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica ao longo das d\u00e9cadas de 50, 60 e 70, que eram vendidos a revistas de g\u00e9nero por poucos d\u00f3lares. T\u00e3o poucos que nem na idade adulta conseguiu afastar-se da sua companhia de inf\u00e2ncia. O seu carro foi apreendido pelas finan\u00e7as, n\u00e3o raramente as suas contas mensais eram pagas por familiares e foi um colega escritor que lhe ofereceu uma m\u00e1quina de escrever el\u00e9ctrica, quando as manuais se tornaram obsoletas. Uma vida de pobreza que durou at\u00e9 ao seu \u00faltimo suspiro. \u00c0 luz do presente, muitos classificariam a sua vida como uma viv\u00eancia falhada, desprovida de m\u00e9rito e sucesso. Mas os des\u00edgnios do destino s\u00e3o sempre percepcionados de forma limitada pela l\u00e2mpada do presente. \u00c9 no candeeiro do futuro que o espectro de luz ganha dimens\u00e3o suficiente para iluminar tudo o que antes fora invis\u00edvel \u00e0 percep\u00e7\u00e3o superficial.<\/p>\n<p>Nas d\u00e9cadas seguintes, o seu trabalho serviria de inspira\u00e7\u00e3o para in\u00fameros escritores e cineastas. Foi considerado \u00a0o \u201cShakespeare da Fic\u00e7\u00e3o Cientifica\u201d.\u00a0 S\u00e3o poucos os filmes do g\u00e9nero que brilharam no grande ecr\u00e3 onde os autores n\u00e3o tenham admitido ter sido influenciados pelo legado de Philip K. Dick. S\u00e3o tantos os testemunhos que percebermos que o escritor n\u00e3o nasceu cedo ou tarde, mas viveu na altura certa para inseminar a influ\u00eancia geracional em todo um g\u00e9nero cinematogr\u00e1fico. Para al\u00e9m desse efeito influente noutras obras, 12 contos do escritor foram eles pr\u00f3prios adaptados ao cinema. Hoje, alguns desses filmes s\u00e3o aut\u00eanticos cl\u00e1ssicos, como \u201cBlade Runner\u201d, \u201cTotal Recall\u201d, \u201cA Scanner Darkly\u201d, \u201cMinority Report\u201d. De todos esses, talvez seja un\u00edssona a estranheza por eu escolher um bem menos conhecido para debru\u00e7ar a minha aten\u00e7\u00e3o na segunda metade do texto. Tamb\u00e9m aqui, mais uma vez, essa luz que liquefaz interroga\u00e7\u00f5es e exclama\u00e7\u00f5es, acender-se-\u00e1 mais \u00e0 frente.\u00a0<strong>\u00a0<\/strong><\/p>\n<p><strong>\u00a0<\/strong><strong>O filme \u00e9 \u201c The Adjustment Bureau\u201d (Os Agentes do Destino \/ 2011) e todos os que n\u00e3o o viram est\u00e3o proibidos de continuar a leitura, pois o final ser\u00e1 mencionado. Explicitamente.<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-997 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1-1024x769.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"769\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1-1024x769.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1-600x451.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1-300x225.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1-768x577.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/59bc7cc4b3301.image_-1.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>H\u00e1 uma tend\u00eancia humana muito comum &#8211; da qual me esfor\u00e7o por libertar e que espero um dia conseguir libertar-me por completo \u2013 que \u00e9 julgar o todo pela parte. \u00a0\u00c9 por isso que n\u00e3o gosto de julgar um filme pelo seu final. Abro apenas uma excep\u00e7\u00e3o: quando est\u00e1 presente incoer\u00eancia. Ou seja, caso o argumento seja enrolado de uma forma cujo desenrolar exija coer\u00eancia. Nesses casos, \u00e9 dif\u00edcil impedir que a parte contamine o todo. Mas h\u00e1 situa\u00e7\u00f5es onde vejo um filme que me encanta do princ\u00edpio ao (quase) fim e, quando os cr\u00e9ditos come\u00e7am a escorrer no ecr\u00e3 negro, penso: \u201cEu escreveria o final de forma diferente\u201d. Nesses casos n\u00e3o crucifico o filme. Nunca o fiz, nem enquanto cr\u00edtico ou espectador. Sempre achei que seria um exerc\u00edcio egoc\u00eantrico e at\u00e9 pretensioso. Embora a lamente, n\u00e3o condeno a op\u00e7\u00e3o. Opto por tentar entender a raz\u00e3o por tr\u00e1s da op\u00e7\u00e3o. E \u00e9 frequente descobrir que certas op\u00e7\u00f5es n\u00e3o dependem dos autores, mas dos est\u00fadios, sendo escolhidas por motivos mais estrat\u00e9gicos do que art\u00edsticos. E nem todos os autores t\u00eam for\u00e7a para pontapear as concess\u00f5es art\u00edsticas pela porta fora. Philip K. Dick pontapeou-as sempre ao longo da sua carreira liter\u00e1ria, colhendo da\u00ed os diversos frutos consequentes atr\u00e1s mencionados.