UMA NOITE NA ILHA

Durante anos sonhei com a silhueta misteriosa de uma ilha envolta em nevoeiro que se avistava da costa Norte de Espanha. Decidi passar lá o dia (e a noite) dos meus 30 anos. Descobri um autêntico paraíso selvagem. Já a história mística da ilha, só viria a descobrir mais tarde.

O HÓSPEDE DO HOTEL ABANDONADO

Numa viagem aos Açores, encontrei um velho hotel abandonado. Contornei o portão trancado com correntes e explorei todos os seus recantos. Subi até ao andar mais alto, onde deduzo que se situavam as suites mais exclusivas e deparei-me com a vista privilegiada para um dos cenários mais idílicos de Portugal: A Lagoa das Sete Cidades. Finalmente percebi porque os antigos hóspedes apelidavam aquelas janelas de "quadro vivo". Era para contar a sua história, mas o que devia ser a entrada, uma introdução ficcional e evocativa com meia dúzia de linhas, ganhou vida própria e tornou-se, ela mesma, no texto. Decidi que seria ele a ficar hospedado no Crónicas da Madrugada.

OS ANDARES DA PERCEPÇÃO

Há textos que nos fazem sorrir por dentro. Este é um desses. Aborda muitas questões, desde lutas e desígnios de vida, a arte, a ficção científica, os trilhos misteriosos do destino, a espiritualidade e o que Carl Jung chamava de sincronicidade. As palavras aqui escritas estabelecem um paralelismo com um filme, de forma quase umbilical. Não serão compreendidas na integra por quem não o tenha visto. E vão arruiná-lo a essas pessoas, pois o final é mencionado. Apesar disso, podem avançar. Há 519 palavras que podem ser lidas, antes de depararem com um sinal com essa advertência. Nesse caso, recuem e arranjem um momento nas vossas vidas para o ver. Regressem depois e, só então, subam a totalidade destes degraus da percepção.

O TANQUE QUE LAVA EPIFANIAS

Numa noite quente de Agosto de 2012, um conjunto caricato de coincidências levou-me a um velho edifício, na zona histórica de Viseu. Alguém destrancou duas portadas enormes e levou-me a um pátio, onde estavam a ser projetadas curtas-metragens ao ar-livre, junto a um velho tanque de pedra antiga. Esta iniciativa de dois viseenses, intitulada “Curtas ao Tanque”, cresceu e tornou-se no Shortcutz Viseu, um marco cultural incontornável da cidade. Hoje, 5 anos, 450 curtas, 320 convidados e 6000 espetadores depois, o evento contabiliza a centésima sessão. Em dia de festa, recordo o texto que escrevi na noite onde tudo começou.
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