<\/p>\n<p>Recentemente, vi \u201cThe Adjustment Bureau\u201d pela terceira vez e continuo a gostar muito dele. Para al\u00e9m de me despertar uma esp\u00e9cie de sorriso interior, todos os visionamentos inspiraram conversas. Desta vez, inspirou-me a conversar tamb\u00e9m com o teclado.<\/p>\n<p>N\u00e3o sei se \u00e9 empatia ou simpatia que sinto pela premissa. Talvez ambas. Philip k. Dick idealizou-a no seu conto \u201cThe Adjustment Team\u201d, publicado em 1954, onde usa uma met\u00e1fora deliciosa para abordar a influ\u00eancia dos sincronismos na vida humana. As dan\u00e7as entre o destino e o livre arb\u00edtrio e os pequenos aux\u00edlios que eventualmente o ser humano recebe e que apelida, inocentemente, de coincid\u00eancias, acidentes ou acasos. A adapta\u00e7\u00e3o cinematogr\u00e1fica adensou a trama e a met\u00e1fora, retratando essa ess\u00eancia sincron\u00edstica como uma corpora\u00e7\u00e3o, com hierarquias e agentes vestidos como detectives dos anos 50, que t\u00eam como finalidade garantir que todos os \u201cpequenos grandes\u201d acontecimentos e interac\u00e7\u00f5es da vida ocorrem de forma prop\u00edcia a um desfecho que o presente ignora mas que o futuro n\u00e3o s\u00f3 conhece como, tacitamente, anseia. Desde o primeiro visionamento (s\u00f3 posteriormente li o conto) que me senti deliciado com essa met\u00e1fora, toda essa representa\u00e7\u00e3o aleg\u00f3rica dos mist\u00e9rios da vida e da espiritualidade que, apesar da individualidade das nossas cren\u00e7as, nos atraem de uma forma ou outra e continuam a semear pontos de interroga\u00e7\u00e3o nos nossos \u00e2magos.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan.jpg\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-990 aligncenter\" src=\"http:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan-1024x576.jpg\" alt=\"\" width=\"1024\" height=\"576\" srcset=\"https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan-1024x576.jpg 1024w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan-600x338.jpg 600w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan-300x169.jpg 300w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan-768x432.jpg 768w, https:\/\/www.cronicasdamadrugada.com\/wpc\/wp-content\/uploads\/2018\/09\/adjustment-bureau-plan.jpg 1920w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/a><\/p>\n<p>Para al\u00e9m de interessante e inteligente, o argumento do filme \u00e9 engra\u00e7ado e faz a minha mente sorrir ao longo dos seus 99 minutos. Embora o sorriso esmore\u00e7a um bocadinho nos derradeiros. Nota-se que houve uma preocupa\u00e7\u00e3o deliberada em deixar que um sentimento positivo perdurasse na audi\u00eancia. Sente-se o intento das pessoas abandonarem a sala satisfeitas, sorridentes, felizes. Uma inten\u00e7\u00e3o que, a meu ver, torna o desfecho do filme demasiado apressado e com um sabor um bocado artificial. N\u00e3o tenho nada contra os \u201cHappy Endings\u201d &#8211; embora tenda a concordar com o Stephen King, quando escreveu: \u201cE vou agora dizer que eles viveram felizes para sempre? N\u00e3o vou porque isso n\u00e3o acontece com ningu\u00e9m. Mas houve felicidade. E eles viveram\u201d \u2013 e at\u00e9 acho que se adequam bem a certos filmes, quando o pr\u00f3prio filme o exige. \u201cThe Adjustment Bureau\u201d n\u00e3o o exigia.<\/p>\n<p>Pessoalmente, preferia uma abordagem mais dram\u00e1tica.\u00a0 A dada altura, \u00e9 confidenciado a David que se continuar o relacionamento com Elise, o amor n\u00e3o deixar\u00e1 necessariamente de estar presente, mas nenhum deles conseguir\u00e1 viver de acordo com o seu verdadeiro potencial. Percorrer\u00e3o juntos uma estrada, ignorando que h\u00e1 dois desvios que, se percorridos individualmente, levariam a um futuro brilhante para ambos. \u00c9 preciso tomar uma decis\u00e3o e colher os respectivos frutos.<\/p>\n<p>No desfecho escolhido, ambos decidem sabotar o destino e conseguirem tudo \u00e0 for\u00e7a. Essa determina\u00e7\u00e3o \u00e9-lhes reconhecida e valorizada, ficando ambos com o melhor de todas as estradas. E \u00e9 nessa altura que me surge o tal pensamento: \u201cEu escreveria isto de forma diferente\u201d. Pela vontade da minha \u201ccaneta\u201d, ele &#8211; que era o \u00fanico que tinha conhecimento do rumo de ambas as estradas &#8211; opta por se afastar e, ap\u00f3s um momento de incerteza, mant\u00e9m o afastamento quando volta a quase esbarrar com ela. Mais tarde, entra num escrit\u00f3rio, tira um \u00e1lbum da estante e mete-o sobre a secret\u00e1ria, juntamente com um jornal. Recorta do jornal uma not\u00edcia sobre um feito tremendo dela na sua \u00e1rea, a dan\u00e7a, onde alcan\u00e7ou um pr\u00e9mio de enorme prest\u00edgio, e junta o recorte ao \u00e1lbum. Derrama uma bebida num copo e fica a sorv\u00ea-la enquanto folheia e admira o \u00e1lbum longamente, sendo percept\u00edvel as muitas p\u00e1ginas cheias de recortes de revistas e jornais que o comp\u00f5em. Sente-se feliz com a escolha e o sacrif\u00edcio que fez. Com o sucesso que ela alcan\u00e7ou. N\u00e3o o incomoda que ela nunca saiba de nada disso, que eventualmente o possa considerar frio, insens\u00edvel ou desonesto pelo seu s\u00fabito desaparecimento sem uma \u00fanica explica\u00e7\u00e3o ou palavra de despedida. L\u00ea um recorte com uma cita\u00e7\u00e3o dela a dizer algo negativo sobre ele, na altura da sua candidatura ao senado e sorri. Compreende, sabe. Sabe os motivos, as inten\u00e7\u00f5es e a genu\u00edna sensa\u00e7\u00e3o de felicidade por saber que a sua op\u00e7\u00e3o a ajudou a seguir o seu verdadeiro caminho. Isso chega-lhe. Algu\u00e9m bate \u00e0 porta e diz: \u201cEst\u00e1 na hora Sr. Presidente\u201d. A c\u00e2mara permanece sempre focada no livro e acompanha-o, ao fundo, desfocado, a sair da porta.<\/p>\n<p>Esse era o meu final de \u201cThe Adjustment Bureau\u201d. N\u00e3o deixo de gostar muito do filme por ele n\u00e3o ter o desfecho que eu gostava, mas sinto que ele poderia ser ainda mais especial no meu altar cinematogr\u00e1fico, caso o argumentista tivesse optado por percorrer a estrada menos percorrida. At\u00e9 porque, parece-me, entrava em conson\u00e2ncia com a pr\u00f3pria hist\u00f3ria de vida do autor que o inspirou. Acasos, infort\u00fanios, coincid\u00eancias, afastamentos, aproxima\u00e7\u00f5es, acidentes, sucessos, fracassos, tudo faz parte da mesma madeira com que se constr\u00f3i a escada. E \u00e9 s\u00f3 no final, quando podemos contemplar as coisas do \u00faltimo degrau, que constatamos que cheg\u00e1mos onde cheg\u00e1mos n\u00e3o apesar do que nos aconteceu, mas por causa do que nos aconteceu.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 textos que nos fazem sorrir por dentro. Este \u00e9 um desses. Aborda muitas quest\u00f5es, desde lutas e des\u00edgnios de vida, a arte, a fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, os trilhos misteriosos do destino, a espiritualidade e o que Carl Jung chamava de sincronicidade.<br \/>\nAs palavras aqui escritas estabelecem um paralelismo com um filme, de forma quase umbilical. N\u00e3o ser\u00e3o compreendidas na integra por quem n\u00e3o o tenha visto. E v\u00e3o arruin\u00e1-lo a essas pessoas, pois o final \u00e9 mencionado.  Apesar disso, podem avan\u00e7ar. H\u00e1 519 palavras que podem ser lidas, antes de depararem com um sinal com essa advert\u00eancia. Nesse caso, recuem e arranjem um momento nas vossas vidas para o ver. Regressem depois e, s\u00f3 ent\u00e3o, subam a totalidade destes degraus da percep\u00e7\u00e3o. <\/p>\n","protected":false},"author":1,"featured_media":991,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"sfsi_plus_gutenberg_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_show_text_before_share":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_type":"","sfsi_plus_gutenberg_icon_alignemt":"","sfsi_plus_gutenburg_max_per_row":"","_monsterinsights_skip_tracking":false,"_monsterinsights_sitenote_active":false,"_monsterinsights_sitenote_note":"","_monsterinsights_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[13],"tags":[],"class_list":["post-989","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-cronicas-recicladas"],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v26.9 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>OS ANDARES DA PERCEP\u00c7\u00c3O | CR\u00d3NICAS DA MADRUGADA<\/title>\n<meta name=\"description\" content=\"H\u00e1 textos que nos fazem sorrir por dentro. 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